quarta-feira, 12 de novembro de 2014

Musicas que me fazem chorar 2

Eu sou um sujeito emotivo. Sempre fui. A maioria das pessoas que me conhece ha algum tempo já me viu chorando pelo menos uma vez. A maioria dessas pessoas deve rir lembrando disso, porque devia ser alguma coisa idiota. Uma música ruim, um filme bobo, uma lembrança besta. É um problema. eu não choro por pensar nos milhares de mortos no afeganistão, nem pela fome na africa. Isso me emociona, mas não me faz chorar. Eu choro por bobagens.

Acho que, como acontece com todo mundo, eu choro com coisas bobas que têm um "gatilho" emocional. Aquela música que tem uma letra tocante e profunda, mas que na verdade te faz chorar porque tu lembra que alguém te dedicou ela. Mas já falei bastante sobre o assunto, e não quero ficar me repetindo.

Aquelas músicas, é claro, estão todas "valendo" ainda. Uma delas mudou bastante de significado ao longo desses três anos, de fato, mas continua tendo o mesmo resultado. No entanto, algumas músicas se juntaram àquela lista:

White Wine in the Sun, do Tim Minchin, me pegou de surpresa. Me mandaram esse vídeo dizendo que "eu ia gostar". Comecei ouvindo e me divertindo bastante. O início da música realmente parece comigo:

And yes, I have all of the usual objections
To consumerism, the commercialisation of an ancient religion
To the westernisation of a dead Palestinian
Press-ganged into selling Playstations and beer

And yes I have all of the usual objections
To the mis-education of children who, in tax-exempt institutions,
Are taught to externalise blame
And to feel ashamed and to judge things as plain right and wrong

Mas à medida que a música prossegue, e fala sobre família, sobre comemorar... eu admito que fui lembrando das minhas relações com comemorações e família, e que, realmente, não me dou bem com uma coisa ou com outra. Eu parei de ir à comemorações por me achar muito "deslocado" dentro da minha família, com poucas exceções. Passei anos sem comemorar aniversários. E não, não comemoro festas religiosas cristãs. Esse isolamento familiar sempre me causou uma certa tristeza, e ela fica potencializada quando eu escuto essa música.
Tim Minchin é um comediante, pelo que eu entendi, que compõe letras engraçadas para seus shows. Não tenho certeza. Não fui atrás de outras músicas do cara. White Wine in the Sun foi mais que suficiente...

O próximo item da lista é complicado. They Rode On. Esse eu tava ouvindo bem tranquilo quando, de repente, comecei a prestar atenção na letra. Voltei pro início, e o troço caiu na minha mente como uma bomba de hidrogênio. Fiquei completamente vazio por um tempo. "eu sou velho, meu velho, tão velho quanto o mundo". Será que eu tenho coragem pra cavalgar, mesmo sabendo o destino? Ou sem saber onde se vai? Quanto de ilusão eu preciso, e quanto desprendimento eu posso, realmente ter? 
Sim, essa é uma dessas discussões internas de cunho filosófico pessoal que não possui muito nexo e cujas perguntas não têm resposta alguma. O tipo de coisa que me faz chorar. 

Músicas que fazem a gente refletir são um problema sério. Hora do Mergulho, dos Engenheiros do Hawaii sempre me fazia entrar em um estado de profunda tristeza. Demorei muito pra "superar" isso. Hora do Mergulho ainda fala comigo, mas hoje em dia é um diálogo saudável. Coisa semelhante aconteceu com algumas músicas do Legião Urbana. Quando eu era adolescente - isso foi há tanto tempo que o Renato Russo ainda nem sabia que tinha AIDS... - muitas daquelas músicas calavam fundo em mim. Como, alias, tenho certeza que também tocavam  maioria das pessoas da minha geração. Mas eu cresci, e aquelas músicas são parte de um passado que não se encaixa mais. Eu ainda escuto Legião, mas hoje em dia é só pelas lembranças que aquelas músicas trazem. 

A única exceção é Metal Contra as Nuvens. Não sei qual a história por trás da música, mas que ela faz muito sentido como uma versão romanceada do Drácula, isso faz. Tem muitos símbolos e lógicas funcionais dentro dessa idéia, incluindo não só a letra mas as trocas de ritmo dentro da música. Praqueles que não tem "aversão" à Legião, vale a pena dar uma conferida, nem que seja pra me chamar de retardado - qualquer discussão, mesmo que sobre uma música do Legião Urbana, me interessa! Esse vídeo já tem a letra embutida, pra facilitar a vida. 


E, já que vou adicionar uma música da Legião Urbana, o que já manda pro espaço a coesão dessa postagem, vou aproveitar e adicionar a supracitada Hora do Mergulho, dos Engenheiros do Hawaii. Se vou acabar com a coesão, pelo menos vou incluir umas músicas legais também. 

E pra terminar mais ou menos com algum sentido, uma música que, as vezes, me faz chorar. Fico imaginando o Bono escutando essa versão e chorando, não porque eu imagino que o cara seja um egocêntrico que idolatra as coisas que ele mesmo escreve - o que, alias, seria plenamente justificado, mas não vem ao caso - mas porque na voz do Johny Cash, One fica muito, muito melhor do que no original. 

Impressionante como não só a voz do J. Cash se encaixa melhor nessa letra, como a letra faz muito sentido considerando a história dele com drogas na década de 60, principalmente, que o levaram ao divórcio e à uma tentativa de suicídio.

Bom, uma boa viagem musico-sentimental pra todos. Espero que não tenham todos um ataque de choro assistindo essa seleção, mas um pouco de reflexão e umas lágrimas, eu gostaria que essa postagem causasse. 

Nenhum comentário:

Postar um comentário