quinta-feira, 17 de maio de 2012

Jonathan Strange & Mister Norrell



Este calhamaço - com quase 820 páginas de leitura - me foi dado de presente de aniversário, e demorou três longos meses para ser lido até o fim.

É fato que ele competiu com a leitura paralela de várias coletâneas de contos de ficção científica que li no mesmo período, mas grande parte dessa demora se deve ao desenvolvimento da narrativa.

Um momento!

Péssimo início!

Creio que seria muito mais produtivo falar da história do livro e depois passarmos à parte, digamos, mais enfadonha - mas não vamos criar más expectativas! Tudo melhora no final!

Segue o baile!

A inglesa Susanna Clarke nos apresenta nesse volume uma Inglaterra do início do século 19 com uma pequena diferença da Inglaterra da nossa história: A magia existe.

A partir dessa premissa, e tendo as guerras napoleônicas como pano-de-fundo, Jonathan Strange & Mister Norrell nos leva à uma interessantíssima viagem através dos eventos que culminam com a redescoberta da magia inglesa.

Sim, redescoberta. Apesar da magia existir, os integrantes da Sociedade Culta dos Magos de York nos deixam claro, desde a primeira página do livro, que a magia inglesa é um assunto teórico, e não prático. Mas eles se deparam com Mister Norrell, um mago prático, como não havia há mais de dois séculos na Inglaterra!

Este é o ponto de partida para a narrativa de como Mister Norrell e Jonathan Strange vão trazer de volta o antigo esplendor da magia à Inglaterra.

O livro é dividido em três grandes tomos, o primeiro destinado à nos apresentar Mr. Norrell, o segundo à Jonathan Strange e o terceiro aos feitos de John Uskglass, o Rei Corvo, o maior mago da Inglaterra.

O problema dessa divisão de tomos é que, bem, Norrell é um grande chato! Metódico e controlador, ele dá o tempo do primeiro tomo, que é muito lento e - porque não dizer - desestimulante.

Mas para aqueles pacientes - ou teimosos - o suficiente para vencerem o primeiro tomo do livro, há uma leitura muito interessante nos dois tomos seguintes.

O segundo tomo nos apresenta Strange, um mago dinâmico e de opinião forte. Neste volume a história realmente toma forma, e muitas pontas soltas do primeiro tomo são atadas, criando uma tapeçaria interessantíssima  que nos levam à algumas respostas - e muitas outras perguntas!

O último tomo fecha o livro magistralmente, com uma narrativa muito mais ágil, terminando de atar as últimas pontas ainda soltas, explicando ao angustiado leitor o destino de todos os personagens do livro - sim, há um momento em que eu achei que  Susanna Clarke simplesmente não ia explicar metade das tramas paralelas (e elas são muitas!) e fiquei muito apreensivo! Mas a autora não desaponta, e cria um final excelente, fechando a história de modo magistral.

Um excelente retrato de como teria sido o comportamento adequado de um mago cavalheiro durante o conturbado renascimento da magia inglesa, este livro foi uma grata surpresa e um "interruptor" que ligou meu interesse em livros de fantasia urbana!

Ah, deixem-me fazer um par de notas finais que, apesar de não serem essenciais, eu não quero deixar de fora:

Primeiro, este é obviamente este é um livro fortemente calcado em pesquisa histórica, escrito por uma inglesa sobre sua terra natal. Fica claro que há uma série de nuances culturais que são virtualmente impossíveis para quem não tem uma boa base sobre história e/ou cultura inglesa perceber todos os sub-entendidos do livro. Isso não é um defeito, de forma alguma, é apenas uma característica relevante.

Segundo, o livro é ilustrado. Pobremente, na minha opinião, por um desenhista (que não consegui determinar se teria um nome...) de pouca técnica e incapaz de passar a magnitude, a força ou a sutileza dos momentos ilustrados. O livro teria ficado melhor sem as ilustrações, na minha opinião. E sim, pra mim este detalhe é um defeito notável do livro.

terça-feira, 8 de maio de 2012

Pequeno relato noturno


Tenho muito trabalho à fazer.

Onde está o maldito martelo?

Ah, ali.

Está escuro.

Tenho muito trabalho a fazer. Continuar martelando. Vamos, vamos!

Esse maldito vento lá fora. Odeio esse vento que uiva pra mim! Esse vento e aquela enorme bola branca brilhando no céu! Maldita! Ah, mas dessa vez eu vou consegui! eu tenho um martelo!

O que é isso? Alguém parou aí em frente. Encosto a cabeça da montaria na porta, e estico o pescoço através das fibras da madeira. Um sujeito grandalhão e barbudo e uma moça morena de cabelos compridos. O que estão conversando?

"- Não acho que foi a porta. Eu ouvi umas pancadas fortes demais, e não tem luz lá dentro. Se alguém tivesse entrado, teria ligado as luzes, né?

- Sim, e tu vai fazer o que? Invadir a casa? Deixa as pessoinhas obscuras fazendo suas coisinhas obscuras e vamos!

- Ok, ok."

E se foram. Percebo agora que a escuridão não é só dentro da casa. Está mesmo anoitecendo! Não tenho muito tempo! Retrocedo de volta pra dentro da minha montaria e volto ao trabalho, martelando, martelando.

As horas passam e o trabalho parece que não evolui. Preciso bater mais forte, mais rápido!

"- Oi! Tem alguém aí?"

O que é isso, agora? Deixo minha montaria onde está, inerte, e vou até a porta. Antes de sair, porém, decido olhar por uma das janelas. Será que aquela bola inchada e gorda está no céu, ainda? Maldita! Maldita! Não vejo nada. Ótimo! Saio através dos tijolos da parede ao meu lado, e dou uma olhada em quem está chamando lá fora. O mesmo sujeito barbudo com a morena.

"- não, espera. eu tenho certeza que ouvi.

- Sim, sim. Eu também ouvi. Tem alguém na casa. Provavelmente um caseiro.

- então porque as luzes estão apagadas?

- Não sei.*suspira* Vamos?

- Ok, vamos. Mas se algum policial passar por nós, eu vou avisar que tem alguma coisa errada aqui.

*saem andando abraçados*

- Tá. Tem um posto da polícia ali na praça.

- Verdade! Bem lembrado!

*se beijam*"

Não, não! Eles vão estragar tudo! A praça! Preciso ir à praça! Me estico através do telhado, pra ver se não tem nada de errado lá fora. Não, a gorda brilhante não está à vista! Maldita! Mas hoje ela não vai me pegar! Preciso trabalhar... Não! antes preciso ir à praça!

Saio esvoaçando pelo vento, por cima da casa, no meio do sereno noturno. Meia-noite, eu sei, eu sinto! Vejo a copa das arvores da praça, logo alí. Um cão me vê passando e uiva, chamando aquela bastarda gorda e brilhante! Não adianta, caozinho, ela não pode me ver! Está encoberta pelos prédios, ou foi engolida pela terra! Não importa, ela não está por aqui! Vejo o grandalhão e a morena. Estão chegando perto do posto, no meio da praça. Três guardas estão ali. O que eu faço? Espera! eu conheço aquele guarda!

"- Com licença. Boa noite. Eu vinha descendo aqui a Lobo da Costa, e umas duas quadras daqui...

*se vira pra morena, que ficou mais atrás*

- Em que altura era aquilo?

- Barroso e santa cruz.

*se vira para os policiais*

- Isso. Entre a barroso e a santa cruz, e tem uma casa ali, meio velha, com uma fachada meio vermelha... E bom, eu ouvi umas batidas fortes lá dentro. Não sei, tive a impressão que tinha alguma coisa errada."

Tenho que fazer alguma coisa. Mas preciso ser sutil, tem muita gente olhando! Pego o guarda que conheço de vista, e lhe dou um empurrão, acho que é só o que é preciso! Acho que estou certo, porque ele dá um passo à frente, e começa a falar.

"- Olha, vou até te dizer o que é isso. Eu moro ali perto, e ali naquela casa mora um louco. Ele grita e faz barulho as vezes, e já foi internado várias vezes. Mas eles não podem manter ele lá por mais que dez dias, é o protocolo, sabe?

- Ah, é, tu mora ali por perto, né?

- É. Mas não podemos fazer muita coisa, se nenhum vizinho der queixa. Ele não é perigoso, então...

- Mas obrigado por avisar!

- Ah, sem problemas! Então que bom que é só isso! Boa noite, hein?

-Boa noite!

- Boa noite.

*vai ao encontro da morena, abraça ela e saem andando*

- Bom, pelo menos fico com a consciência tranquila, né? Vai saber!

- Uhum! Que bom que um deles morava ali por perto e sabia o que tava acontecendo.

- É!"

Vejo os dois andarem até sumirem atrás do chafariz. Lá na frente, um outro cachorro me vê. O pelo se ouriça e ele começa a uivar. É inútil, totó! Agora tenho que voltar! tenho muito trabalho a fazer!

Me esgueiro de volta, nas ruas vazias, olhando pra ver se toda a choradeira dos cães não chamou a atenção dela. Maldita! Mas não. ela não está mais aqui essa noite! Eu entro pelo portão de ferro, passo pela porta e encontro minha montaria exatamente onde estava. Monto outra vez, me esticando na montaria pra me acostumar novamente.

Pego o martelo e volto à trabalhar. Tenho muito o que fazer essa noite!

Tenho muito trabalho a fazer. Continuar martelando. Vamos, vamos! 

sábado, 5 de maio de 2012

Contos da Taberna


Entre as várias coletâneas de livros de ficção científica que lí recentemente, a que mais me trouxe prazer em ler foi Contos da Taberna, do ilustríssimo Arthur C.Clarke.

Conhecido por suas obras de hard fiction, Clarke faz nessa coletânea algo bastante deferente: Humor.

O livro narra as histórias pouco críveis de vários cientistas ao redor do mundo, trazidas aos comensais do (imaginário) Gamo Branco (de onde vem o título original do livro, Tales from the White Hart) - uma taberna cuja localização é pouco divulgada pelos seus frequentadores (entre eles escritores de ficção científica e cientistas, alguns reais e outros imaginários) - por Harry Pulver, um excelente contador de histórias com um tipo muito estranho de capacidade de se encontrar com cientistas loucos durante suas viagens à trabalho.

Em seu prefácio, Clarke diz que este livro é uma tentativa de conciliar ficção científica e humor, coisa que consegue muito bem, criando algumas "histórias de cientista" realmente muito divertidas! O próprio prefacio é tão engraçado quanto alguns dos contos contidos no livro, o que faz desta uma obra para ser lida do início ao fim, sem pular uma única linha!

Alguns dos contos são extremamente engraçados, outros nem tanto. Mas os temas são tão absolutamente variados que mesmo que não seja um livro que te faça rir da primeira à última página, é certamente divertido de ler em sua totalidade.

Grande parte da diversão de ler este livro é que, além de abordar idéias totalmente estapafúrdias, Clarke também também cria situações perfeitamente plausíveis, tanto que, em dois contos, as situações abordadas foram estudadas pela ciência e, em 1982, quando da segunda edição do livro - a edição original é de 1976 - eles deixaram de ser contos de ficção para tornar-se simplesmente contos de humor perfeitamente possíveis!

Ah, e apesar da capa no início da postagem - que é a edição que eu tenho - , não lembro de ter encontrado nenhum alienígena gosmento e com antenas saindo pelas orelhas em nenhum dos contos! Essa capa que encontrei, de outra edição do livro capta muito melhor a essência dessa pequena coletânea de contos, e não posso deixar de dividir!

Enfim!

Desde máquinas que criam silêncio, passando por controladores de mente e bombas osmóticas até orquídeas canibais e insetos inteligentes o leitor vai encontrar nesse livro uma quantidade inacreditável de grandes idéias e inovações científicas que deram errado, muito errado - ou certo além do imaginável!


domingo, 29 de abril de 2012


Depois de mais de três meses de inatividade, tá mais que na hora de voltar com a programação normal do Café com Letra!

Na verdade, o que me levou à não escrever nada por aqui nesses meses foi o fato de estar lendo pilhas de revistas de coletâneas de contos de ficção científica! Fiquei meio confuso de como resenhar essas revistas, principalmente porque eu estava com um punhado de cada uma e lí contos aleatoriamente em uma e outra. Assim, eu levei meses pra ler algumas dessas coletâneas de contos, outras demoraram "só" algumas semanas...

Mas enfim!

Acho que falar um pouco sobre essas coletâneas como um todo é um bom jeito de abrir os trabalhos para as próximas resenhas - tenho certeza que vou voltar à alguma dessas revistas especificamente - muito provavelmente à Isaac Asimov Magazine... - mas por enquanto vou falar delas no geral.

Vamos lá, então!

Creio que há duas qualidades intrínsecas nesse tipo de publicação (desconsiderando-se a qualidade-mor desse tipo de publicação que é a possibilidade de ler uma boa história de sci-fi em um curto espaço de tempo): a primeira é a possibilidade de transitar entre vários estilos de narrativa/estilo/ideia muito rapidamente, fazendo com que o cérebro trabalhe vários tipos de tramas de cada vez; A segunda (considerando-se que se tem acesso à um bom número de revistas desse tipo ou que se tem acesso à uma coletânea com um foco específico) é a possibilidade de se ler muitos tipos de enredos sobre um determinado assunto de uma vez só.

Como mestre de RPG, considero a segunda opção sempre interessante quando se quer ter idéias para aventuras/campanhas (arquivei um monte de boas idéias nesses três meses!), enquanto a primeira é excelente pelo simples exercício de leitura.

Desde tramas mais tradicionais de hard fiction - como viagens espaciais, colonização de planetas distantes e política intergaláctica - até histórias mais insólitas - como viagens no tempo e reflexões sobre física quântica - passando por histórias que hoje são categorizadas como fantasia urbana - como histórias de fantasmas - essas coletâneas são capazes de nos levar de zonas urbanas contemporâneas aos confins do universo, passado por realidades alternativas, eras passadas (hipotéticas ou acuradas) e futuros possíveis (tanto prováveis quanto pouco plausíveis), dificilmente trupicando na redundância.

Bom, finalizando, sugiro fortemente a supracitada Isaac Asimov Magazine, que tem uma seleção de contos excelente, com pouquíssimas decepções pra quem gosta de sci-fi em geral. Mas andei lendo umas outras publicações - principalmente da década de setenta - que têm excelentes histórias, apesar de não haver uma coesão no que diz respeito à qualidade dos autores. Não sei se devido à época, mas a maioria das histórias daquela década tem finais decepcionantes ou narrativas pouco firmes.

Bom, se alguém aí precisar de uma mão, eu sou sempre um co-piloto ávido pra embarcar em qualquer foguete, independente do destino!

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

"Sejam curiosos"

Parece que as férias também estão sendo férias de leituras de ficção. O que é uma pena, porque sinto falta da companhia de um bom livro, principalmente para as horas sem nada para fazer. Na praia, sem nada para ler, acabei passando os olhos por uma crônica curtinha, que me colocou bastante a pensar. Na verdade, nem era a crônica em si, mas a pessoa de quem ela tratava. Era sobre o aniversário de 70 anos do Stephen Hawking e o discurso que ele gravou para a ocasião. Entre outras coisas que ele disse, essa foi certamente a que mais me marcou "Tentem encontrar sentido no que veem e imaginar o que faz o Universo existir. Sejam curiosos".

Ele podia ter dado conselhos diferentes: sejam dedicados, pesquisem, sejam observadores. Mas, na verdade, a etapa anterior a qualquer uma dessas é com certeza a curiosidade. Sim, é bem provável que os homens primitivos tenham saído de suas cavernas para procurar comida. Mas, quem disse que depois de já terem achado, não foram mais longe, só para descobrir o que havia do outro lado da montanha? É a curiosidade em querer entender o funcionamento de tudo, sejam máquinas, pessoas ou o próprio universo, que faz o homem evoluir. Só tem respostas quem primeiro faz perguntas.

Meu estimado tio Joca, que por sinal completou 71 anos semana passada, certamente concorda com o físico inglês. Uma vez, já há algum tempo, eu fiz uma pergunta para ele e logo emendei dizendo que  ela era boba, que ele não precisava responder. Antes de me dar a resposta de fato, ele me disse que não existem perguntas bobas, que quem pergunta ignora por um minuto, mas quem não pergunta ignora para sempre. O tio Joca não podia estar mais certo. E ele, por sinal, é uma das pessoas que eu conheço que mais leva a sério seu próprio conselho: está sempre interessado nos mais variados assuntos, gosta de saber sobre lugares diferentes, lê um pouco de tudo e pergunta muito. Consequentemente, acaba sendo uma pessoa super interessante de conversar, exatamente porque sabe um pouco sobre quase tudo.

No fim das contas, se a curiosidade não trouxer exatamente a resposta que procuramos, ela certamente vai trazer algum conhecimento novo. E conhecimento sempre, ou quase sempre, faz bem. Nem que seja para ter assunto numa conversa em mesa de bar!

terça-feira, 27 de dezembro de 2011

Espaçonave Orion - MZ-4 Não Responde

Ficção científica. Esse foi o motivo que me levou a comprar esse pequeno livro. Imaginei que fosse um conto curto e provavelmente despretensioso, provavelmente do gênero hard-scifi, com escafabdros e sem viagens à velocidade da luz.

Me enganei redondamente.

Depois de ler o primeiro capítulo eu sabia que tinha entrado em uma daquelas séries de livros de ficção no melhor estilo Perry Rhodan. Pesquisando, depois, descobri que era quase isso.

A série Espaçonave Orion - escrita pelos mesmos autores da série Perry Rhodan - chegou a ter 145 volumes publicados em alemão. Desses, doze foram publicados no Brasil pela Ediouro. 


Basicamente, a história não tem nada de inovador. A tripulação da espaçonave Orion é a mais ousada e entrosada de todas e tem uma queda para a rebeldia. 


A tripulação é formada pelo Capitão Cliff McLane, uma versão do Capitão Kirk da Entrerprise com poucas diferenças (mulherengo, passional e competente). Além dele, a tripulação é formada por Atan Shubashi, o astronavegador, Helga Legrelle, especialista em vigilância espacial - basicamente a moça do radar -, Mario de Monti, o segundo em comando e especialista em computação e Hasso Sigbjörnson, gênio da engenharia. A esse grupo se junta a oficial Tamara Jagellovsk, agente da segurança que é colocada na nave para se assegurar que a tripulação da Orion ande na linha. É a tipica garota-bonita-sem-noção-da-realidade que só fala bobagem e cujas idéias são sempre muito ruins, mas cujas ordens devem ser seguidas.

Não, a nave não conta com um médico!



A trama básica é simplista: A Orion é colocada sob vigilância depois de uma besteira durante uma missão bem-sucedida, e é colocada "de castigo" em um ponto de vigilância num setor espacial onde nada acontece. Mas, claro, alguma coisa acontece! A estação espacial MZ-4 não responde às tentativas de comunicação, e a tripulação vai investigar. Daí temos alienígenas hostis, atos heroicos e muitas confusões. Típico livrinho "sessão da tarde". Não fiquei nada interessado em ler o resto da série... 


Em tempo: A série é da década de setenta - provavelmente tendo sido publicada até a década de oitenta - mas ainda assim eu considerei a leitura muito ruim. Muita 'linguagem técnica' pra não precisar explicar detalhes sem sentido, muitas idéias esquisitas - como a nave usar auto-propulsão gravitacional! que diabos é isso?! - e conclusões scooby-doo por todo o livro. 


enfim!

Pode ser que essa série seja um cult e eu esteja sendo precipitado em julgar a série toda pelo primeiro número, mas definitivamente a leitura não me atraiu nem um pouco. 

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

Musicas que me fazem chorar

Mudando um pouco o foco da conversa, decidi falar um pouco sobre música.

Mas não quero vomitar meu gosto musical em ninguém, e não costumo ter interesse em ficar reverenciando o prodígio desse ou daquele músico/banda. Também não sou um grande conhecedor de música, não tenho conhecimento de teoria musical e nem conheço todas as classificações dentro de cada sub-tipo de cada categoria de música - na verdade, eu geralmente nem sei como classificar a maior parte das bandas que ouço!

Eu ouço muita música, porém. Via de regra como barulho de fundo pra trabalhar, as vezes pra ler. As vezes eu simplesmente sento com um cigarro e um café pra ouvir 'aquela' música.

E creio que todos tem aquelas músicas favoritas. Aquelas que lembrar de momentos importantes, ou que te fazem sentir de uma determinada maneira, relembrando ou incutindo um sentimento, seja por ter uma memória vinculada, seja pela musica em sí, simplesmente.

No meu caso, há cinco singelas musiquinhas que me fazem chorar.Cada uma delas por seus motivos particulares. Não são minhas músicas favoritas, e eu poucas vezes as escuto - não tenho vocação pra masoquista... - mas elas tem um lugar todo especial no meu coração.

Bueno, sem mais delongas, vamos à viagem!


Primeiro, Do The Evolution, do Pearl Jam. Não é uma das minhas bandas favoritas, e eu raramente escuto, na verdade - só quando outra pessoa bota pra tocar. Mas essa música, e esse clipe... Isolados, eles não me afetam. Mas ouvir a letra, a melodia, e ver a representação visual de todo o mal que o homem pode fazer à sí próprio... Eu choro pela minha humanidade cruel sempre que assisto o clipe.



Ayreon foi uma grata surpresa pra mim. Eu sou um fã de ficção científica, e o album Universal Migrator tem algumas excelentes faixas para 'embalar' leitura desse gênero. My House on Mars é uma delas. Infelizmente... Ela me faz chorar, e muito! Na minha opinião, essa é a música que mais perfeitamente sintetiza o sentimento de solidão. Ela conta a história do último humano que sobreviveu depois de uma grande guerra que dizimou a humanidade como um todo. Em seu leito de morte, ele reflete sobre as pessoas que o deixaram para trás, sobre as coisas que não pode vivenciar e sobre a solidão que sente. E o clipe (fanmade) é perfeito pra música.



Do mesmo album, Temple of The Cat é uma coisa linda! A voz de Lana Lane é absurdamente clara, limpa, harmoniosa. Ela é uma sacerdotisa maia indo para o templo do deus Jaguar, e está feliz. Mas nos sabemos o que acontece depois. E essa música me lembra dos deuses mortos, e de seus adoradores esquecidos. É uma ode à felicidade perdida, ao fim de civilizações e a morte da fé.
O vídeo em sí é bem ruim, mas como tinha a letra inclusa, achei válido.



I'll be my Mirror do projeto 8in8 é uma dessas músicas que te fazem pensar em todas aquelas coisas que tu é capaz de odiar em sí próprio. Na minha visão, essa é uma versão destilada e concentrada de Weird do Radiohead. Quem se identifica com aquela música, vai se identificar com essa - provavelmente!
O clipe é fanmade, e não é nada de espetacular. Mas eu tenho uma queda por desenho, então escolhi este!



Finalmente, mas não menos importante, uma música que eu 'ganhei' como uma espécie de declaração. E eu descobri, desde então, que não consigo ouvir sem chorar, imaginando se tudo isso pode mesmo ser real pra sempre, se tudo pode ser mesmo tão bom outra vez.



E assim termina essa lacrimosa viagem musical - ao menos até que novas canções sejam adicionadas à essa lista!

quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

V for Vendetta


Ganhei essa edição de aniversário. Ganhei de um daqueles amigos que, mesmo quando se tornam distantes, ainda parecem sempre próximos. E que só precisam compartilhar com a gente um par de cervejas pra começar a rir com piadas ruins e fazer comentários sobre as moçoilas pedaçudas que passam pela rua.

Ou falar sobre a vida, o universo e tudo o mais.

Eu já tinha lido V de Vingança alguns anos atrás, bem antes de qualquer idéia de que o filme seria feito. Na época, eu lia HQs pela história e pela arte de forma auto-contida. Uma boa HQ era uma obra que continha, em sí própria, tudo o que precisava para ser uma boa história. A maior parte das HQs pode ser avaliada assim: O universo da história é verossímil? O roteiro tem elementos necessários pra valer o papel gasto na impressão? Vale como HQ, ou os quadrinhos podiam ser simplesmente tirados e a história ficaria igual? O desenhista se ajusta ao estilo da narrativa?

A maioria.

Mas V for Vendetta é uma dessas excessões felizes à regra.

Considerando todos os elementos acima, V for Vendetta é uma boa história. Só boa. Foi isso que eu achei na época em que li pela primeira vez. O climax parece estar no lugar errado, ou não possui todo o impacto que deveria ter, e o final é um anti-clímax total. Claro, isso se considerarmos a história em seu pequeno universo auto-contido.

Mas reler essa história hoje foi uma experiência muito diferente. Porque de dez anos pra cá, eu lí muito, eu refleti muito sobre a sociedasde, eu vi e ouvi coisas. Eu envelheci, enfim. E é necessário estar velho pra entender V for Vendetta e todas as suas implicações. É preciso ser capaz de ver o quadro todo da nossa sociedade pra entender a história por completo, creio eu. E isso demanda tempo.

Mas estou divagando, penso eu.

Acho que estou ficando velho...

Enfim!

A história todos já conhecem, afinal eles fizeram um filme... Mas como eu lembrava, o final da HQ é tão completamente diferente, que a idéia toda se perde graças ao final (quase literalmente) Scooby-Doo do filme. Excesso de grandiosidade, penso eu. Em Hollywood, tudo precisa ser grandioso. Mas o final "pequeno" e "humilde" da HQ dá um gosto muito mais forte de mudança do que o final monstro do filme.

E, claro, a arte de David Loyd é muito mais espetacular que qualquer produção hollywoodiana jamais será.

É interessante (e amedrontador) observar que estamos muito próximos da sociedade da HQ, hoje. Não tenho idéia de como um autor consegue extrapolar esse tipo de coisa, mas definitivamente Alan Moore fez isso com perfeição cirúrgica. Essa não é uma HQ oitentista. É uma HQ contemporânea. E será ainda mais daqui há dez anos!

O problema todo é que eu não consigo conceber um "V" no nosso mundo...

Recomendo que todos que tenham a oportunidade de ler V for Vendetta (sim, a minha edição é em inglês; eu não sou tão preciosista a ponto de usar o nome original dos livros e HQs que leio, se eu li em português) que o façam.

Depois podemos sair e tomar umas cervejas, rir de piadas ruins e comentar sobre aquelas moçoilas pedaçudas.

E esquecer as questões sobre esse mundo que nos cerca.

segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

O Herege


E cheguei ao fim da saga de Thomas de Hookton em busca do Graal.

Diferente dos dois livros anteriores, O Herege se passa em um espaço de tempo/espaço muito curto. Apenas o inicio e o final do livro são passados em regiões/momentos distantes. O miolo do livro, a história em sí, se passa toda em uma pequena região da França onde, supostamente, o Graal esteve pela última vez em que foi visto. Creio que essa escolha de narração tão próxima, tão dia-a-dia que Cornwell escolheu para o terceiro livro, nos aproxima terrivelmente da mente de Thomas, de suas crenças e convicções. E digo terrivelmente porque ele é um maldito cristão, e a maior parte de suas dúvidas e medos são em relação ao deus da mitologia católica e sua (de Thomas, não do tal deus) relação com a igreja.

Além disso, depois de dois livros com batalhas épicas entre exércitos, que ocupavam páginas e mais páginas de descrições, neste aqui as batalhas são só pequenas escaramuças rápidas e brutais entre pequenos grupos de guardas, soldados, mercenários e bandidos de estrada.

No fim da leitura, fiquei com uma impressão de que cada um dos livros d'A Busca do Graal é uma obra completamente diferente das demais em termos de estilo e mesmo temática. Apesar de um protagonista em comum, a sensação de ler cada um dos livros é completamente diferente. Mas apesar disso, todos são bons livros, com boas histórias e narrativas competentes. Thomas me deixou com um certo amor pelo estilo de vida de arqueiro, e apesar dos personagens secundários não serem nem de longe tão carismáticos quanto aqueles d'As Crônicas Saxônicas, nem o cenário ser tão instigante e nem mesmo a busca do protagonista ser tão interessante, ainda assim a trilogia do Graal foi uma grata leitura.

Terei saudades de Thomas e Genevieve - adoro esse nome! - e até mesmo de Guy Vexille!

E que venham novos livros épicos e novos personagens marcantes de Bernard Cornwell!

quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

Bone

Acabo de terminar de ler a versão em um volume do épico Bone (1.332 páginas! É uma monstruosidade!).

Levei cinco dias pra ler a HQ, escalonando com O Herege (a última parte da trilogia do Grall). A razão disso é uma só: Bone é viciante. É impossível parar de ler, a menos que seja realmente necessário! O segundo dos três arcos em que a edição é dividida eu lí em uma sentada, numa noite, e mandei o sono passear!
Bone foi criado, roteirizado e escrito por Jeff Smith, que contou as aventuras de Fone Bone e seus primos, o ganancioso Phoncible P. "Phoney" Bone e o completamente desmiolado Smiley Bone ao longo de 55 edições, entre 1991 e 2004. Posteriormente as 55 edições foram republicadas em 9 volumes (entre 1995 e 2004) e finalmente ganharam uma versão única, comemorando os 10 anos de aniversário da série.

Bone começa como uma história bastante inocente e despretensiosa, e, na verdade, até o meio do segundo grande arco, eu não sabia muito pra onde a coisa ia. É quando tudo começa REALMENTE a acontecer, e daí não tem MESMO pra saber pra onde as coisas vão! Tudo foi muito surpreendente pra mim, e eu não esperava nenhum dos acontecimentos do final da série. Eu ia lendo e pensando "minha nossa, e agora, como isso vai se resolver?!?"

O estilo de Jeff Smith nessa história também é uma coisa muito surpreendente. Enquanto os primos Bone são absurdamente caricatos, todos os outros personagens são muito mais elaborados e realistas. O contraste não chega à causar estranheza graças ao estilo narrativo extremamente eficiente de Smith. Ao contrário, essa dicotomia é perfeita para uma série cômica, porém heroica ao mesmo tempo.

em tempo: Todos os personagens são muito bem construídos - exceto talvez pelo vilão encapuzado, que eu achei um personagem muito sem propósito; O vilão malvado do mal que tu não chega a odiar nem acha tão mal assim - numa história que não deixa pontas soltas. É um excelente roteiro, apoiado por um desenho perfeitamente concordante.

Altamente recomendado!

Ah, e sugiro que o leitor descubra algum lugar onde ele possa encontrar quiches pra comer, porque vai bater vontade de comer quiche durante a leitura - eu pessoalmente comi três, nesses cinco dias!