sexta-feira, 24 de dezembro de 2021

Mechwarrior - Ghost of Winter


Ghost of Winter foi um de dois audios que um canal de youtube produziu transformando em audio um livro sobre Mechwarrior (o RPG baseado no clássico jogo de tabulero, battletech) - o outro, Ideal War, eu já resenhei em outra postagem. 

Mechwarrior também é o título de uma franquia de jogos eletrônicos com inúmeros títulos (tanto single quanto multiplayer), mas os romances (mais de 100 deles) foram produzidos como conteúdo adicional ao RPG, e embora todos eles tenham um universo compartilhado, os jogos eletrônicos, do RPG e do jogo de tabuleiro se passam em eras diferentes, e os romances se focam na era clássica e na Era das Trevas, enquanto os jogos (tanto eletrônico como os de tabuleiro) misturam mechs de várias eras diferentes, e o jogo online se passa na era das invasões dos clãs. 

E sim, na imagem de capa diz que é baseado nos jogos eletrônicos, mas essa capa é da reedição, e queria pegar carona no sucesso do jogo online - eu não consegui encontrar a capa original sem essa propaganda com uma boa resolução, infelizmente... 

Battetech também tem uma animação no meio da década de 90 e tanto esse título como Mechwarrior tem séries de quadrinhos que se passam em diversas eras diferentes. 

E sim, eu provavelmente deveria ter falado sobre tudo isso na resenha do primeiro livro que fiz do cenário, mas antes tarde do que mais tarde, como diz o ditado. 

Agora, sobre este livro específico. 

Ghost of Winter se passa em um pequeno planeta gelado chamado Kore, na periferia da esfera central da Terra. O planeta mineiro tem pouco valor estratégico, mas como possui minério em abundância e uma conformação geológica que produz uma série de anomalias geotérmicas, a Corporação Mineira de Alfin (proprietária do planeta) mantém uma Lança de mechwarriors no local para proteger as instalações de mineração e o pequeno laboratório supervisionado pelo doutor Hidoshi Kintaro, cujo filho, Sturm, um mechwarrior em treinamento, é o protagonista do livro. 

A unidade de mechwarriors do planeta, composta pelo sargento Kenner (um veterano de guerra que participou das guerras contra os clãs sob o comando de Jenna Kintaro, máe de Sturm) conta com dois mechwarriors experientes e mais dois pilotos em treinamento - Sturm e Volker, ambos jovens nativos de Kore e sem qualquer experiência em combate real.

Quando o planeta é atacado por uma Lança de piratas liderada por Susie "one-eye" Ryan, os defensores, pegos desprevenidos e sem prática em combate são rapidamente derrotados, embora Sturm consiga escapar para os hermos gelados dde Kore - onde descobrirá alguns segredos sobre o planeta e seu passado, e precisará derrotar os piratas para proteger seu pai e seus amigos. 

Não é exatamente a mais original das histórias, embora, obviamente, o cenário ajude bastante, adicionando várias informações sobre a política e história dos jogos na trama. O ritmo acelerado do livro - que não se preocupa em dar informações muito detalhadas sobre as possíveis "partes chatas" da história, se concentrando apenas na ação, planos mirabolantes e nas agressivas interações entre os personagens também ajuda a manter o interesse no livro ao longo de toda a estória, sem pausas longas entre as muitas cenas de ação e algumas reviravoltas previsíveis mas bem executadas. 

O ritmo, no entanto, também é um fator detrimental ao livro, já que a trama é tão recheada de combates que o confronto final entre Sturm e os piratas não tem tanto impacto quanto poderia. 

Ainda assim, daria um excelente filme de ação! 

Para fãs de Battletech ou Mechwarrior (jogo de tabuleiro, RPG ou mesmo jogos eletrônicos ) é um prato cheio com explicações detalhadas sobre mechs, armas, estratégias de combate amarrados de forma extremamente eficiente nas cenas de combate (a gente quase consegue ver as miniaturas se movendo nos mapas e os resultados das rolagens de ataque!). 

Para quem não é familiarizado com o cenário, talvez o livro seja de pouco interesse, mas ainda é um bom livro de ação com um cenário conciso e combates bem escritos. 

Como fiz com Ideal War, vou deixar aqui o link para o vídeo no youtube onde o livro pode ser ouvido na integra - com uma narração e edição bastante competentes! 



Post Scriptum: Espero que o Rageaholic volte a produzir audiobooks (de mechwarrior ou de qualquer outra franquia) porque a produção dele é excelente e a narração é indistinguível de um profissional - embora eu não tenha me interessado por mais nada do canal do sujeito, só pela esperança dele lançar mais audiobooks já valeu a inscrição! 

segunda-feira, 13 de dezembro de 2021

The Colour of Magic & Light Fantastic


E então tomei vergonha na cara e decidi - antes tarde do que mais tarde - desbravar o Mundo Disco. Mundo do Disco? Discomundo? Discoterra...? Não tenho muita certeza de como traduziria o nome da série, pra ser honesto. 

Já tinha, como todo bom leitor de fantasia, ouvido falar sobre essa série, e já tinha uma vaga idéia do que se tratava. De fato, conhecia alguns dos personagens - como Cohen, o Bárbaro. E a Bagagem. Ah, a bagagem... 

Mas pra quem não conhece, vamos do começo - e pra quem conhece, sejam pacientes e leiam pra poder me corrigir caso eu tenha entendido alguma coisa errada (a melhor maneira de fazer alguém ler alguma coisa é pedir pras pessoas te corrigirem, porque daí elas vão querer inflar o próprio ego e pra isso vão prestar muita, muita atenção no texto. Isso é Miologia pra iniciantes, caso vocês precisem saber. Mas Miologia é um assunto pra outra hora). 

Onde eu estava? 


Ah, sim. Discoterra (me afeiçoei ao nome, vou adotar!)  consiste em um largo disco (completo com uma borda-do-mundo e consequentemente uma grande cachoeira circular) que descansa nas costas de quatro imensos elefantes que, por sua vez, estão sobre o casco do Grande A'Tuin , uma Chelys galacticaas (ou uma gigantesca tartaruga espacial, pros menos cultos entenderem...) que lentamente navega pelo infinito. 

Dramático, não é? 

Bom, é nesse cenário que encontramos o Mago Rincewind, cujas capacidades mágicas se resumem à uma única magia - uma das Oito Magias, é bem verdade, o que é consideravelmente notável - que ficou, de certa forma, presa em sua cabeça. E sendo esta magia particularmente prodigiosa, outras magias tem medo dela e se recusam à permanecer na memória de Rncewind. E como o próprio mago não tem ideia do que a magia é capaz de fazer, ele não tem qualquer intenção de dize-la. Então apesar de ser, para todos os efeitos, um mago, ele não é um bom mago, por qualquer definição da palavra. Mas Rincewind, por falta de capacidades mágicas, se tornou muito bom em lidar com pessoas. E graças à isso ele acaba se encontrando - ou, na verdade, sendo ejetado e rota de colisão - com Twoflowers, um autentico turista do Império Agateano. E este turista tem uma Bagagem. Ah, sim, ele tem uma Bagagem... Rincewind parte então em sua missão de mostrar ao Turista a grande cidade de Ankh-Morpork em toda sua fétida glória. 

Obviamente, eles se metem em diversas enrascadas e eventualmente acabam viajando muito além da cidade até (literalmente) a borda do mundo. 


Há, sim, outros livros da ´serie que retratam as desventuras de Rincewind - embora eu não esteja certo sobre TwoFlowers. Existe, inclusive, um organograma de leitura adequado a cada tema - incluindo indicações do próprio Pratchett de por onde começar a série, que eu vou adicionar aqui caso alguém queira ler os livros em uma ordem menos caótica. Eu decidi, no entanto, ler a série em ordem de publicação, dividindo as publicações em grupos por assunto. Assim, estes dois primeiros volumes da série foram sumarizados juntos sob o rótulo de Rncewind Novels e o terceiro volume, Equal Rites, será o primeiro sob o rótulo Witches Novel. 

Confuso, não? Sim, essa é a idéia! 

Bom, essa não foi a melhor das resenhas - de fato, eu sequer vou adicionar notas pra mim mesmo - porque, honestamente, estes dois volumes são bastante frenéticos e muita coisa acontece, e tentar sumarizar mais do que "Um mago, um turista e uma Bagagem vivem altas aventuras na Discoterra" daria mais trabalho do que eu posso me dar ao luxo de desempenhar no momento. Mas eu espero que seja de alguma ajuda. Talvez. Ou não. 

Enfim! 

São ótimos livros, e eu me diverti bastante ouvindo ambos - embora, honestamente, o segundo tenha me feito rir mais, talvez por eu ter me acostumado com a narrativa algo convulsa de Pratchett (que, admito, muito me agrada). 

Leitura fortemente recomendada! 

Post Scriptum 1: TwoFlower não tem literalmente quatro olhos como nas ilustrações de ambas as capas. Josh Kirby, o capista, interpretou erroneamente a passagem que que Pratchett descreve o turista como tendo "quatro olhos" de forma literal. O que, coincidentemente, foi o mesmo que acontece comigo! De fato, quando eu olhei as capas, eu pensei "Ah, é assim que são os quatro olhos do Twoflowers!" porque fiquei bastante confuso quando ele descreveu ele tendo quatro olhos da primeira vez.  

Post Scriptum 2: de forma semelhante, Pratchett descreve Twoflowers com uma "vestimenta espalhafatosa", e Kirby desenhou ele em ropas de bufão. Eu imaginei a exata mesma coisa. Acontece que o autor queria transmitir a idéia de que, na verdade, o turista tinha, exatamente, as características de um turista, incluindo uma camiseta com estampas havaianas. Imagens na rede me deixaram bastante confusos porque embora eu tenha imaginado Twoflowers de forma bastante semelhante à representação de Kirby, quando eu fui procurar por imagens dele na rede, me dei de cara com um turista bastante genérico. Que, na verdade, era exatamente a idéia que Pratchett tinha em mente com sua descrição. 

Rincewind, o mago, e Twoflowers, o turista. 
Espera! Tem um filme sobre os livros?!? 

Death's End


Terceira e última parte da trilogia Remebrance of Earth's Past, do autor chinês Liu Cixin. Enquanto o primeiro livro me deixou bastante curioso com as premissas, o segundo volume me desapontou consideravelmente pelo estilo simplista e com as idéias meio descabidas. Eu levei meses para ler o segundo volume depois de ter terminado o primeiro devido à complexidade apresentada, mas ao terminar o segundo eu não tive quase nada pra digerir e fquei honestamente desapontado - e só ouvi o terceiro volume porque ele fecha a trilogia. 

E que fechamento! 

Cixin volta ao seu sistema de narrativa não linear, com os capítulos do livro em ordem cronológica de acontecimentos entrecordados por "Exertos de um passado fora do tempo", onde um narrador onisciente nos conta sobre eventos importantes que levam - ou levaram - à decisões acontecidas no último capítulo ou que irão acontecer no próximo. É um sistema narrativo extremamente bem conduzido e imensamente intrigante - afinal, de onde esses exertos realmente estão vindo? 

A narrativa do livro se extende por algumas centenas de anos, ao longo de quatro eras distintas, cada uma iniciada a partir de um acontecimento extraordinário - de modo semelhante ao que acontece no segundo livro, onde a "era da Crise" começou quando se descobriu a vinda dos Trissolarianos na direção da terra. De fato, a narrativa de Death's Ende se inicia antes dos acontecimentos finais do segundo livro, e a trama se passa em boa parte paralelamente à acontecimentos já narrados, mas por um outro ponto-de-vista. 

A narrativa se aproveitra desse paralelismo para acelerar a narrativa, já que não precisa ficar explicando pormenores sobre a trama - que já foram explicados nos livros anteriores - e os "exertos" fazem o trabalho de explicar qualquer outra coisa necessária além disso. Essas duas ferramentas fazem com que o ritmo do livro seja muito mais rápido do que seus antecessores, e os acontecimentos são tão rápidos que as vezes é difícil de acompanhar a mudança de cenário. Isso não chega a ser um problema, realmente, pelo menos até os últimos capítulos do livro, cuja velocidade alucinante parece fazer a obra corrida e de certa maneira apressada, como se Cixin tivesse cansado de escrever e só quisesse terminar logo o livro. 

Não que o final seja ruim. Longe disso. Tem ótimas idéias - e outras um tanto estapafúrdias, pra ser honesto - e é um pouco rápido e confuso, mas termina o livro (e a trilogia como um todo) de maneira eficiente. 

Agora, eu não sei se realmente recomendo a leitura dessa obra. Os três livros tem estilos bastante diferentes, ritmos totalmente inconsistentes e a própria narrativa segue lógicas distintas. O segundo livro, em particular, é cansativo (honestamente: chato) e não apresenta nada de realmente interessante. Eu diria, na verdade, que ele é bastante desnecessário, e só o primeiro e o último são realmente interessantes, apesar do final corrido. Não sei se a trilogia realmente manteria a coerência se o segundo livro fosse totalmente ignorado, mas honestamente creio que sim. Minha sugestão então seria: Leia o primeiro e o terceiro livros, e esqueça o segundo. 

No final, não sei se realmente gostei da trilogia. Tem algumas excelentes idéias, mas a narrativa é bastante alienígena e o estilo/ritmo muito mutáveis mesmo dentro de um mesmo livro. Para aqueles que já leram todos os clássicos da ficção científica - ou que apreciam o estilo oriental de narrativa - é uma leitura interessante, suponho. Mas no geral, não é uma obra que eu realmente recomendaria. 


***REVELAÇÕES SOBRE A TRAMA ADIANTE! ***


Diferente dos livros anteriores - que se passam em uma ou duas eras diferentes, separadas por acontecimentos extraordnários - esse livro se passa em quatro eras diferentes, cada uma delas menos duradoura que a outra, com mudanças estruturais e sociais extremamente profundas que parecem não se desenvolver de modo orgânico, ao meu ver. A humanidade se modifica muito para se adaptar a cada uma dessas novas eras, e tudo gira ao redor das descobertas sobre a natureza do universo, de uma forma meio forçada. 

Quase todos os eventos importantes parecem sofrer de um efeito "deus ex machina" constante, em que o autor precisava de uma nova mudança de paradigma para levar a trama adiante, e força a mão para que essas mudanças ocorra. Além disso, o romance bizarro e não resolvido do livro me deixou com uma sensação de "pra que?". Sim, ele faz a trama ir adiante, mas o final do livro, com os pulos de literalmente bilhões de anos no tempo, e os desencontros que pareceram, mais uma vez, forçados, me incomodaram sobremaneira. O livro termina bem, com explicações sobre eventos inexplicados ao longo do resto da trama, mas definitivamente não foi tão satisfatório como poderia - embora eu tenha que admitir que a dimensão de bolso com as informações que aparecem nos "Exertos de um passado fora do tempo" tenha sido uma idéia genial. 

Definitivamente o primeiro livro criou uma premissa e uma expectativa que não foi saciada pelo segundo e terceiro volumes. Uma pena. 

quinta-feira, 4 de novembro de 2021

Battletech - Ideal War


Recentemente eu descobri que romances de battletech/Mechwarrior existem. Eu deveria ter descoberto isso há algum tempo, mas nunca me preocupei em procurar. Joguei Battletech ao longo dos anos 90 e no início do milênio e ainda tenho um par de caixas dessa época, rilhados e com pedaços faltando, como é tradição em jogos muito aproveitados. Eu adoro Battletech e lamento muito não poder jogar mais hoje em dia - muitas opções, pouco interesse em aprender uma série de regras extensas e um tanto complexas. 

Enfim.  

Depois de escutar o audiobook de Starship Troopers no youtube, esse audiobook apareceu como sugestão, e eu resolvi conferir, puramente pela nostalgia. 

Não me arrependi! 

Como diz a própria resenha do youtube "Os Cavaleiros do Rei Arthur vão ao Vietnã do espaço e chutam a bunda de Ho Chi Minh. Não, eu não estou brincando, essa é a premissa". Não tenho como fazer uma resenha com mais concisão do que isso! 

O livro considera que o leitor conhece Battletech, e não se importa em explicar termos técnicos - como tonelagem de mechs, o princípio que as armas utilizam nem fatores do sistema como movimentação e distância das armas, mas está tudo lá. Quem entende do jogo vai entender perfeitamente o que está acontecendo, mas não tenho certeza com relação àqueles que nunca jogaram Battletech. Eu acredito que a narrativa é simples e efiiente suficiente, mas talvez seja necessário uma certa familiaridade para entender exatamente o que está acontecendo. Caso contrário, é só um livro de guerra no espaço com mechs. 

O que, honestamente, já é uma premissa excelente! 

O livro não é uma obra de arte, simplifica situações e interações para dar mais espaço pra ação. É um livro sobre um jogo de tabuleiro de luta de robôs gigantes, afinal de contas... 

Para quem já jogou Battletech, recomendo fortemente. Para quem gosta de robôs gigantes, prato cheio também. O resto dos chatos por aí pode não gostar da obra, mas eu recomendaria que tentassem assim mesmo, só pra saberem o que estão perdendo! 

Ah, e é coisa simples procurar no google por imagens dos mechs que aparecem no livro. Battletech é um jogo bastante conhecido, e imagens dos robôs - tanto desenhos quanto miniaturas - são bastante fáceis de encontrar. Eu mesmo tive que olhar um par de mechs que não conhecia! 

Vou deixar o link pro audiobook aqui, se alguém decidir que vale a pena dar uma olhada: 


segunda-feira, 11 de outubro de 2021

The Dark Forest


A sequência de The Three Body Problem, primeiro livro da trilogia Remembrance of Earths Past, este livro dá continuidade à história quase que diretamente depois dos eventos do primeiro livro - com um lapso de apenas 3 anos depois da descoberta dos humanos sobre os Trissoalrianos. 

Sim, tem aliens nessa história. Espero que isso não seja uma grande revelação sobre a trama, considerando que se alguém chegou até aqui, deve ter passado pelo primeiro livro. 

Ou não. Nesse caso, mil perdões. 

Enfim! Há aliens. E eles querem dominar a terra. 

No entanto, eles estão há vários anos-luz da terra, e vão levar pelo menos 450 anos pra chegar ao sistema solar, então temos um tempo pra nos preparar. Infelizmente, eles usaram uma tecnologia quântica na forma de sophons, computadores de 11 dimensões (sim, onze) que em 3 dimensões são percebidos como apenas um átomo em tamanho.  Sophons podem fazer uma imensidão de operações, incluindo comunicação interestelar instantânea, alucinações visuais e atrapalhar nos sistemas de aceleradores de partículas da terra - o que torna impossível o desenvolvimento de uma série de tecnologias baseadas em fissão e fusão nuclear. Além disso, sendo do tamanho de um átomo, eles são excelentes espiões, podendo estar em qualquer lugar a qualquer momento. 

Os sophons, obviamente, causam uma série de problemas pras defesas da terra porque, bom, além de travar varias áreas de desenvolvimento tecnológico, eles também fazem com que desenvolvimento de estratégias de defesa seja bastante difícil, já que eles basicamente monitoram todas as conversas do planeta terra e enviam para a frota trissolariana em tempo real.

Diante disso, os humanos criam uma estranha estratégia para lidar com a futura invasão alienígena: Eles escolhem quatro humanos para se tornarem os "Wallfacers", pessoas com poderes políticos e estratégicos quase ilimitados, que devem desenvolver estratégias de defesa sem contar à ninguém - e de preferência causar confusão com decisões bizarras para confundir os Trissolarianos no processo. O grosso da trama de The Dark Forest basicamente segue esses quatro Wallfacers enquanto eles criam e desenvolvem suas estratégias de defesa mirabolantes. 

Dois aspectos interessantes do livro me chamaram a atenção, quando relacionado com seu predecessor. Primeiro, a narrativa é linear - ela é contada em anos da "Era da Crise", cujo marco zero foi a descoberta da frota trissolariana vindo em direção à terra. A história começa no ano 3 da Era da Crise, passa pelo ano 8 e assim sucessivamente, basicamente deixando totalmente de lado a narrativa não-linear do primeiro livro. O segundo aspecto é que, embora ainda hajam muitas teorias científicas e filosóficas ao longo do texto (incluindo a Teoria da Floresta Negra, que dá título ao livro), elas não são matematicamente tão complexas quanto as do primeiro livro, e é perfeitamente possível pra alguém semi-analfabeto em matemática/física como eu entender o livro como um todo. 

Essas duas mudanças na forma narrativa tornam a história muito mais simples de acompanhar, mas parecem amortecer um pouco o estilo de escrita do autor. 

Além disso, à medida que a trama avança, há muita conversa sobre Deus, o que me incomoda um pouco considerando que estamos lidando com o futuro da humanidade, onde crenças em amigos imaginários deveria, principalmente diante das descobertas desfraldadas no livro, ter se tornado exceção ao invés de continuar como regra geral para a humanidade. 

Enfim... 

Em geral, o livro é mais palatável do que o primeiro, e segue a interessante premissa de uma invasão alienígena remota. O livro termina sem ganchos, e eu admito que estou curioso com relação ao próximo - e último, pelo que entendo - volume da série. No entanto, o estilo de Liu Cixin parece ter empobrecido entre um livro e outro, e a simplicidade da história me desapontou sobremaneira. 

Pra quem já leu o primeiro, esse livro é obrigatório, uma vez que Three Body Problem termina sem final, e não ler esse segundo livro é como chegar até as portas de Mordor e não ficar sabendo o que houve com Frodo e o Um Anel. Mas em geral, me deixou desapontado. Vou ouvir o terceiro volume mais na esperança de que a trilogia termine numa nota um pouco mais alta do que a deste segundo e insosso livro do que por qualquer outro motivo. 


***REVELAÇÕES SOBRE A TRAMA ADIANTE!*** 


A primeira parte do livro basicamente é um romance água-com-açucar à medida que Luo Ji - um protagonista sem graça, sem ambições e totalmente egocêntrico - usa sua infinita influência para encontrar a "mulher perfeita". E consegue. Blergh. 

os Trissolarianos praticamente não aparecem no livro - e sim, eles são basicamente iguais aos humanos, o que aumentou ainda mais meu desapontamento com o livro... - e a ETO e seus wallbreakers são totalmente dispensáveis e, quando são desintegrados entre uma passagem de tempo e outra, não deixam saudades. 

Finalmente, a trama se resolve no começo da segunda parte do livro, quando Luo Ji lança a "magia" na estrela aleatória, 15 mil anos-luz da terra. 

Alí tu tem a resposta de como resolver a trama, mas é preciso esperar o final do segundo ato e do terceiro - onde há a penosa descrição da "humanidade do futuro", terrivelmente inimaginativa - enquanto Luo Ji tenta recuperar seu "grande amor" e resolver um problema que qualquer nerd de 12 anos podia ter solucionado. 

Como eu disse, um livro decepcionante. 

Em tempo: A teoria da Floresta Negra - que ele só explica no final do livro, mas que é óbvia no momento que ele lança a "magia" - basicamente diz que, se duas civilizações intergalácticas se encontram, então uma vai tentar se esconder da outra até ter meios de destruí-la, porque caso contrário ela será destruída no processo - porque, né? Todas as civilizações que alcançam tecnologia de radio precisam ser predatórias e, portanto, malignas. Assim, quando Luo Ji "marca" a estrela 15 mil anos luz da terra, tu sabe como a coisa vai se resolver: Alguma civilização vai destruir a tal estrela, e daí é só avisar os Trissolarianos que, se a frota deles aparecer no sistema solar, eles mandam a localização da terra pra todoas as máfias intergalácticas e ninguém mais vai poder usufruir do nosso planetinha. 


domingo, 3 de outubro de 2021

Starship Troopers

 


Esses tempos, conversando com o doutor professor Marco Antônio Collares, à quem eu posso contar entre meus amigos pessoais desde longa data, falamos sobre grandes filmes, que, mesmo sendo ruins, nós adorávamos e defendíamos com unhas e dentes. Tropas Estelares foi citado, e como eu adoro o filme, não pude deixar de defende-lo - embora, claro, meu interlocutor concordasse que era um excelente filme. Como parte da trívia sobre o filme, adicionei que o livro do qual ele deriva, embora bastante diferente em tom e ritmo, também era excelente. O douto que participava comigo do diálogo se mostrou surpreso em saber que havia um livro que dera origem ao filme. Eu enfatizei que era um excelente livro, escrito no fim da década de cinquenta, ganhador de prêmios e que eu lera com fascínio quinze ou mais anos antes, e que talvez fosse hora de reler a obra. 

Minha versão do milênio passado - que leu a obra pela primeira vez - era um entusiasta do militarismo, ainda francamente frustrado por não ter podido ingressar no exército e seguir os passos do avô - que lutou na segunda guerra mundial - e que estudava com interesse história militar, armas e exércitos de diversas épocas e culturas. Provavelmente muito do meu entusiasmo com relação ao livro vem de um apego sentimental àqueles ideias que, certamente, na época, fizeram a leitura do livro parecer uma versão utópica do futuro. 

Não que o atual leitor - ou, nesse caso, ouvinte - da obra tenha desgostado do livro. De forma alguma. Ainda é uma grande obra, um romance de formação dentro de um cenário de ficção científica, em que a humanidade se uniu sob uma organização altamente militarista totalmente livre de preconceitos raciais e culturais, que permite que apenas aqueles que serviram o exército possam votar uma vez reformados, com críticas contundentes contra o comunismo e delinquência juvenil. De fato, há muitas discussões filosóficas sobre moral, responsabilidade e humanitarismo ainda ecoam fortemente comigo. Além disso, as descrições sobre as armaduras, naves e estratégias militares renovaram meu entusiasmo para trabalhar em materiais sobre ficção científica e space opera. 

Mas, certamente, o livro tem recebido fortes críticas ao longo dos anos, e embora Heinlein tenhas sido um veterano do exército e sabidamente entusiasta do militarismo - Starship Troopers foi escrito, aparentemente, como resposta ao cancelamento de testes nucleares pelos Estados Unidos alguns anos antes - ainda há muito material interessante para ser discutido dentro da obra, tanto por aqueles que são favoráveis ou contrários à visão do autor. 

Acredito que a obra ainda é extremamente valiosa, não só pelo aspecto histórico - criando a primeira unidade de "soldados em armaduras robóticas" da ficção - mas pelas discussões filosóficas e sociais levantadas pelo protagonista. Concordando ou discordando delas, elas são extremamente válidas, ainda hoje, e podem gerar não apenas uma excelente reflexão mas também muitos argumentos interessantes. 

Em tempo: Starship Troopers é um romance de formação, e nós vemos Rico amadurecer e se desenvolver no cenário ao qual ele é exposto. o livro traz, portanto, uma propaganda militarista, mostrando o quanto é ideal uma sociedade moldada pela disciplina e o companheirismo militares, mas ela levanta muitas outras questões, referentes não só à visão de Heinlein, mas também às implicações sociais nos outros estratos da sociedade ao redor dele. 

Com uma mente aberta e prontidão para reflexão, essa é, definitivamente, uma leitura fortemente recomendada! 

Post Scriptum 1: quando eu fui ler o livro, tinha a lembrança de que a narrativa era, na verdade, anti-militarista, e levei algum tempo ao longo da obra pra perceber o contrário. Provavelmente reflexo da versão cinematográfica do filme, que satiriza os aspectos mais militaristas da obra com bastante eficiência. 

Post Scriptum 2: escutei este audiobook no youtube. Não sei o quanto isso é legal, mas está lá, e vou aproveitar pra deixar o link à seguir. 




terça-feira, 21 de setembro de 2021

Absolution Gap

 Absolution Gap me tomou muito mais do que o esperado pra se concluir. Entre problemas, decisões, projetos novos e abandonados, esse livro foi um pequeno marco num passo que eu vinha mantendo. Meses recomeçando a ouvir, procurando o ponto onde eu tinha parado. E acho que, no fim das contas, ouvi alguns trechos dezenas de vezes, e perdi alguns capítulos. 

Esse livro é sobre Scorpio e sua "desumanidade". É um excelente livro nesse aspecto. Contrastando a monstruosidade da humanidade com o amadurecimento de um porco geneticamente evoluído pra ser um doador de órgãos. Sobre a falta de perspectiva de uma criatura destinada à não ter futuro mas que, no fim das contas, viveu mais do que deveria ser possível. 

Em contraste com a vida de um Porco, o livro traz a ascensão e queda de uma religião - que em geral tem termos mais longos do que várias gerações humanas. Essa epopéia de uma religião sendo criada e lentamente transformada, modificada, adaptada e eventualmente destruída de forma tão aberta e clara é absolutamente fascinante. 

Absolution Gap tem uma linha cronológica não lienar, com eventos ocorrendo em um espaço de cerca de 100 anos, e cuja narrativa pode ser um pouco confusa - talvez pelo tempo que levei para ouvir, e a quantidade de trechos que eu tive que visitar mais uma vez para me certificar que estava no ponto correto para recomeçar a "leitura", eu me perdi em vários momentos, sem ter certeza em que momento da história a narrativa se passava. 


Ainda assim, é um livro sólido, bem escrito e que, ao meu ver, fecha com competência uma saga muito bem desenvolvida. 

Leitura fortemente recomendada! 


*** REVELAÇÕES SOBRE A TRAMA ADIANTE***

E sim, temos aliens. Além dos fascinantes e extintos "Scutlers", com sua bizarra fisionomia adaptada à transplantes de membros, tivemos também a aparição um tanto quanto sutil dos "nestbuilders" cuja tecnologia é utilizada para destruir as máquinas, mas criando um problema considerável no processo, o "greenfly". A parte dos Nestbuilders me intrigou e incomodou um bocado, porque até o final do livro, pareceu que eu nunca tinha ouvido falar deles, mas aparentemente eles estavam lá o tempo todo, se não no foco, logo ao redor. e eu não costumo perder esses detalhes. Daí minha dúvida se eu não perdi algum capítulo crucial sobre eles. Mas talvez eu esteja vendo algo que não está realmente no livro, e eles só tenham sido trazidos no final do livro, de fato. De toda forma, o Greenfly é explorado em Galactic North, então acho que essa é minha próxima parada pra entender o desfecho da história! 


sexta-feira, 10 de setembro de 2021

Century Rain


Comecei a ouvir este audiobook acreditando ser parte da série Revelation Space, e só lá pelo meio do livro percebi que não tinha como haver uma conexão, e pesquisando a lista de livros do autor descobri que era um livro isolado. Me dei conta, nesse processo, que nunca fiz uma resenha de Absolution Gap - este sim, um livro que faz parte de Revelation Space. Provavelmente terei que ouvir novamente o livro, porque minha memória virtual - na forma deste blog aqui - não me ajuda a relembrar os detalhes da trama, e embora eu tenha uma boa idéia das linhas gerais do livro, partes dele já sucumbiram às profundezas insondáveis da minha memória, infelizmente... Então, em breve, uma resenha de Absolution Gap deve aparecer por aqui. 

Até lá, retornemos ao assunto atual: Century Rain. 

Este é um interessante livro que combina dois tipos distintos de literatura de forma muito mais eficiente do que eu julgaria possível: Romance noir de investigação e ficção científica. Nele, somos apresentados à uma França do início do século 20 que difere bastante da França que conhecemos em vários aspectos, na qual um investigador particular recebe um estranho contrato para investigar uma morte acidental. à medida que a história se desfralda, descobrimos que as diferenças entre esta estranha - mas familiar - França e a França histórica é que neste cenário que nos é apresentado, a segunda guerra mundial jamais ocorreu - o que fez com que muitos avanços tecnológicos jamais tenham sido desenvolvidos, o que gera uma série de mudanças sociais extremamente interessantes. 

Em meio à investigação, nosso intrépido detetive se junta à uma arqueóloga que tenta entender porque, exatamente, esta versão da terra é tão diferente da que conhecemos, e porque, exatamente, não houve uma Segunda Guerra aqui - o que, se ainda não é óbvio, adiciona o tema de ficção científica à trama. 

A história em si é extremamente bem escrita, tanto na parte de ficção científica - gênero pelo qual eu já admiro Reynolds desde que comecei a ler seus livros - quanto na parte de investigação, e o tema noir do livro, embora nem sempre presente, é muito bem aproveitado. 

Century Rain é um excelente livro não apenas pela mistura de gêneros inusitados, mas também por ter uma trama muito bem desenvolvida e um ritmo perfeito. Todas as respostas chegam, cedo ou tarde, e embora partes do mistério não sejam possíveis de compreender até o final do livro, isso em nada reduz o interesse nos acontecimentos. Os personagens são excelentemente bem desenvolvidos, e as reflexões sobre história alternativa são espetaculares. 

Um excelente livro, fortemente recomendado - particularmente por ser um romance isolado, para aqueles que não conhecem a escrita de Reynolds é um excelente ponto de partida!  

sexta-feira, 29 de janeiro de 2021

Threshold Day 01 - On The Rocks

 Aparentemente, "Threshold Day" é um evento. Uma comemoração ao lançamento de um dos mais bizarros episõdios de Star Trek: Voyager - se não de todas as séries de Star Trek.... Threshold Day recebe esse nome devido ao nome do episódio (se não ficou óbvio, o nome do episódio é Threshold...) que traz Janeway e Tom Paris em uma viagem alucinante rumo à evolução definitiva dos humanos! E eles se tornam, obviamente, salamandras espaciais! Como seria diferente? Sim, o episódio é uma bizarrice sem fim, e rende muitas piadas até hoje, dentro da comunidade de Star Trek. Uma das questões levantadas quase todas as vezes, é que enquanto estavam transmutados em suas versões super evoluídas, os dois antes-humanos-mas-agora-super-evoluídos-anfíbios tiveram filhotes! Aparentemente a evolução definitiva da humanidade trás um completa e total desapego pelas normas sociais no que diz respeito à sexualidade... Mas mais importante do que o fato da uma-vez-capitã-e-agora-moradora-do-pântano e seu outrora-oficial-agora-parceiro-evolutivo-de-charneca terem se deliciado nos prazeres carnais de suas novíssimas formas foi o fato de, depois de terem produzido descendentes, eles os terem abandonado num planeta sem nome no meio de um quadrante espacial desconhecido e (obviamente) nunca mais terem tocado no assunto! 

Com essa premissa lançada, o intrépido (???) escritor TG Theodore nos trás um conto chamado "On The Rocks", que se passa no pequeno planeta sem nome de um quadrante desconhecido onde os rebentos de Janeway e Tom se vêem abandonados por seus pais! 

E eu apresento à você, audacioso leitor, o conto em questão, em suas 10 gloriosas páginas! Originalmente, o conto foi publicado na quinta edição da coletânea Strange New Worlds - que trás histórias de Star Trek selecionadas em concursos organizados pela editora Pocket Books - atual Galery Books. Basicamente, uma antologia de fan fiction organizada por uma editora profissional, com histórias de todas as eras de Star Trek. 

Eu não consigo imaginar nenhum outro ambiente no qual On The Rocks poderia ter sido publicada... 

Enfim! 

Sem mais delongas, apresento aqui o conto em formato .pdf - percebam que eu consegui achar esse conto online, fotografado por uma leitora da obra, e simplesmente recortei, melhorei o contraste e reuni em um arquivo único que está no meu google drive (pra não correr o risco de perder essa preciosidade no futuro!) para permitir ser apreciado por qualquer um que venha até aqui. Sim, isso provavelmente infringe questões de direitos autorais, mas é Threshold Day! E sim, a história está em inglês - talvez ano que vem eu faça uma tradução, quem sabe? - e as páginas estão com o texto todo ondulado, sombreado e com fontes de tamanhos variantes porque, diabos, a coisa toda veio de fotos das páginas de um livro que eu achei na internet! São só 10 páginas, não um romance do Leonel Caldela! 

Ok, houve mais delongas... 

Mas agora sim, O CONTO!


domingo, 24 de janeiro de 2021

Redemption Ark

 


Depois da distância entre a trama do segundo livro do universo de Revelation Space em relação ao seu antecessor, o terceiro livro da série parece um trem descarrilhado arrastando os primeiros dois livros e vários contos de Reynolds em uma trilha violenta de referências - e eu digo isso de forma absolutamente elogiosa! 

Todos os personagens dos outros dois livros estão presentes no terceiro livro, além de vários personagens de outros contos. Embora nem todos eles possuam papel central na trama - e alguns não façam mais do que pequenas aparições - ou estejam "escondidos" sob novas identidades (o que, devo adicionar, torna a presença deles ainda mais interessante!). 

Além de personagens que estão presentes em Revelation Space e Chasm City, o grupo de Conjoiners extremamente relevantes para a trama deste livro aparecem inicialmente nos contos Beyond The Wall of Mars e Glacial, e eu recomendo fortemente a leitura destes dois contos antes de enveredar nesse terceiro livro da série, já que [os contos] trazem a origem e explicam as relações destes personagens, o que é amplamente explorado ao longo de Redemption Ark. Reynolds faz um excelente trabalho explicando o papel e a relação deles ao longo deste livro pra que não seja necessário ler os contos onde eles aparecem originalmente, mas ter livro ambos os contos antes deste livro fez uma boa diferença pra entender a dinâmica do grupo logo de saída. 

Definitivamente uma excelente continuação dos dois livros anteriores. Mal posso esperar pra seguir pro próximo livro da série! 

Leitura fortemente recomendada! 


--- REVELAÇÕES SOBRE A TRAMA! ---


Apesar de termos ulguma exposição aos Grubs, a parte mais interessante deste livro - com relação à mitologia do cenário - é uma explicação mais detalhada sobre o real propósito dos Inibidores. Aparentemente, a Via Láctea está em rota de colisão com a galáxia mais próxima, e o impacto deve ocorrer em cerca de três bilhões de anos no futuro. Pelas estimativas dos Inibidores, se houver um desenvolvimento de vida orgânica na galáxia nesse meio tempo, as diferenças culturais entre aquelas espécies que conseguirem desenvolver viagens interestelares será grande demais para que elas consigam chegar à um acordo sobre como lidar com a crise, levando à uma extinção em massa da vida na galáxia. Os Inibidores portanto consideram que é mais interessante que a vida sensciente seja mantida sob controle até que ocorra o impacto, pra que, depois disso, a vida na galáxia unificada possa se desenvolver com mais qualidade. 

Eu, pessoalmente, vejo três problemas nessa linha de raciocínio: O primeiro é que os Inibidores estão cometendo genocídio galáctico pra prevenir genocídio galáctico, o que me parece bastante hipócrita. O segundo é que as máquinas não tem como ter certeza se um grupo de espécies senscientes seria realmente capaz de lidar com a crise; é matematicamente provável, mas como não há como saber como cada cultura individual se desenvolveria (principalmente ao longo de três bilhões de anos), não parece lógico presumir que em nenhuma combinação de culturas senscientes se desenvolvendo seria impossível uma espécie de coalisão com um objetivo bem definido e eficiente em comum. E a terceira é que eles não tem como saber como (ou se) vida inteligente orgânica ou artificial se desenvolveu na galáxia vizinha, e portanto não tem como calcular o tamanho do estrago caso uma forma de inteligência desta outra galáxia entrasse em contato com uma galáxia "inibida" como a que eles vêm mantendo. 

Além disso, num nível de niilismo de bilhões de anos, como é o caso, os Inibidores podem perfeitamente possível concluir que nenhuma vida inteligente deveria se desenvolver no universo inteiro já que a lei de entropia diz que não há como nenhuma espécie sobreviver ao fim da energia da existência, então.... 

Enfim. Acredito que Reynolds deve lidar com essas discussões filosóficas em livros futuros. Ou ao menos espero que sim....