Mais uma audio book da série Shannara, pra engrossar a lista de livros "escutados" ao invés de lidos e também para aumentar o número de livros do cenário de Shannara!
Depois de ler a trilogia original de Shannara (the Sword of shannara, The Elfstones of Shannara e The Wishsong of Shannara) eu tinha decidido escutar os outros livros em ordem cronológica. Comecei com a fraquíssima trilogia The Word and The Void, depois segui para Genesis of Shannara e como não consegui achar as séries Legends of shannara e Paladins of shannara, acabei indo pro próximo livro da lista, First King of shannara.
Esse livro explica o que aconteceu durante a segunda guerra das raças (a primeira, pelo que eu pude entender, aconteceu na série Legends of Shannara), cujos eventos irão repercutir na trilogia original. Também explica como a ordem de Druidas acabou se reduzindo só à Allanon, e como Jerle Shannara conseguiu derrotar mas não destruir o Warlock Lord - que, na série original, é o grande Lorde Negro do Mal.
Temos uma série de personagens bem interesantes nesse livro. Os poucos Druidas que restam são bem aprofundados, e eu gostei particularmente de como Bremem, o "pai" de Allanon, é descrito. Jerle, o grande cara fodão e detentor da suprema Espada de Shannara, no entanto, é o personagem mais fraco do livro. Mas, como todosa sabemos que ele está fadado ao fracasso - ao menos parcial - eu admito que não me importar muito com ele. Além dos dois, temos um druida anão e um elfo, e uma jovem humana aprendiz de Druida com poderes mágicos intrínsecos que também é bastante interessante. Gente suficiente pra manter o leitor interessado na história.
A trama se inicia mais ou menos linear, mas o grupo acaba se separando depois de algum tempo e voltamos à famosa fórmula de Terry Brooks de descrever várias tramas separadas interligadas depois dos primeiros capítulos. Alias, tenho que dizer, a escrita de Brooks melhorou notavelmente da trilogia original pra esse livro. As descrições são mais vívidas, as tramas mais coesas e algumas cenas definitivamente vão me acompanhar por um bom tempo - a forja da Espada de Shannara é particularmente preciosa! Definitivamente um excelente exemplo de boa leitura de fantasia.
Esse livro trata de amarrar as pontas soltas e os pequenos mistérios não explicados na trilogia original de modo magistral. Não temos nenhum tipo de forçada de barra pra manter a trama, nenhuma situações Scooby-Doo e nenhuma escorregada oportuna por qualquer dos personagens. É uma história sólida e concisa, que funciona de modo absolutamente perfeito dentro de sua simplicidade.
Como gosto muito de ler as coisas na ordem cronológica - e por saber que o primeiro livro da trilogia original é um tanto quanto "Senhor dos Anéis" - sugiro fortemente que novos leitores da série de Shannara comecem por este livro. Vale muito a pena, e não estraga a diversão dos lvros originais - pelo contrário, adiciona alguma substância interessante à eles!
terça-feira, 26 de abril de 2016
segunda-feira, 25 de abril de 2016
Azincourt
Mais um livro adquirido lá pros lados da Montecristo - que, afinal, além de bom café e excelente conversas também me rende livros volta e meia, sendo, afinal de contas, uma livraria! - que me proporcionou um punhado de "pequenas histórias" além da trama do livro em si. A primeira delas diz respeito à própria compra do livro: enxerguei o livro na prateleira, agarrei ele afoito, avisei o pessoal que ia levar e sentei no pátio da livraria pra começar a ler, acompanhado de café e cigarros. Depois de ter lido umas poucas páginas, fui surpreendido pela chegada de algum conhecido - não lembro mais quem era, exatamente - e me engajei em uma conversa que se desenvolveu ao longo da tarde. Em um determinado momento da conversa, uma garoa fina caiu, nos obrigando a recolher nossos pertences - inxcluindo o livro, que foi pro fundo da minha mochila - e voltar para as dependências cobertas da livraria. Ao final da tarde, paguei meus cafés, e saí, feliz e contente, de volta pra casa.
Só dois dias depois, quando fui ver o que era o peso dentro da mochila, é que reencontrei o livro e me dei conta que não havia pago ele! Sem internet nem créditos no celular, o livro ficou mais de uma semana me olhando de cima da prateleira com ar de culpado. Como não tinha pago o livro, eu não me senti confortável pra ler, por um desses sentimentos bobs que a tal consciência nos trás.
Eventualmente, claro, fui de volta à Montecristo, expliquei a coisa toda - que obviamente não teve nenhuma repercussão além de algumas rizadas -, paguei o livro e finalmente minha consciência me deixou ler o bastardinho!
O livro, como o próprio nome já diz, trata da batalha de Azincourt (ou Agincourt, como também é grafado o nome da batalha) além de dois outros cercos que ocorreram logo antes da dita batalha, no ano de 1415, durante a guerra dos cem anos.
Ah, antes que eu esqueça, aquele aviso amigo: Adiante, revelações sobre a trama adiante! Claro que, nesse caso, não há grandes revelações, já que a batalha que dá nome ao livro e os dois cercos descritos m suas páginas são acontecimentos históricos bastante documentados, mas enfim, não custa avisar.
O livro segue os passos do arqueiro e guarda-caça inglês Nicholas Hook, cuja rixa familiar com relação aos Perril (e um incidente envolvendo o estupro de uma jovem lollarda) acaba por tornar o arqueiro um fora-da-lei, o que faz com que se torne um arqueiro mercenário que se une às tropas enviada para proteger a cidade de Soissons, na Borgonha, contra uma invasão francesa. Os franceses invadem a cidade e a tomam com facilidade, e as atrocidades cometidas contra a população é absolutamente chocante - particularmente considerando que os moradores de Soissons eram eles próprios, franceses!
Hook escapa com vida dessa batalha quase "por milagre", depois de salvar uma freira de ser estuprada. Ele eventualmente consegue retornar para terras inglesas, onde relata o que viu no cerco - incluindo a traição pelo lorde inglês responsável pela proteção da cidade - e acaba caindo nas graças de sir John Cornewaille, que o torna membro de sua companhia de arqueiros. Sir John e o exército real rumam para a frança em uma capanha para conquistar o reino, iniciando com o cerco ao porto de Harfleur.
Esse trecho do livro, assim como sua aquisição, me rendeu algumas pequenas histórias interessantes, graças à uma série de coincidências entre a trama do livro e acontecimentos ao meu redor. No livro, a campanha para tomar Hanfleur começa mal, com a região inundada por chuvas fortes, enquanto aqui tivemos uma época de chuvas constantes, também, incluindo uma pequena tempestade que causou alguns estragos consideráveis. Enquanto Hook derrubava arvores para preparar uma porca (um túnel feito sob as muralhas de uma cidade, construída para ser destruída e assim colocar a muralha em sí abaixo) eu cortava árvores caídas no meu pátio. Depois, uma doença atacou o exército inglês com um surto de diarréia, enquanto eu me encontrava às voltas de um entupimento na caixa de esgoto da minha cozinha. Hook cavava a porca em meio à um lamaçal fedendo à esgoto no livro, enquanto eu cavava meu pátio em meio ao lamaçal fedendo à esgoto aqui em casa. Quando, depois de semanas de cerco Hanfleur se entregou aos frances, aqui eu finalmente consegui desentupir minha caixa de gordura.
Depois desse cerco, que durou mais tempo do que os ingleses previam e que acabou reduzindo drasticamente o exército por conta da doença, fome e das pequenas batalhas em si, o rei Henrique decide, contra todos os conselhos em contrário, marchar para Calais ao longo da costa, numa demonstração de soberania - e também numa demonstração de despeito com relação à coroa francesa.
O exercito maltrapilho de Henrique, no entanto, acaba por ser interceptado pelo imenso exército francês - que, dependendo do historiador, varia de 2 à 8 vezes o tamanho do exército inglês. Além de menor, o exército inglês está cansado depois do lamentável cerco á Hanfleur e não tão bem equipado quanto o exército francês, que conta com uma vasta cavalaria muito bem protegida contra os arqueiros ingleses dentro de suas armaduras completas.
A batalha, que ocorre próximo ao pequeno castelo de Azincourt. As chuvas lá (e aqui) tornaram o terreno recém arado (ou recém escavado aqui) um lamaçal difícil de ultrapassar (lá por chegar à altura das canelas, aqui por tornar o terreno instável e escorregadio). Os franceses, sabendo que o faminto exército inglês precisava passar por eles para chegar à Calais, permanece estacionado e permite que os arqueiros ingleses se aproximem à distância de tiro. A enorme primeira onda de ataque francês é destroçada pelas flechas inglesas, mesmo protegido por armaduras completas, por conta do terreno difícil que impede que seus cavalos se movam com eficiência. A segunda leva, a pé, passa por dificuldades não só com o terreno, mas também para vencer os novos obstáculos apresentados na forma dos cadáveres de centenas de cavalos e cavaleiros mortos, e chega às linhas francesas cansado e fragmentado, sendo chacinado com facilidade pelos arqueiros surpreendentemente bem treinados em combate corporal e a pequena tropa de homens-de-armas ingleses remanescente. Os franceses desistem de lançar uma terceira onda de ataque contra os ingleses, cujos arqueiros já sem flchas, começam à recolher projeteis entre os mortos franceses. Assim, a batalha de Azincourt é entregue aos ingleses, contra todas as chances - enquanto aqui, eu ainda preciso lidar com o terreno lamacento, instável e escorregadio do meu pátio, pelo menos até que as chuvas dêem uma folga...
Preciso admitir que a batalha de Azincourt, na verdade, apesar de ser o climax do livro, me deixou decepcionado. Cornwell foca a maior parte do livro no cerco à Hanfleur, e a parte do livro destinada à descrever a batalha de Azincourt é surpreendentemente curta, apesar de emocionante - particularmente porque se foca em quatro personagens concorrentes: Hook, na ala dos arqueiros, sir John entre os homens-de-armas ingleses, Lanferelle entre os atacantes franceses e Melisande (a freira que Hook salvou durante o cerco de Soissons e que posteriormente se tornou sua esposa) às voltas com a retaguarda do exército inglês. Apesar disso tudo acontecendo, a descrição da batalha é breve, e termina de forma um tanto... Abrupta, eu diria.
Apesar de ter sido o menos inspirado livro de Cornwell que eu li até agora, Azincourt é um livro interessante, contando com retratos distintos de batalhas históricas feitos, como é costume do autor, de modo eficaz.
Hook, o protagonista, no entanto, é um personagem pouco atraente, exceto, talvez, por ser doido de pedra - ele passa o livro todo ouvindo "vozes" que ele considera serem de santos e até mesmo de Deus! Um toque interessante na narrativa, devo admitir, mas fora isso, nosso "herói" é o protagonista mais apagado de todos os livros de Cornwell que li até agora. Por sorte temos Sir John com sua brutalidade verborrágica e o padre Chistopher com sua visão crítica sobre o mundo ao seu redor para nos mantermos entretidos.
Além disso, as pequenas curiosidades históricas sempre presentes nos livros de Cornwell, sua narrativa concisa e afiada, suas descrições cruas das batalhas e sua pesquisa de fatos históricos sempre bastante pertinente valem uma indicação de leitura fortemente indicada para este livro!
Só dois dias depois, quando fui ver o que era o peso dentro da mochila, é que reencontrei o livro e me dei conta que não havia pago ele! Sem internet nem créditos no celular, o livro ficou mais de uma semana me olhando de cima da prateleira com ar de culpado. Como não tinha pago o livro, eu não me senti confortável pra ler, por um desses sentimentos bobs que a tal consciência nos trás.
Eventualmente, claro, fui de volta à Montecristo, expliquei a coisa toda - que obviamente não teve nenhuma repercussão além de algumas rizadas -, paguei o livro e finalmente minha consciência me deixou ler o bastardinho!
O livro, como o próprio nome já diz, trata da batalha de Azincourt (ou Agincourt, como também é grafado o nome da batalha) além de dois outros cercos que ocorreram logo antes da dita batalha, no ano de 1415, durante a guerra dos cem anos.
Ah, antes que eu esqueça, aquele aviso amigo: Adiante, revelações sobre a trama adiante! Claro que, nesse caso, não há grandes revelações, já que a batalha que dá nome ao livro e os dois cercos descritos m suas páginas são acontecimentos históricos bastante documentados, mas enfim, não custa avisar.
O livro segue os passos do arqueiro e guarda-caça inglês Nicholas Hook, cuja rixa familiar com relação aos Perril (e um incidente envolvendo o estupro de uma jovem lollarda) acaba por tornar o arqueiro um fora-da-lei, o que faz com que se torne um arqueiro mercenário que se une às tropas enviada para proteger a cidade de Soissons, na Borgonha, contra uma invasão francesa. Os franceses invadem a cidade e a tomam com facilidade, e as atrocidades cometidas contra a população é absolutamente chocante - particularmente considerando que os moradores de Soissons eram eles próprios, franceses!
Hook escapa com vida dessa batalha quase "por milagre", depois de salvar uma freira de ser estuprada. Ele eventualmente consegue retornar para terras inglesas, onde relata o que viu no cerco - incluindo a traição pelo lorde inglês responsável pela proteção da cidade - e acaba caindo nas graças de sir John Cornewaille, que o torna membro de sua companhia de arqueiros. Sir John e o exército real rumam para a frança em uma capanha para conquistar o reino, iniciando com o cerco ao porto de Harfleur.
Esse trecho do livro, assim como sua aquisição, me rendeu algumas pequenas histórias interessantes, graças à uma série de coincidências entre a trama do livro e acontecimentos ao meu redor. No livro, a campanha para tomar Hanfleur começa mal, com a região inundada por chuvas fortes, enquanto aqui tivemos uma época de chuvas constantes, também, incluindo uma pequena tempestade que causou alguns estragos consideráveis. Enquanto Hook derrubava arvores para preparar uma porca (um túnel feito sob as muralhas de uma cidade, construída para ser destruída e assim colocar a muralha em sí abaixo) eu cortava árvores caídas no meu pátio. Depois, uma doença atacou o exército inglês com um surto de diarréia, enquanto eu me encontrava às voltas de um entupimento na caixa de esgoto da minha cozinha. Hook cavava a porca em meio à um lamaçal fedendo à esgoto no livro, enquanto eu cavava meu pátio em meio ao lamaçal fedendo à esgoto aqui em casa. Quando, depois de semanas de cerco Hanfleur se entregou aos frances, aqui eu finalmente consegui desentupir minha caixa de gordura.
Depois desse cerco, que durou mais tempo do que os ingleses previam e que acabou reduzindo drasticamente o exército por conta da doença, fome e das pequenas batalhas em si, o rei Henrique decide, contra todos os conselhos em contrário, marchar para Calais ao longo da costa, numa demonstração de soberania - e também numa demonstração de despeito com relação à coroa francesa.
O exercito maltrapilho de Henrique, no entanto, acaba por ser interceptado pelo imenso exército francês - que, dependendo do historiador, varia de 2 à 8 vezes o tamanho do exército inglês. Além de menor, o exército inglês está cansado depois do lamentável cerco á Hanfleur e não tão bem equipado quanto o exército francês, que conta com uma vasta cavalaria muito bem protegida contra os arqueiros ingleses dentro de suas armaduras completas.
A batalha, que ocorre próximo ao pequeno castelo de Azincourt. As chuvas lá (e aqui) tornaram o terreno recém arado (ou recém escavado aqui) um lamaçal difícil de ultrapassar (lá por chegar à altura das canelas, aqui por tornar o terreno instável e escorregadio). Os franceses, sabendo que o faminto exército inglês precisava passar por eles para chegar à Calais, permanece estacionado e permite que os arqueiros ingleses se aproximem à distância de tiro. A enorme primeira onda de ataque francês é destroçada pelas flechas inglesas, mesmo protegido por armaduras completas, por conta do terreno difícil que impede que seus cavalos se movam com eficiência. A segunda leva, a pé, passa por dificuldades não só com o terreno, mas também para vencer os novos obstáculos apresentados na forma dos cadáveres de centenas de cavalos e cavaleiros mortos, e chega às linhas francesas cansado e fragmentado, sendo chacinado com facilidade pelos arqueiros surpreendentemente bem treinados em combate corporal e a pequena tropa de homens-de-armas ingleses remanescente. Os franceses desistem de lançar uma terceira onda de ataque contra os ingleses, cujos arqueiros já sem flchas, começam à recolher projeteis entre os mortos franceses. Assim, a batalha de Azincourt é entregue aos ingleses, contra todas as chances - enquanto aqui, eu ainda preciso lidar com o terreno lamacento, instável e escorregadio do meu pátio, pelo menos até que as chuvas dêem uma folga...
Preciso admitir que a batalha de Azincourt, na verdade, apesar de ser o climax do livro, me deixou decepcionado. Cornwell foca a maior parte do livro no cerco à Hanfleur, e a parte do livro destinada à descrever a batalha de Azincourt é surpreendentemente curta, apesar de emocionante - particularmente porque se foca em quatro personagens concorrentes: Hook, na ala dos arqueiros, sir John entre os homens-de-armas ingleses, Lanferelle entre os atacantes franceses e Melisande (a freira que Hook salvou durante o cerco de Soissons e que posteriormente se tornou sua esposa) às voltas com a retaguarda do exército inglês. Apesar disso tudo acontecendo, a descrição da batalha é breve, e termina de forma um tanto... Abrupta, eu diria.
Apesar de ter sido o menos inspirado livro de Cornwell que eu li até agora, Azincourt é um livro interessante, contando com retratos distintos de batalhas históricas feitos, como é costume do autor, de modo eficaz.
Hook, o protagonista, no entanto, é um personagem pouco atraente, exceto, talvez, por ser doido de pedra - ele passa o livro todo ouvindo "vozes" que ele considera serem de santos e até mesmo de Deus! Um toque interessante na narrativa, devo admitir, mas fora isso, nosso "herói" é o protagonista mais apagado de todos os livros de Cornwell que li até agora. Por sorte temos Sir John com sua brutalidade verborrágica e o padre Chistopher com sua visão crítica sobre o mundo ao seu redor para nos mantermos entretidos.
Além disso, as pequenas curiosidades históricas sempre presentes nos livros de Cornwell, sua narrativa concisa e afiada, suas descrições cruas das batalhas e sua pesquisa de fatos históricos sempre bastante pertinente valem uma indicação de leitura fortemente indicada para este livro!
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domingo, 24 de abril de 2016
Genesis of Shannara
Assim como fiz no caso de The Word and the Void, decidi resenhar os três livros que compõem a trilogia conhecida como Genesis of shannara em uma única postagem, apesar de nesse caso o motivo ser mais simples: a história dos três livros é, dessa vez, uma coisa só, e os livros não podem ser lidos separadamente, como poderia acontecer em The Word and the Void.
As histórias contidas nesses três livros se passam alguns anos depois dos acontecimentos narrados em The Word and the Void - não lembro se datas ou tempo específico é mencionado, mas eu imagino algo em torno de uns 50 à 70 anos depois. O cenário aqui, no entanto, não é nada familiar: O mundo está em um estado pós-apocaliptico, depois que uma guerra nuclear de proporções globais acabou com a civilização como a conhecemos, e deu início à uma série de "novas civilizações", incluindo sociedades de mutantes, seres criados pela radiação nuclear em algumas áreas e por misteriosas pragas que, posteriormente, assolaram o planeta.
Os livros seguem várias linhas distintas, que vão se afunilando e se cruzando. Temos um grupo de crianças que vivem no que restou da cidade de Seattle, fora dos Compounds (que são grandes fortificações dentro das cidades, geralmente erguidos em grandes estádios, onde a maioria das comunidades do cenário se concentram) em sua luta pela sobrevivência, dois Cavaleiros da Palavra, Angel e Logan Tom, cada um com sua cruzada particular, e ainda a comunidade de elfos de Cintra.
Os tais elfos de Cintra são os responsáveis por manter a Elcryst, uma árvore mágica que mantém os demônios exilados da nossa realidade depois de uma guerra terrível que foi travada milênios atras - apesar de um monte de demônios ainda estar solto no mundo, sendo, aparentemente, uma "nova linhagem" de demônios, coisa que não é explicada em momento algum e causa uma certa confusão e me deixou com uma desconfiança muito grande com relação à imaginação do senhor Terry Brooks com relação à antagonistas pra suas séries... - enquanto as crianças da Tribo Fantasma estão só tentando sobreviver, sem saber que seu lider, Hawk, é na verdade uma poderosa entidade mágica, enquanto os dois Cavaleiros da Palavra possuem missoes distintas - Angel é incumbida pala Palavra de avisar os elfos de Cintra que os demônios (os novos, não os antigos) irão destruir a Elcryst, e portanto eles precisam mudar a árvore de lugar, enquanto Logan Tom é mandado em busca do Gypsy Morph - na verdade Hawk, lider dos Fantasmas - para que ele faça esse "translado" da árvore.
Essa série faz a ligação entre The Word and the Void e os livros posteriores da série de Shannara, e, apesar de não ter a "cara" do resto da série - já que e um livro de pós-apocalipse com pitadas de magia, enquanto o resto dos livros, com exceção da série The Word and the Void são livros de fantasia pura - e ter elementos que existem só nessa e na série anterior (como feeders, Cavaleiros da Palavra e demônios de segunda) ele tem também elementos que vão aparecer nos outros livros da série, como o King of the silver River, uma poderosa entidade que vai aparecer em alguns livros posteriores, a presença da elcryst, que é central na trilogia original de shannara e, claro, elfos, que vão permear todos os livros seguintes da série. É uma série interessante como elo de ligação entre a trilogia The Word and The Void e o resto da série de livros, mas como The Word and The Void é uma série sumamente desinteressante, acaba não sendo uma leitura obrigatória - de fato, os livros, apesar de terem uma série de diferentes tramas distintas (ou talvez por conta disso) são bastante chatos.
Assim como no caso de The Word and the void, não aconselho a leitura desses livros. Eles são muito desligados da série de Shannara para terem algum interesse verdadeiro, e não têm grandes qualidades por si só.
As histórias contidas nesses três livros se passam alguns anos depois dos acontecimentos narrados em The Word and the Void - não lembro se datas ou tempo específico é mencionado, mas eu imagino algo em torno de uns 50 à 70 anos depois. O cenário aqui, no entanto, não é nada familiar: O mundo está em um estado pós-apocaliptico, depois que uma guerra nuclear de proporções globais acabou com a civilização como a conhecemos, e deu início à uma série de "novas civilizações", incluindo sociedades de mutantes, seres criados pela radiação nuclear em algumas áreas e por misteriosas pragas que, posteriormente, assolaram o planeta.
Os livros seguem várias linhas distintas, que vão se afunilando e se cruzando. Temos um grupo de crianças que vivem no que restou da cidade de Seattle, fora dos Compounds (que são grandes fortificações dentro das cidades, geralmente erguidos em grandes estádios, onde a maioria das comunidades do cenário se concentram) em sua luta pela sobrevivência, dois Cavaleiros da Palavra, Angel e Logan Tom, cada um com sua cruzada particular, e ainda a comunidade de elfos de Cintra.
Os tais elfos de Cintra são os responsáveis por manter a Elcryst, uma árvore mágica que mantém os demônios exilados da nossa realidade depois de uma guerra terrível que foi travada milênios atras - apesar de um monte de demônios ainda estar solto no mundo, sendo, aparentemente, uma "nova linhagem" de demônios, coisa que não é explicada em momento algum e causa uma certa confusão e me deixou com uma desconfiança muito grande com relação à imaginação do senhor Terry Brooks com relação à antagonistas pra suas séries... - enquanto as crianças da Tribo Fantasma estão só tentando sobreviver, sem saber que seu lider, Hawk, é na verdade uma poderosa entidade mágica, enquanto os dois Cavaleiros da Palavra possuem missoes distintas - Angel é incumbida pala Palavra de avisar os elfos de Cintra que os demônios (os novos, não os antigos) irão destruir a Elcryst, e portanto eles precisam mudar a árvore de lugar, enquanto Logan Tom é mandado em busca do Gypsy Morph - na verdade Hawk, lider dos Fantasmas - para que ele faça esse "translado" da árvore.
Assim como no caso de The Word and the void, não aconselho a leitura desses livros. Eles são muito desligados da série de Shannara para terem algum interesse verdadeiro, e não têm grandes qualidades por si só.
sexta-feira, 22 de abril de 2016
The Word and the Void
Na verdade, The Word and the Void não é um único livro, mas sim três livros separados (running with the Demon, A Knight of the Word e Angel Fire East), mas decidi fazer uma resenha para toda a trilogia por três motivos: Primeiro, a história dos três livros é basicamente uma coisa só (apesar dos três livros terem um lapso de tempo entre eles e eu crer que é possível ler cada um deles separado dos demais sem maiores problemas) com os mesmos personagens em todos os três livros (incluindo protagonistas e "elenco de apoio"), também por eu ter escutado os três audiobooks na sequencia um do outro - tendo terminado Running with the Demon eu comecei a escutar A Knight of te Word no mesmo dia, e o mesmo aconteceu com Angel Fire East - e finalmente porque as histórias contidas em cada um dos livros não é la grandes coisas, pra ser honesto, e eu não creio que teria paciência pra resenhar cada um separadamente.
O promeiro livro, Running with the Demon, gira em torno de Nest Freemark, uma guria de 15 anos com poderes mágicos e de Pick, um "sylvan" (um tipo de gnomo protetor da natureza, feito de algum tipo de substância vegetal) enquanto protetores do parque Sinissipi (não faço idéia de como se escreve o nome do parque; eu só escutei o livro, afinal de contas!). A história se passa nos cinco dias que antecedem o quatro de julho de um ano próximo à virada do milênio - mas temos uma série de problemas de cronologia aqui; um dos personagens secundários do livro é um ex-combatente da Guerra do Vietnã, mas em um dado momento do segundo livro Nest estã se preparando pra competir nas olimpíadas de Melbourne (que aconteceu em 1956) então não dá pra confiar muito nas datações... - e gira em torno do aparecimento de um demônio em Hopewell (a cidade onde Nest mora e onde fica o tal parque) com planos obscuros e do Cavaleiro da Palavra John Ross, cuja missão é destruir a criatura.
O segundo livro, A Knight of the Word se passa cerca de 4 anos depois, em Seattle, alguns dias antes do Halloween. John Ross, em algum momento entre este e o livro anterior falhou em uma missão como Cavaleiro da Palavra e decide "deixar o cargo". Mas um demônio decide alista-lo como uma das forças do Vazio, e assim, Nest Freemark acaba, relutantemente, sendo convencida pelas forças da Palavra à ir ajudar o Cavaleiro, indo à Seattle para descobrir o que aconteceu com Ross, tentar dissuadí-lo da idéia de abandonar o cargo e, consequentemente, enfrentar o tal demônio ao lado do Cavaleiro - tudo isso em alguns dias de férias de seus treinamentos para participar dos jogos olímpicos da Austrália.
O terceiro livro, que ocorre 10 anos depois do antecessor, lida com eventos previstos por John Ross em um sonho profético e sua caçada à um Gypsy Morph - um tipo de fenômeno extremamente raro que ocorre quando uma grande quantidade de magia se "aglutina" em um dado local, por um curto espaço de tempo. Depois de encontrar o tal fenômeno, que passa por uma série de transformações físicas (passando de uma revoada de borboletas de luz, um furão, um gato e outras criaturas) se transforma em um piá que só sabe dizer "Nest", o que leva nosso cavaleiro à procurar a senhorita Freemark - agora uma medalista olímpica reconhecida e aposentada - mais uma vez.
Apesar das histórias do segundo e terceiro livros serem interessantes - a do primeiro é puramente um "jogo de gato e rato" mágico sem muita coisa realmente acontecendo - eu admito que a narrativa dos livros me aborreceu. Eles são arrastados e não acontece lá muita coisa exceto uma sucessão de desinformações e pistas falsas que fazem os personagens andarem em círculos até que a história se resolva meio que "por acaso" no final. O final do terceiro livro tem algumas cenas interessantes, mas o demônio presente nesse livro faz um bocado de asneiras sem sentido que dão vantagens completamente sem sentido pros protagonistas - incluindo "poupar a vida" da Nest no final, num momento de extrema forçação de barra por parte do autor.
Outra coisa que me aborreceu profundamente nos livros é a presença de demônios. Vejam: Esse livro é, teoricamente, a "prequel definitiva" do cenário de Shannara. Nesse cenário, os demônios foram aprisionados milênios atrás, numa guerra entre forças não muito bem explicadas, e mantidos em sua prisão pela Elcryst, uma árvore mágica. Bom, essa tal guerra já aconteceu, e os demônios já foram aprisionados. No entanto, eles estão por aí, dando essa banda pelo mundo. Nenhuma explicação é dada sobre esses serem demônios que "escaparam" à toda-poderosa magia da Elcryst ou se são um novo tipo de demônio (cujo tempo de existência foi extremamente curto, já que eles não aparecem nos livros da trilogia original de Shannara). Achei essa parte extremamente confusa e honestamente desnecessária - eles pdiam pelo menos ter dado um nome diferente ´pros bichos. Sei lá, "devils", que fosse! Pelo menos pra diferenciar eles dos "outros" demônios. É demônio demais pra um cenário só...
Finalmente, temos ainda uma série de "coisas" que "sempre estiveram aí" e não aparecem nos livros posteriores (isto é, depois dessa trilogia e da próxima, Genesis of shannara), como os Feeders (coisinhas que se alimentam de dor e sofrimento e existem onde quer que hajam humanos) e as forças da Palavra (seus cavaleiros, a Lady of the Word [ou a Voz da Palavra] e as outras criaturas mágicas da palavra, como as tais Tatterdemalions).
Muita coisa "solta" pro meu gosto.
Apesar de ser uma "prequel" do cenário de shannara, definitivamente não indico a leitura (ou a "escutação") desses livros à ninguém.
O promeiro livro, Running with the Demon, gira em torno de Nest Freemark, uma guria de 15 anos com poderes mágicos e de Pick, um "sylvan" (um tipo de gnomo protetor da natureza, feito de algum tipo de substância vegetal) enquanto protetores do parque Sinissipi (não faço idéia de como se escreve o nome do parque; eu só escutei o livro, afinal de contas!). A história se passa nos cinco dias que antecedem o quatro de julho de um ano próximo à virada do milênio - mas temos uma série de problemas de cronologia aqui; um dos personagens secundários do livro é um ex-combatente da Guerra do Vietnã, mas em um dado momento do segundo livro Nest estã se preparando pra competir nas olimpíadas de Melbourne (que aconteceu em 1956) então não dá pra confiar muito nas datações... - e gira em torno do aparecimento de um demônio em Hopewell (a cidade onde Nest mora e onde fica o tal parque) com planos obscuros e do Cavaleiro da Palavra John Ross, cuja missão é destruir a criatura.
O segundo livro, A Knight of the Word se passa cerca de 4 anos depois, em Seattle, alguns dias antes do Halloween. John Ross, em algum momento entre este e o livro anterior falhou em uma missão como Cavaleiro da Palavra e decide "deixar o cargo". Mas um demônio decide alista-lo como uma das forças do Vazio, e assim, Nest Freemark acaba, relutantemente, sendo convencida pelas forças da Palavra à ir ajudar o Cavaleiro, indo à Seattle para descobrir o que aconteceu com Ross, tentar dissuadí-lo da idéia de abandonar o cargo e, consequentemente, enfrentar o tal demônio ao lado do Cavaleiro - tudo isso em alguns dias de férias de seus treinamentos para participar dos jogos olímpicos da Austrália.O terceiro livro, que ocorre 10 anos depois do antecessor, lida com eventos previstos por John Ross em um sonho profético e sua caçada à um Gypsy Morph - um tipo de fenômeno extremamente raro que ocorre quando uma grande quantidade de magia se "aglutina" em um dado local, por um curto espaço de tempo. Depois de encontrar o tal fenômeno, que passa por uma série de transformações físicas (passando de uma revoada de borboletas de luz, um furão, um gato e outras criaturas) se transforma em um piá que só sabe dizer "Nest", o que leva nosso cavaleiro à procurar a senhorita Freemark - agora uma medalista olímpica reconhecida e aposentada - mais uma vez.
Apesar das histórias do segundo e terceiro livros serem interessantes - a do primeiro é puramente um "jogo de gato e rato" mágico sem muita coisa realmente acontecendo - eu admito que a narrativa dos livros me aborreceu. Eles são arrastados e não acontece lá muita coisa exceto uma sucessão de desinformações e pistas falsas que fazem os personagens andarem em círculos até que a história se resolva meio que "por acaso" no final. O final do terceiro livro tem algumas cenas interessantes, mas o demônio presente nesse livro faz um bocado de asneiras sem sentido que dão vantagens completamente sem sentido pros protagonistas - incluindo "poupar a vida" da Nest no final, num momento de extrema forçação de barra por parte do autor.
Outra coisa que me aborreceu profundamente nos livros é a presença de demônios. Vejam: Esse livro é, teoricamente, a "prequel definitiva" do cenário de Shannara. Nesse cenário, os demônios foram aprisionados milênios atrás, numa guerra entre forças não muito bem explicadas, e mantidos em sua prisão pela Elcryst, uma árvore mágica. Bom, essa tal guerra já aconteceu, e os demônios já foram aprisionados. No entanto, eles estão por aí, dando essa banda pelo mundo. Nenhuma explicação é dada sobre esses serem demônios que "escaparam" à toda-poderosa magia da Elcryst ou se são um novo tipo de demônio (cujo tempo de existência foi extremamente curto, já que eles não aparecem nos livros da trilogia original de Shannara). Achei essa parte extremamente confusa e honestamente desnecessária - eles pdiam pelo menos ter dado um nome diferente ´pros bichos. Sei lá, "devils", que fosse! Pelo menos pra diferenciar eles dos "outros" demônios. É demônio demais pra um cenário só...
Finalmente, temos ainda uma série de "coisas" que "sempre estiveram aí" e não aparecem nos livros posteriores (isto é, depois dessa trilogia e da próxima, Genesis of shannara), como os Feeders (coisinhas que se alimentam de dor e sofrimento e existem onde quer que hajam humanos) e as forças da Palavra (seus cavaleiros, a Lady of the Word [ou a Voz da Palavra] e as outras criaturas mágicas da palavra, como as tais Tatterdemalions).
Muita coisa "solta" pro meu gosto.
Apesar de ser uma "prequel" do cenário de shannara, definitivamente não indico a leitura (ou a "escutação") desses livros à ninguém.
quarta-feira, 3 de fevereiro de 2016
The Wishsong of Shannara
Concluindo a trilogia original dos livros da série de Shannara, este foi meu terceiro audiobook - que, alias, tem sido uma experiência excelente!
Eu não cheguei a comentar antes, mas tanto este quanto os dois livros anteriores foram lidos pelo Scott Brik que, além de ser um excelente narrador (tendo ganho alguns prêmios nessa categoria) também é ator e escritor. Eu não conheço o sujeito de nome, mas parece que ele é bem famoso, pelo menos lá na terra do tio Sam.
Enfim!
Esse livro, como eu disse acima, encerra a trilogia de livros iniciada em Sword of Shannara, e acompanha mais um membro da família Ohmsfert em suas aventuras pra salvar o mundo.
Ah, deixa eu fazer o aviso amigo: Adiante, revelações sobre a trama! Poucas e leves, mas estão lá.
Apesar do segundo livro ser considerado o melhor dos três (o primeiro sendo visto por muitos como uma cópia deslavada de Senhor dos Anéis e o terceiro, por algum motivo, sendo simplesmente taxado como "um pouco inferior") eu devo dizer que, pessoalmente, achei esse livro o melhor eles, disparado. Brooks é excelente em criar personagens atraentes, e este livro tem os melhores personagens da série, na minha humilde opinião. Além disso, este livro tem uma maior quantidade de magia, incluindo protagonistas com poderes mágicos inatos - e extremamente originais!
Também gostei muito de como a história é levada. Todos os três livros tem várias sub-tramas e níveis de revelações diferentes, e apesar deste aqui ser bem mais direto do que os outros, a idéia de dois grupos separados tentando chegar no mesmo lugar, com um objetivo semelhante foi muito divertida!
Além disso, esse é o livro com a maior quantidade de "mortes por página" da trilogia, disparado! O que morre de personagem nesse livro é um troço impressionante! Temos algumas mortes heroicas, alguns sacrifícios, algumas mortes honradas e algumas realmente inesperadas. A sensação de "puta merda, ninguém vai sair vivo dessa!' foi bastante presente no livro, e no final, deu uma agonia a medida que eu fiquei torcendo pra esse ou aquele personagem não morrer.
Esse livro também é o menor dos três, e a leitura dele demorou cerca de 20 horas e meia - duas horas a menos do que o livro anterior e seis a menos do que o primeiro. É pena que eles não digam quantas páginas o livro tem no começo ou no final da narração. Seria um dado interessante.
Bom, como eu já disse, pra mim esse é o melhor dos três livros, e portanto leitura (ou "audição", como no meu caso" fortemente recomendada! Assim como os outros dois livros, esse não tem versão em português, mas considerando a série da MTV baseada no segundo livro, a probabilidade de termos uma tradução é bem grande! Tomara!
Eu não cheguei a comentar antes, mas tanto este quanto os dois livros anteriores foram lidos pelo Scott Brik que, além de ser um excelente narrador (tendo ganho alguns prêmios nessa categoria) também é ator e escritor. Eu não conheço o sujeito de nome, mas parece que ele é bem famoso, pelo menos lá na terra do tio Sam.
Enfim!
Esse livro, como eu disse acima, encerra a trilogia de livros iniciada em Sword of Shannara, e acompanha mais um membro da família Ohmsfert em suas aventuras pra salvar o mundo.
Ah, deixa eu fazer o aviso amigo: Adiante, revelações sobre a trama! Poucas e leves, mas estão lá.
Apesar do segundo livro ser considerado o melhor dos três (o primeiro sendo visto por muitos como uma cópia deslavada de Senhor dos Anéis e o terceiro, por algum motivo, sendo simplesmente taxado como "um pouco inferior") eu devo dizer que, pessoalmente, achei esse livro o melhor eles, disparado. Brooks é excelente em criar personagens atraentes, e este livro tem os melhores personagens da série, na minha humilde opinião. Além disso, este livro tem uma maior quantidade de magia, incluindo protagonistas com poderes mágicos inatos - e extremamente originais!
Também gostei muito de como a história é levada. Todos os três livros tem várias sub-tramas e níveis de revelações diferentes, e apesar deste aqui ser bem mais direto do que os outros, a idéia de dois grupos separados tentando chegar no mesmo lugar, com um objetivo semelhante foi muito divertida!
Além disso, esse é o livro com a maior quantidade de "mortes por página" da trilogia, disparado! O que morre de personagem nesse livro é um troço impressionante! Temos algumas mortes heroicas, alguns sacrifícios, algumas mortes honradas e algumas realmente inesperadas. A sensação de "puta merda, ninguém vai sair vivo dessa!' foi bastante presente no livro, e no final, deu uma agonia a medida que eu fiquei torcendo pra esse ou aquele personagem não morrer.
Esse livro também é o menor dos três, e a leitura dele demorou cerca de 20 horas e meia - duas horas a menos do que o livro anterior e seis a menos do que o primeiro. É pena que eles não digam quantas páginas o livro tem no começo ou no final da narração. Seria um dado interessante.
Bom, como eu já disse, pra mim esse é o melhor dos três livros, e portanto leitura (ou "audição", como no meu caso" fortemente recomendada! Assim como os outros dois livros, esse não tem versão em português, mas considerando a série da MTV baseada no segundo livro, a probabilidade de termos uma tradução é bem grande! Tomara!
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AudioBooks
Como eu disse na resenha de Sword of Shannara, eu recentemente iniciei minha peregrinação pelo mundo dos audiobooks. Como eu disse na supracitada resenha, eu já tinha conhecimento da existência dos tais audiobooks, mas nunca tinha pensado em me aventurar neles - por nenhuma razão em especial; eu simplesmente nunca parei pra realmente pensar no assunto. Recentemente, no entanto, eu fiquei extremamente curioso com a série de livros de Terry Brooks sobre Shannara - eu já tinha ouvido falar sobre os livros, mas admito que foi a séria da MTV que me atiçou o suficiente pra ir atrás deles de fato.
Enquanto procurava a série baseada nos livros, acabei trupicando nos audiobooks. Considerando que eu não tenho nenhum desses aparelhinhos eletrônicos pra ler livros apropriadamente - e já tendo tentado sem sucesso ler livros longos no micro - decidi que seria uma experiência interessante tentar. Considerando o tempo que ia levar pra donaldear um desses livros de áudio, a tentativa era mais do que válida. O máximo que podia acontecer é eu não entender nada do áudio e simplesmente ter jogado alguns minutos fora.
Além disso, eu estou com uma montanha de trabalho atrasado, e não queria gastar horas a fio em leitura - é, eu gasto coisa de uma hora por dia lendo; esse tempo tem sido precioso pro trabalho.
Encontrei facilmente a série original dos livros de Shannara em versão de áudio lidas pelo Scott Brik, que é um narrador tão fantástico que já baixei outros livros que ele narrou - mas, por enquanto, sigo escutando a série de Shannara.
O ponto negativo dessa coisa toda é que eu acabei voltando à minha vida de pirataria, já que eu não tenho aparelho de k7 (sim, aparentemente todos os audiobooks são em fita k7! - e mesmo que tivesse, não tenho um cartão (nem dinheiro) pra mandar vir os audiobooks da gringolândia. Então, paciência, The Pirate Bay, aqui estou eu de volta...
Mas estou desviando do assunto!
O fato é que os tais audiobooks são fantásticos! Tenho ouvido uma média de um livro a cada três dias - tão rápido que nem tenho tempo de resenhar todos (estou resenhando eles em grupos, agora, ao invés de individualmente, como fiz com a trilogia original de Shannara).
O principal motivo pra isso é que eu consigo escutar os livros enquanto trabalho. Apesar de precisar de alguns minutos pra criar a idéia geral de uma ilustração, desenhar, arte-finalizar, escannear e colorizar são todos processos meio automáticos pra mim, então consigo prestar atenção nos livros com facilidade. Como cada "fita" tem mais ou menos 45 minutos de duração (o livro vem em vários arquivos de audio separados, um pra cada lado da fita) eu geralmente uso os intervalos entre colocar uma fita nova ou virar a anterior de lado (no sentido figurado, é claro) pra preparar ilustrações, e faço a parte mecânica toda durante a narração.
Pra além de me dar acesso à uma enormidade de novas histórias, os audiobooks, que já se tornaram parte da minha rotina, agora, criaram algumas interessantes reações no meu dia-a-dia. Primeiro, descobri que levo mais ou menos três horas pra fazer uma ilustração simples *um personagem sem fundo, desenhando, arte-finalizado e colorizado) coisa que eu não fazia idéia antes - e admito que estou curioso pra tentar ilustrações mais complexas, de página inteira, pra saber o tempo médio que vou levar! Além disso, as pausas entre um lado e outro da fita se tornaram uma espécie de "marcapasso" no meu trabalho. Enquanto a fita está rodando, eu não paro de trabalhar, e percebi que tenhoo uma tendência imensa a fazer pequenas pausas (pra fumar, fazer café, beliscar comida, esticar os músculos...) que eu "controlo" pra coincidirem com os intervalos das fintas - o que, provavelmente, melhorou bastante o meu rendimento. Além disso, descobri que sou um workaholic. Trabalho 12 horas por dia, em média, antes de cansar! Com pausas de, em média, 5 minutos a cada 45 minutos, pra "aleatoriedades", incluindo comer - minhas refeiçoes levam um pouco mais de tempo, em média 10 minuto, já que em geral eu preparo a comida pro dia inteiro de uma vez só, depois que paro de trabalhar.
Outra contribuição itneressante é que, como mestre de RPG, escutar essas narrações não deixa de ser um excelente exercício de extrapolação e de análise de onde e como narrativas de cenas e cenários funcionam ou não. Além disso, alguns hábitos narrativos de um ou outro narradores também são interessantes de perceber - particularmente como NÃO interpretar crianças e mulheres com voz fina quando o sujeito tem uma voz grave!
É claro, nem tudo são flores. Como um audiobook não tem páginas, não dá pra reler um paragrafo que ficou dúbio (o que, surpreendentemente, não acontece quase nunca; obrigado, Terry Brooks por uma escrita simples e direta!) o que me obriga as vezes a parar pra voltar um pedaço de gravação grande, já que em um tempo total de 45 minutos é complicado achar o ponto exato onde uma idéia começa a se perder. Além disso, como não há maiúsculas no áudio, as vezes uma idéia pode ser completamente mal interpretada; em um determinado momento do Elfstones of Shannara, enquanto o exército de elfos encontram o exército inimigo, no começo da manhã, há uma longa descrição do campo de batalha adiante, e ao final da descrição... Eles se preparam pra montar acampamento pra passar a noite! Acontee que eu interpretei mal uma palavra. A descrição é mais ou menos algo como "and then, ahead, they see the break line, towering over the horizon, extending as far as the eye can see" e continua com uma descrição dos arredores (ou, foi o que eu achei). Como o exército inimigo era virtualmente impossível de derrotar, considerando o seu número, eu interpretei que eles tinham chegado num ponto em que avistaram o imenso exército inimigo espalhado na planície a frente. Mas acontece que Breakline era o nome da cordilheira de montanhas que eles tinham que atravessar pra confrontar o e´xercito inimigo, e o resto da descrição era, na verdade, a região por ode eles ainda estavam viajando. Claro, esse tipo de coisa acontece pouco (duas vezes, até agora, em 7 livros) mas quando acontece é bastaaante confuso!
Enfim!
Estou começando agora a terceira série de livros de Shannara (depois da trilogia original de livros, resolvi começar a ler os eventos em ordem cronológica ao invés de seguir a ordem de publicação porque eu prefiro as coisas organizadas) e tem sido uma experiência realmente divertida! Espero conseguir um suprimento considerável de livros pra manter o hábito da "leitura em áudio", porque realmente tenho gostado muito. Recomendo que, aqueles com um bom ouvido pra inglês experimentem também (particularmente, sugiro que escutem alguma coisa narrada pelo Scott Briks; ele é realmente excelente!).
Dito isso tudo, vou voltar pro trabalho - e pro livro que estou ouvindo!
Enquanto procurava a série baseada nos livros, acabei trupicando nos audiobooks. Considerando que eu não tenho nenhum desses aparelhinhos eletrônicos pra ler livros apropriadamente - e já tendo tentado sem sucesso ler livros longos no micro - decidi que seria uma experiência interessante tentar. Considerando o tempo que ia levar pra donaldear um desses livros de áudio, a tentativa era mais do que válida. O máximo que podia acontecer é eu não entender nada do áudio e simplesmente ter jogado alguns minutos fora.
Além disso, eu estou com uma montanha de trabalho atrasado, e não queria gastar horas a fio em leitura - é, eu gasto coisa de uma hora por dia lendo; esse tempo tem sido precioso pro trabalho.
Encontrei facilmente a série original dos livros de Shannara em versão de áudio lidas pelo Scott Brik, que é um narrador tão fantástico que já baixei outros livros que ele narrou - mas, por enquanto, sigo escutando a série de Shannara.
O ponto negativo dessa coisa toda é que eu acabei voltando à minha vida de pirataria, já que eu não tenho aparelho de k7 (sim, aparentemente todos os audiobooks são em fita k7! - e mesmo que tivesse, não tenho um cartão (nem dinheiro) pra mandar vir os audiobooks da gringolândia. Então, paciência, The Pirate Bay, aqui estou eu de volta...
Mas estou desviando do assunto!
O fato é que os tais audiobooks são fantásticos! Tenho ouvido uma média de um livro a cada três dias - tão rápido que nem tenho tempo de resenhar todos (estou resenhando eles em grupos, agora, ao invés de individualmente, como fiz com a trilogia original de Shannara).
O principal motivo pra isso é que eu consigo escutar os livros enquanto trabalho. Apesar de precisar de alguns minutos pra criar a idéia geral de uma ilustração, desenhar, arte-finalizar, escannear e colorizar são todos processos meio automáticos pra mim, então consigo prestar atenção nos livros com facilidade. Como cada "fita" tem mais ou menos 45 minutos de duração (o livro vem em vários arquivos de audio separados, um pra cada lado da fita) eu geralmente uso os intervalos entre colocar uma fita nova ou virar a anterior de lado (no sentido figurado, é claro) pra preparar ilustrações, e faço a parte mecânica toda durante a narração.
Pra além de me dar acesso à uma enormidade de novas histórias, os audiobooks, que já se tornaram parte da minha rotina, agora, criaram algumas interessantes reações no meu dia-a-dia. Primeiro, descobri que levo mais ou menos três horas pra fazer uma ilustração simples *um personagem sem fundo, desenhando, arte-finalizado e colorizado) coisa que eu não fazia idéia antes - e admito que estou curioso pra tentar ilustrações mais complexas, de página inteira, pra saber o tempo médio que vou levar! Além disso, as pausas entre um lado e outro da fita se tornaram uma espécie de "marcapasso" no meu trabalho. Enquanto a fita está rodando, eu não paro de trabalhar, e percebi que tenhoo uma tendência imensa a fazer pequenas pausas (pra fumar, fazer café, beliscar comida, esticar os músculos...) que eu "controlo" pra coincidirem com os intervalos das fintas - o que, provavelmente, melhorou bastante o meu rendimento. Além disso, descobri que sou um workaholic. Trabalho 12 horas por dia, em média, antes de cansar! Com pausas de, em média, 5 minutos a cada 45 minutos, pra "aleatoriedades", incluindo comer - minhas refeiçoes levam um pouco mais de tempo, em média 10 minuto, já que em geral eu preparo a comida pro dia inteiro de uma vez só, depois que paro de trabalhar.
Outra contribuição itneressante é que, como mestre de RPG, escutar essas narrações não deixa de ser um excelente exercício de extrapolação e de análise de onde e como narrativas de cenas e cenários funcionam ou não. Além disso, alguns hábitos narrativos de um ou outro narradores também são interessantes de perceber - particularmente como NÃO interpretar crianças e mulheres com voz fina quando o sujeito tem uma voz grave!
É claro, nem tudo são flores. Como um audiobook não tem páginas, não dá pra reler um paragrafo que ficou dúbio (o que, surpreendentemente, não acontece quase nunca; obrigado, Terry Brooks por uma escrita simples e direta!) o que me obriga as vezes a parar pra voltar um pedaço de gravação grande, já que em um tempo total de 45 minutos é complicado achar o ponto exato onde uma idéia começa a se perder. Além disso, como não há maiúsculas no áudio, as vezes uma idéia pode ser completamente mal interpretada; em um determinado momento do Elfstones of Shannara, enquanto o exército de elfos encontram o exército inimigo, no começo da manhã, há uma longa descrição do campo de batalha adiante, e ao final da descrição... Eles se preparam pra montar acampamento pra passar a noite! Acontee que eu interpretei mal uma palavra. A descrição é mais ou menos algo como "and then, ahead, they see the break line, towering over the horizon, extending as far as the eye can see" e continua com uma descrição dos arredores (ou, foi o que eu achei). Como o exército inimigo era virtualmente impossível de derrotar, considerando o seu número, eu interpretei que eles tinham chegado num ponto em que avistaram o imenso exército inimigo espalhado na planície a frente. Mas acontece que Breakline era o nome da cordilheira de montanhas que eles tinham que atravessar pra confrontar o e´xercito inimigo, e o resto da descrição era, na verdade, a região por ode eles ainda estavam viajando. Claro, esse tipo de coisa acontece pouco (duas vezes, até agora, em 7 livros) mas quando acontece é bastaaante confuso!
Enfim!
Estou começando agora a terceira série de livros de Shannara (depois da trilogia original de livros, resolvi começar a ler os eventos em ordem cronológica ao invés de seguir a ordem de publicação porque eu prefiro as coisas organizadas) e tem sido uma experiência realmente divertida! Espero conseguir um suprimento considerável de livros pra manter o hábito da "leitura em áudio", porque realmente tenho gostado muito. Recomendo que, aqueles com um bom ouvido pra inglês experimentem também (particularmente, sugiro que escutem alguma coisa narrada pelo Scott Briks; ele é realmente excelente!).
Dito isso tudo, vou voltar pro trabalho - e pro livro que estou ouvindo!
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sábado, 23 de janeiro de 2016
The Elfstones of Shannara
Esse livro, continuação de Sword of Shannara e parte integrante da trilogia ooriginal de livros desse cenário escritos por Terry Brooks veio junto com o livro anterior num pacotão de audiobooks em "fita k-7" - sempre acho engraçado quando termina uma parte da gravação e o narrador pede pro ouvinte virar a fita - que peguei quando me interessei pelo assunto. De fato, gostei tanto da experiência com audiobooks que, mal terminei de resenhar o livro anterior que tinha ouvido, já comecei este - e estou ansioso pra terminar essa resenha e ir pro próximo livro da trilogia de Shannara!
Esse livro, a continuação de Sword of shannara, é o segundo livro da assim chamada "trilogia original de Shannara" que são, basicamente, os três primeiros livros que Terry Brooks escreveu dentro desse cenário no final da década de 70. Esse livro me interessava ainda mais do que o primeiro por conta da série da MTV que adaptou os livros, e, como eu disse, foi parte do que me levou a catar esses audiobooks.
E, como já se podia esperar, a adaptação guarda pouquíssimas semelhanças com o livro original fora os nomes de personagens e lugares.
Ah, e aquele aviso amigo: Haverão revelações sobre a trama adiante!
A primeira coisa que eu já tinha notado com relação à série dizia respeito ao druida Allanon. Nos livros, ele é um "Uma gigantesca figura negra se assomando sobre os outros ao redor, com sua presença proibitiva". Sempre vestido em seus robes negros, com cara de poucos amigos, medindo mais de 2,10 de altura (sete pés no original) ele é sempre descrito como inquietante e amedrontador. O Allanon da série é um baixinho (ele é mais baixo que o Will, que é um meio-elfo!) fortinho com cara de perdido. Achei lamentável a escolha do ator. Outra coisa que me incomodou muito foi o fato do Will ter sido retratado como um caipira babaca, quado, no livro, ele é o cara que enrola os outros e aparece com os planos mais mirabolantes (que nem sempre dão certo, ok) pra sair de enrascadas. Fora isso, TODAS as relações entre personagens são completamente diferentes... Fora a linha geral da história (a árvore que prende os demônios fora do mundo está morrendo e a última guardiã precisa ser encontrada para restaura-la), a série e o livro não tem nada em comum. Mas ok, isso não invalida a série, que até é divertida, apesar de meio corrida demais (pelo menos os dois episódios que a MTV liberou no youtube). Só é pena que eu tenha escutado os livros porque, é aquela velha história: O livro é muito melhor.
Esse livro tem bem menos personagens importantes do que o Sword of Shannara, focado principalmente em Will Ohmsferd (neto de Shea Ohmsferd, o portador da Espada de Shannara do primeiro livro) Amberle Elessedil (neta de Eventine Elessedil, que também aparece no primeiro livro e também é importante na história), na busca pelo bloodfire que permitirá reviver a aárvore mágica que mantém os Demônios banidos num outro plano de existência. Enquanto isso, Eventine e seu filho Ander Elessedil, ao lado do druda Allanon lutam para conter o avanço dos demônios que conseguem se libertar do Plano Proibido a medida que a Elcryst fica fraca e definha, tornando a barreira mais fraca. Poucos outros personagens têm peso relevante, incluindo Eretria, filha do lider de uma caravana de ladrões de estrada e Stee Jans, o personagem com o nome mais legal do livro, que é basicamente o guerreiro fodão da história.
Elfstones of Shannara me tomou mais ou menos 22 horas e meia pra escutar, e deve muito pouco ao seu antecessor - apesar de, como bem definiu um amigo meu que já leu os livros, a série parecerem com filmes da sessão da tarde, uma definição pertinente que, de forma alguma diminui o divertimento oferecido pelas obras - na verdade, é um grande mérito, do meu ponto de vista!
Assim como Sword of shannara, esse livro nunca foi traduzido para o português, mas recomendo fortemente a leitura pra aqueles que tiverem um bom domínio de inglês - ou a "audição" se alguém se interessar em catar os audiobooks como eu fiz! Divertimento garantido!
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terça-feira, 19 de janeiro de 2016
The Sword of Shannara
Bom, pra começar, esse foi o primeiro livro que eu não li. Eu ouvi. Já há algum tempo eu tinha ouvido falar sobre audiobooks, mas nunca tinha pensado em me aventurar neles. Recentemente, no entanto, eu fiquei extremamente curioso com a séie de livros de Terry Brooks sobre Shannara - eu já tinha ouvido falar sobre os livros, mas admito que foi a séria da MTV que me atiçou o suficiente pra ir deles de fato.
Eventualmente vou falar sobre os "porques" e "comos" acabei pegando esse livro em audio, mas o assunto é suficientemente extenso pra uma postagem própria, então vou me ater ao livro em si aqui, ao invés da questão sobre audiobooks.
Ah, sim: Haverão revelações sobre a trama adiante. Apesar de eu não entregar coisas importantes, haverá uma boa série de revelações, deixo avisado.
Como escutei o livro ao invés de ler, não tenho idéia de quantas páginas tem o livro original - o audiobook que peguei tinha cerca de 26 horas e meia de audio. Como escutei quase todo o tempo enquanto trabalhava - exceto uma pequena parte no início do audio pra me acostumar e depois a hora final, que eu queria realmente aproveitar - eu praticamente nem me dei conta do tempo decorrido, e levei só 3 dias pra ouvir o livro todo.
Com relação ao livro em, si, admito que, nas primeiras horas, achei que seria uma espécie de "Senhor dos Anéis às avessas", com um grupo de personagens atrás de um artefato ligado ao Lorde Negro do Mal que comandava exércitos ao invés de tentando destruir um artefato ligado ao Lorde Negro do Mal que comandava exércitos. Após algum tempo, no entanto, me dei conta que Sword of Shannara é bem mais que isso.
A história se inicia com Flick Ohmsford encontrando o mago/guia/mentor do livro (que é um filho-da-puta enganador, secretista e intimidador ao contrário do que se espera) e, ao lado dele, indo até o irmão adotivo de Flick, Shea, que é um meio-elfo. O nosso druida (é, ele é um druida, não um mago) revela que Shea é basicamente o sujeito destinado a derrotar o Lorde Negro do Mal (que na verdade se chama "warlock Lord; eu só uso a alcunha Lorde Negro do Mal pra qualquer vilão malvado de séries), e a coisa começa a tomar uma forma mais ou menos lógica de formar um grupo e ir atrás do artefato. Nada de muito novo até aqui.
O grupo em si, na verdade, vai se formando aos poucos, e acaba se desmontando, reformando, mudando e alterando ao longo do livro todo. Gente morre, mais gente se junta á campanha, é uma coisa maluca tentar lembrar do nome de todo mundo (são oito pessoas no grupo original, depois o grupo se separa e de um lado entram mais dois e do outro nós temos um monte de gente nova por que se junta ao esforço de guerra). Sim, tem uma guerra. Nosso Lorde Negro do Mal está tentando conquistar a Terra-Mé... Digo! As Quatro Terras (Four Lands no original), afinal de contas. Alguns personagens são extremamente carismáticos - num grupo desse tamanho, alguns recebem mais atenção, também - e outros nem tanto. O Druida, Allanon, é tão carismático como uma ratazana (uma ratazana enorme, mas ainda assim, uma ratazana) mas ele é o personagem que amarra as pontas da história, então eu acabei ficando o tempo todo esperando as partes que ele ia aparecer e enrolar o pessoal mas um pouco. O desgraçado solta todas as informações aos pedaços, e quase sempre esconde um monte de informações que parecem interessantes (por exemplo: Qual a história dos Elfos? Porque eles são diferentes das outras raças em sua origem? Bom, espero descobrir nos próximos livros...). Mas os modos enigmáticos dele servem um propósito - Que geralmente me faziam pensar "Ah, por isso ele não explicou essa parte desde o início!".
A busca pelo tal artefato (a Espada de Shannara, obviamente) em si não é nada novo. Mas o jeito que é contado, com os vais e vens, os "quases" e as repercussões desses "quases", o sentimento de que a coisa toda vai ir por água abaixo e a expectativa de como a história vai se desenrolar a partir do momento que tudo dá errado (e tudo dá errado quase o tempo todo! O Lorde Negro do Mal do livro é um safado inteligente!) mantém o "leitor" preso à história.
Eu também gostei particularmente das descrições das raças (elfos, humanos, anões, gnomos e trolls) apesar das descrições geográficas em si me parecerem muito monótonas. A história das Four Lands é muito interessante, com uma série de guerras ancestrais entre as raças que têm um peso enorme no atual estado das coisas, e uma divisão política bastante interessante de como as raças se separaram e se tornaram inimigas. A história em si, alias, dá uma sensação de que estamos lidando com uma versão de um futuro distante da nossa terra, depois de uma catástrofe atômica ou algo do gênero! Novamente, espero descobrir mais sobre isso nos outros livros da série.
Sword of Shannara não é particularmente brilhante ou original, principalmente nos dias que correm, onde filmes de fantasia pululam nas telas de cinemas na forma de blockbusters cheios de efeitos especiais, mas ainda assim é uma obra digna, interessante e cativante, cheia de personagens bastante originais.
Apesar de não ter uma versão em português, recomendo fortemente que qualquer um capaz de ler literatura em inglês - ou ouvir literatura em inglês, como eu fiz! - procure por esse livro pra ler. Vale muito a pena!
Eventualmente vou falar sobre os "porques" e "comos" acabei pegando esse livro em audio, mas o assunto é suficientemente extenso pra uma postagem própria, então vou me ater ao livro em si aqui, ao invés da questão sobre audiobooks.
Ah, sim: Haverão revelações sobre a trama adiante. Apesar de eu não entregar coisas importantes, haverá uma boa série de revelações, deixo avisado.
Como escutei o livro ao invés de ler, não tenho idéia de quantas páginas tem o livro original - o audiobook que peguei tinha cerca de 26 horas e meia de audio. Como escutei quase todo o tempo enquanto trabalhava - exceto uma pequena parte no início do audio pra me acostumar e depois a hora final, que eu queria realmente aproveitar - eu praticamente nem me dei conta do tempo decorrido, e levei só 3 dias pra ouvir o livro todo.
Com relação ao livro em, si, admito que, nas primeiras horas, achei que seria uma espécie de "Senhor dos Anéis às avessas", com um grupo de personagens atrás de um artefato ligado ao Lorde Negro do Mal que comandava exércitos ao invés de tentando destruir um artefato ligado ao Lorde Negro do Mal que comandava exércitos. Após algum tempo, no entanto, me dei conta que Sword of Shannara é bem mais que isso.
A história se inicia com Flick Ohmsford encontrando o mago/guia/mentor do livro (que é um filho-da-puta enganador, secretista e intimidador ao contrário do que se espera) e, ao lado dele, indo até o irmão adotivo de Flick, Shea, que é um meio-elfo. O nosso druida (é, ele é um druida, não um mago) revela que Shea é basicamente o sujeito destinado a derrotar o Lorde Negro do Mal (que na verdade se chama "warlock Lord; eu só uso a alcunha Lorde Negro do Mal pra qualquer vilão malvado de séries), e a coisa começa a tomar uma forma mais ou menos lógica de formar um grupo e ir atrás do artefato. Nada de muito novo até aqui.
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| O grupo de aventureiros. Adivinha qual deles é o Druida? |
A busca pelo tal artefato (a Espada de Shannara, obviamente) em si não é nada novo. Mas o jeito que é contado, com os vais e vens, os "quases" e as repercussões desses "quases", o sentimento de que a coisa toda vai ir por água abaixo e a expectativa de como a história vai se desenrolar a partir do momento que tudo dá errado (e tudo dá errado quase o tempo todo! O Lorde Negro do Mal do livro é um safado inteligente!) mantém o "leitor" preso à história.
Eu também gostei particularmente das descrições das raças (elfos, humanos, anões, gnomos e trolls) apesar das descrições geográficas em si me parecerem muito monótonas. A história das Four Lands é muito interessante, com uma série de guerras ancestrais entre as raças que têm um peso enorme no atual estado das coisas, e uma divisão política bastante interessante de como as raças se separaram e se tornaram inimigas. A história em si, alias, dá uma sensação de que estamos lidando com uma versão de um futuro distante da nossa terra, depois de uma catástrofe atômica ou algo do gênero! Novamente, espero descobrir mais sobre isso nos outros livros da série.
Sword of Shannara não é particularmente brilhante ou original, principalmente nos dias que correm, onde filmes de fantasia pululam nas telas de cinemas na forma de blockbusters cheios de efeitos especiais, mas ainda assim é uma obra digna, interessante e cativante, cheia de personagens bastante originais.
Apesar de não ter uma versão em português, recomendo fortemente que qualquer um capaz de ler literatura em inglês - ou ouvir literatura em inglês, como eu fiz! - procure por esse livro pra ler. Vale muito a pena!
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sexta-feira, 15 de janeiro de 2016
Pedaços do Passado
Revirando hoje minha pasta de documentos - sempre achei que isso fosse coisa de gente "adulta", mas na verdade tenho ela desde o meu segundo grau - por um documento que vou precisar nos próximos dias, acabei aproveitando a oportunidade pra escrafunchar um pouco no que tinha ali.
Acontece que, além de documentos, eu guardo tudo o que tem um certo valor sentimental na tal pasta. Foi interessante reencontrar algumas coisas, das quais eu nem lembrava, na verdade.
As mais relevantes - ou interessantes - em ordem cronológica, são:
Janeiro de 1914: Certidão de nascimento do meu avô, escrita a mão (Sim, escrita toda a mão! Numa caligrafia entendível, alias!) diretamente de um cartório de São Lourenço.
Algum momento entre 1900 e 1950 (não sei precisar a data de forma alguma, então vou dar um bom espaço de tempo aí): Recorte de jornal amarelado com fotos do meu bizavô e tio-avô, com a seguinte legenda:
"Estaspando o <<O TEMPO>> na sua edição de aniversário os cliches do coronel Estevam Ziglia e João Ziglia Filho, adeantados rizicultores Rio Grandenses, presta uma homenagem justa a dois homens de trabalho, laboriosos e empreendedores a quem o município deve não resta dúvida uma bela página de serviços em pról da sua vida econômica."
Não conheço o jornal, e mesmo fazendo algumas pesquisas internet afora, não consegui descobrir nenhum jornal com o nome O Tempo no Rio Grande do Sul (tem um jornal com esse nome em Minas, mas obviamente não é o mesmo)
Engraçado que ao lado dessas fotos tem uma notícia bizarra:
"Depois da lua de mel veio a lua de fél - no oitavo dia do consorcio, o casalzinho alarmou a pensão com gritos e ferimenttos
Rio, 17 (A.N) - Na manhã de hoje verificou se numa pensão, situada na rua Afonso Pena 148, uma tragédia passional da qual foram protagonistas um funcionário do Colégio Militar e sua esposa, com quem estava casado faz apenas oito dias.
Realizados os esponsais, o casal de noivos foi alegre e feliz habitar aquela pensão e hoje pela manhã, quando menos se esperava, a cena de sangue fez perturbar a alegria que naquela casa reinava.
A jovem, que se chama Maria Helena Continentino *falta uma parte do jornal* funcionária do Banco do Brasil, como *falta um pedaço do jornal* -rada banhada em *falta um pedaço do jornal* - pertou a pedir *falta um pedaço do jornal* o marido a *fim do que tenho da notícia*
Não sei se as pessoas se mataram ou não, mas admito que sempre fico curioso quando releio esse pedaço de jornal com a foto dos meus antepassados estampada.

06 de Setembro de 1984: Uma pequena folha amarelada, com um poema infantil escrito pela minha avó, com um desenho meu (o da esquerda; notem como eu já era bom em desenhar mãos!) e um dela (a cabeça flutuante da direita).
27 de Setembro de 1990: certificado de conclusão do curso de desenho J.A. Sempre sinto muita vergonha quando vejo a terrível assinatura que eu usava na época...
20 de Setembro de 1990 à 30 de Maio de 1994: Certificados de passagens de faixa Nihon Karate Kiokai (Shotokan). Só tenho três deles, infelizmente, de 5º, 7º e 8º Kyu. Os outros se perderam no tempo.
10 de Junho de 1997: Certificado de participação no curso de iniciação aos quadrinhos, ministrada por ninguém menos do que André Macedo! Um dia ainda mando enquadrar esse troço!
23 de Outubro de 1997: Certificado de participação na Feira de Ciências Feira Mix. Nome terrível, mas me lembro como achei divertido participar de uma feira de ciências! Pra mim isso era coisa de filme, até então - tinha até um vulcãozinho que expelia chocolate derretido!
18 de Agosto de 1998: Comprovante de compra do meu primeiro carro, com o qual posteriormente me acidentei e que me fez desenvolver um terror de dirigir. Engraçado que eu sempre achei que tinha comprado esse carro depois de 2000. Bom, documentos tão aí pra provar que a gente tá errado, né?
Fins de 1999: Lista de aprovados no vestibular pra Artes Visuais, com o meu nome e do um penca de outras pessoas que eu ainda mantenho contato!
20 de Outubro de 2000: Crachá de vendedor de seguros. Pois é, já vendi seguros de vida.
Algum ponto entre 2002 e 2004: Conversas escritas com uma colega de aula durante a faculdade. Algumas são absolutamente insólitas. Uma hora tenho que transcrever algumas aqui! Lembro que eu e essa minha colega tínhamos uma fascinação por nos "corresponder" durante as aulas. Sentávamos um do lado do outro e ficávamos escrevendo e desenhando. E não, nenhum interesse romântico envolvido.
10 de Outubro de 2006: Resultado de exame de gravidez (negativo) da minha namorada na época. Me lembro como foi terrível esperar por esse resultado. Ficou só entre agente, e acho que nunca cheguei a contar pra ninguém que tivemos que fazer esse exame. Bom 10 anos depois, acho que não tenho mais vergonha alguma de admitir que já passei por isso uma vez (e só uma, até hoje).
entre 1998 e 2009: Cartas. Não lembrava que eram tantas. As primeiras eram de completos desconhecidos - eu simplesmente escrevia cartas, escolhia nomes aleatoriamente na lista telefônica e enviava. Alguns deles responderam. Nunca recebi mais de uma resposta da mesma pessoa, por esse processo. Ainda assim, foi uma experiência interessante. Depois tem algumas cartas de amor, trocadas com minha primeira namorada. Essas, não eram enviadas pelo correio - as vezes a gente escondia as cartas no meio das coisas do outro, e esperava pra ver quanto tempo ia levar pra serem encontrada. Depois algumas cartas internacionais (usei o mesmo método das primeiras cartas, mas dessa vez mandei pra fora do país). Me correspondi com um português e uma russa que morava em Amsterdã por algum tempo. Nenhuma das outras cartas que eu enviei tiveram respostas (e eu nem lembro quantas foram), mas esses dois me renderam alguns anos de conversas. Finalmente, mais cartas com outra namorada. Essas eram trocadas pelo correio, mesmo ela morando em Pelotas, inicialmente, embora depois ela tenha se mudado e tenhamos nos correspondido por algum tempo ainda. São poucas, mas foi interessante reler e ver como a paixão inicial se transformou em um carinho profundo mesmo depois de termos terminado.
Oh, sim, há mais lembranças dentro daquela pasta de documentos (como todos os certificados de participação de exposições, os recibos de pagamento da sala onde funcionou o Estúdio 9, mais documentos muito, muito velhos de alguns de meus antepassados, o brazão da família Gay, fotos 3x4 de várias épocas diferentes da minha vida...) mas estes citados acima foram os que hoje, me trouxeram algumas lembranças mais "agudas", digamos.
Além disso, que graça teria se eu falasse de todas as coisas legais que uma pasta de documentos pode conter de uma vez só?
Acontece que, além de documentos, eu guardo tudo o que tem um certo valor sentimental na tal pasta. Foi interessante reencontrar algumas coisas, das quais eu nem lembrava, na verdade.
As mais relevantes - ou interessantes - em ordem cronológica, são:
Janeiro de 1914: Certidão de nascimento do meu avô, escrita a mão (Sim, escrita toda a mão! Numa caligrafia entendível, alias!) diretamente de um cartório de São Lourenço.
Algum momento entre 1900 e 1950 (não sei precisar a data de forma alguma, então vou dar um bom espaço de tempo aí): Recorte de jornal amarelado com fotos do meu bizavô e tio-avô, com a seguinte legenda:
"Estaspando o <<O TEMPO>> na sua edição de aniversário os cliches do coronel Estevam Ziglia e João Ziglia Filho, adeantados rizicultores Rio Grandenses, presta uma homenagem justa a dois homens de trabalho, laboriosos e empreendedores a quem o município deve não resta dúvida uma bela página de serviços em pról da sua vida econômica."
Não conheço o jornal, e mesmo fazendo algumas pesquisas internet afora, não consegui descobrir nenhum jornal com o nome O Tempo no Rio Grande do Sul (tem um jornal com esse nome em Minas, mas obviamente não é o mesmo)
Engraçado que ao lado dessas fotos tem uma notícia bizarra:
"Depois da lua de mel veio a lua de fél - no oitavo dia do consorcio, o casalzinho alarmou a pensão com gritos e ferimenttos
Rio, 17 (A.N) - Na manhã de hoje verificou se numa pensão, situada na rua Afonso Pena 148, uma tragédia passional da qual foram protagonistas um funcionário do Colégio Militar e sua esposa, com quem estava casado faz apenas oito dias.
Realizados os esponsais, o casal de noivos foi alegre e feliz habitar aquela pensão e hoje pela manhã, quando menos se esperava, a cena de sangue fez perturbar a alegria que naquela casa reinava.
A jovem, que se chama Maria Helena Continentino *falta uma parte do jornal* funcionária do Banco do Brasil, como *falta um pedaço do jornal* -rada banhada em *falta um pedaço do jornal* - pertou a pedir *falta um pedaço do jornal* o marido a *fim do que tenho da notícia*
Não sei se as pessoas se mataram ou não, mas admito que sempre fico curioso quando releio esse pedaço de jornal com a foto dos meus antepassados estampada.

06 de Setembro de 1984: Uma pequena folha amarelada, com um poema infantil escrito pela minha avó, com um desenho meu (o da esquerda; notem como eu já era bom em desenhar mãos!) e um dela (a cabeça flutuante da direita).
27 de Setembro de 1990: certificado de conclusão do curso de desenho J.A. Sempre sinto muita vergonha quando vejo a terrível assinatura que eu usava na época...
20 de Setembro de 1990 à 30 de Maio de 1994: Certificados de passagens de faixa Nihon Karate Kiokai (Shotokan). Só tenho três deles, infelizmente, de 5º, 7º e 8º Kyu. Os outros se perderam no tempo.
10 de Junho de 1997: Certificado de participação no curso de iniciação aos quadrinhos, ministrada por ninguém menos do que André Macedo! Um dia ainda mando enquadrar esse troço!
23 de Outubro de 1997: Certificado de participação na Feira de Ciências Feira Mix. Nome terrível, mas me lembro como achei divertido participar de uma feira de ciências! Pra mim isso era coisa de filme, até então - tinha até um vulcãozinho que expelia chocolate derretido!
18 de Agosto de 1998: Comprovante de compra do meu primeiro carro, com o qual posteriormente me acidentei e que me fez desenvolver um terror de dirigir. Engraçado que eu sempre achei que tinha comprado esse carro depois de 2000. Bom, documentos tão aí pra provar que a gente tá errado, né?
Fins de 1999: Lista de aprovados no vestibular pra Artes Visuais, com o meu nome e do um penca de outras pessoas que eu ainda mantenho contato!
20 de Outubro de 2000: Crachá de vendedor de seguros. Pois é, já vendi seguros de vida.
Algum ponto entre 2002 e 2004: Conversas escritas com uma colega de aula durante a faculdade. Algumas são absolutamente insólitas. Uma hora tenho que transcrever algumas aqui! Lembro que eu e essa minha colega tínhamos uma fascinação por nos "corresponder" durante as aulas. Sentávamos um do lado do outro e ficávamos escrevendo e desenhando. E não, nenhum interesse romântico envolvido.
10 de Outubro de 2006: Resultado de exame de gravidez (negativo) da minha namorada na época. Me lembro como foi terrível esperar por esse resultado. Ficou só entre agente, e acho que nunca cheguei a contar pra ninguém que tivemos que fazer esse exame. Bom 10 anos depois, acho que não tenho mais vergonha alguma de admitir que já passei por isso uma vez (e só uma, até hoje).
entre 1998 e 2009: Cartas. Não lembrava que eram tantas. As primeiras eram de completos desconhecidos - eu simplesmente escrevia cartas, escolhia nomes aleatoriamente na lista telefônica e enviava. Alguns deles responderam. Nunca recebi mais de uma resposta da mesma pessoa, por esse processo. Ainda assim, foi uma experiência interessante. Depois tem algumas cartas de amor, trocadas com minha primeira namorada. Essas, não eram enviadas pelo correio - as vezes a gente escondia as cartas no meio das coisas do outro, e esperava pra ver quanto tempo ia levar pra serem encontrada. Depois algumas cartas internacionais (usei o mesmo método das primeiras cartas, mas dessa vez mandei pra fora do país). Me correspondi com um português e uma russa que morava em Amsterdã por algum tempo. Nenhuma das outras cartas que eu enviei tiveram respostas (e eu nem lembro quantas foram), mas esses dois me renderam alguns anos de conversas. Finalmente, mais cartas com outra namorada. Essas eram trocadas pelo correio, mesmo ela morando em Pelotas, inicialmente, embora depois ela tenha se mudado e tenhamos nos correspondido por algum tempo ainda. São poucas, mas foi interessante reler e ver como a paixão inicial se transformou em um carinho profundo mesmo depois de termos terminado.
Oh, sim, há mais lembranças dentro daquela pasta de documentos (como todos os certificados de participação de exposições, os recibos de pagamento da sala onde funcionou o Estúdio 9, mais documentos muito, muito velhos de alguns de meus antepassados, o brazão da família Gay, fotos 3x4 de várias épocas diferentes da minha vida...) mas estes citados acima foram os que hoje, me trouxeram algumas lembranças mais "agudas", digamos.
Além disso, que graça teria se eu falasse de todas as coisas legais que uma pasta de documentos pode conter de uma vez só?
quinta-feira, 14 de janeiro de 2016
A Sexta Parte do Mundo
Em geral, gosto muito dos livros de Arthur C. Clarke. O Fim da Infância, a quadrilogia de Rama (lidos antes do surgimento do Café com Letra), Os Dias Futuros, Terra Imperial e meu favorito até aqui, Contos da Taberna são tods livros que lembro com carinho.
Graças à isso, A Sexta Parte do Mundo foi um proverbial banho de água fria. Nadei contra a correnteza do livro com braçadas cansadas por duas longas semanas. Um livrinho de bolso, com duzentas e poucas paginazinhas. Foi triste.
Adiante, revelações sobre a trama! Preciso falar dos pontos que me desagradaram no livro, e isso significa falar sobre a trama como um todo, incluindo vários pontos essenciais. Se não quer conhecer o conteúdo resumido do livro, é hora de abandonar essa leitura. Lamento.
Primeiro, com relação à datas . Em sua pequenina nota introdutória, Clarke diz que o livro começa 75 anos depois do ano que foi escrito (1957). Isso o situaria em 2032. Só que no final do livro (coisa de uns trinta anos mais tarde, ou seja, por volta de 2060) faz-se menção sobre "ano 4000". Uma discrepância bastante relevante! De fato, essa menção é a única feita no livro de fato, e as evoluções tecnológicas, econômicas e culturais da terra sofreram consideráveis mudanças, e eu não acharia estranho estarmos em algum ponto do quarto milênio, mas a Nota de Clarke me obriva a voltar pro século 21, e isso me incomodou. Tenho algum receio de que o problema tenha sido da tradução, mas não tenho como confirmar.
Enfim!
Outro dos fatores que me incomodou - mais profundamente, alias - é que o livro parece uma série de contos mais ou menos interligados. Tirando o nome dos personagens e o ambiente primariamente subaquático, é difícil fazer uma ligação entre cada uma das "sub-tramas" (entre aspas porque, na verdade, o livro não tem uma trama central). Basicamente, começamos o livro acompanhamos Don Burley em seu encontro com Walter Franklin, um novato com passado misterioso que é muito velho para ser simplesmente um cadete da marinha. Franklin é um personagem apagado, que quase não fala, e a trama na verdade roda ao redor de Don. Essa primeira parte termina com uma tentativa mal sucedida de sicídio pelo astronauta astrofóbico (sim, seu passado secreto era esse; ele sofreu um acidente no espaço e criou uma terrível aversão à viagens espaciais).
Temos um pulo de tempo de alguns anos e passamos a acompanhar Franklin, agora um guarda experiente, em seu dia-a-dia como guarda marinho, numa narrativa considerávelmente chata e honestamente desinteressante, até que ele se depara com um misterioso eco de 60 metros que não consegue desvendar. Essa parte do livro culmina com uma caçada á uma lula gigante (de consideráveis 40 metros) que me incomodou um pouco por ter um olho com cerca de 45 centímetros de diâmetro. Bem, a Mesonychoteuthis hamiltoni, o maior tipo de lula conhecida, pode chegar à 18 metros, e tem um olho com 30 à 40 centímetros di diâmetro. A lula monstruosa de Clarke deveria ter, portanto, um olho com pelo menos o dobro do diâmetro mencionado - aqui, novamente, eu tenho uma desconfiança que foi uma tradução mal feita que resultou nesses números. Um bocado de técnicas de mergulho e séries de mal-funcionamentos de equipamentos numa tentativa falha de criar tensão depois, essa parte do livro termina de forma no máximo morna, com a lula gigante dentro de um navio de pesquisa pra nunca mais ser mencionada.
Depois de pescar a maior lula da história temos Franklin, alguns anos mais velho, caçando sem sucesso o seu misterioso eco de 60 metros do capítulo anterior, num trágico fracasso que culmina na morte de Don Burley. Uma parte do livro que podia ser intensa, mas acaba sendo curta demais, infelizmente. E ninguém descobre o que o tal eco é de fato.
No próximo capítulo temos Franklin, agora diretor do departamento da marinha, às voltas com questões filosófico-religiosas trazidas por um budista que inicia uma campanha contra a exploração de carne de baleias. É interessante notar que, até aqui, nenhum tipo de aspecto religioso é sequer mencionado, e esse capítulo é recheado de explicações de como o budismo se tornou a religião mais importante daquele momento histórico, numa trama meio política que parece distante de tudo o que tinha sido visto até então no livro.
A trama vai um pouco adiante no tempo, e temos nosso protagonista se despedindo de seu filho - que virou astronauta e está indo pra vênus - e depois participando do resgate de um submarino. Tudo meio descolado do resto da trama.
O livro termina com Franklin apoiando o fim da exploração de baleias como gado de corte, algumas reflexões sobre ética e... Fim. O misterioso eco de 60 metros não é explicado, não temos idéia de como as decisões de parar de abater baleias vão impactar a economia mundial, não sabemos o que acontece com nenhum dos personagens da trama.
Em resumo, um livro sem uma trama central, que não vai a lugar algum, apesar de ter algumas reflexões interessantes sobre vegetarianismo, que infelizmente não recebem muita atenção (como, alias, nenhum assunto em particular recebe). Terminei o livro com a impressão que ele não tinha início, meio ou fim. Algumas idéias interessantes, todas mal aproveitadas, com personagens tão interessantes quanto um bando de morsas, e uma impressão de que a tradução foi extremamente incompetente (as pessoas usando o termo "mamute" pra se referirem à humanidade, em alguns momentos ou a mamíferos marinhos em outros, por exemplo, não fez sentido algum ao longo de todo o livro).
E é isso.
Me despeço da coleção Argonauta, provavelmente para sempre, e fico na esperança de que o próximo livro de Clarke que eu leia volte ao padrão de qualidade que eu me acostumei - acho, alias, que vou procurar a quadrilogia de Rama para reler. Parece uma excelente idéia!
Graças à isso, A Sexta Parte do Mundo foi um proverbial banho de água fria. Nadei contra a correnteza do livro com braçadas cansadas por duas longas semanas. Um livrinho de bolso, com duzentas e poucas paginazinhas. Foi triste.
Adiante, revelações sobre a trama! Preciso falar dos pontos que me desagradaram no livro, e isso significa falar sobre a trama como um todo, incluindo vários pontos essenciais. Se não quer conhecer o conteúdo resumido do livro, é hora de abandonar essa leitura. Lamento.
Primeiro, com relação à datas . Em sua pequenina nota introdutória, Clarke diz que o livro começa 75 anos depois do ano que foi escrito (1957). Isso o situaria em 2032. Só que no final do livro (coisa de uns trinta anos mais tarde, ou seja, por volta de 2060) faz-se menção sobre "ano 4000". Uma discrepância bastante relevante! De fato, essa menção é a única feita no livro de fato, e as evoluções tecnológicas, econômicas e culturais da terra sofreram consideráveis mudanças, e eu não acharia estranho estarmos em algum ponto do quarto milênio, mas a Nota de Clarke me obriva a voltar pro século 21, e isso me incomodou. Tenho algum receio de que o problema tenha sido da tradução, mas não tenho como confirmar.
Enfim!
Outro dos fatores que me incomodou - mais profundamente, alias - é que o livro parece uma série de contos mais ou menos interligados. Tirando o nome dos personagens e o ambiente primariamente subaquático, é difícil fazer uma ligação entre cada uma das "sub-tramas" (entre aspas porque, na verdade, o livro não tem uma trama central). Basicamente, começamos o livro acompanhamos Don Burley em seu encontro com Walter Franklin, um novato com passado misterioso que é muito velho para ser simplesmente um cadete da marinha. Franklin é um personagem apagado, que quase não fala, e a trama na verdade roda ao redor de Don. Essa primeira parte termina com uma tentativa mal sucedida de sicídio pelo astronauta astrofóbico (sim, seu passado secreto era esse; ele sofreu um acidente no espaço e criou uma terrível aversão à viagens espaciais).
Temos um pulo de tempo de alguns anos e passamos a acompanhar Franklin, agora um guarda experiente, em seu dia-a-dia como guarda marinho, numa narrativa considerávelmente chata e honestamente desinteressante, até que ele se depara com um misterioso eco de 60 metros que não consegue desvendar. Essa parte do livro culmina com uma caçada á uma lula gigante (de consideráveis 40 metros) que me incomodou um pouco por ter um olho com cerca de 45 centímetros de diâmetro. Bem, a Mesonychoteuthis hamiltoni, o maior tipo de lula conhecida, pode chegar à 18 metros, e tem um olho com 30 à 40 centímetros di diâmetro. A lula monstruosa de Clarke deveria ter, portanto, um olho com pelo menos o dobro do diâmetro mencionado - aqui, novamente, eu tenho uma desconfiança que foi uma tradução mal feita que resultou nesses números. Um bocado de técnicas de mergulho e séries de mal-funcionamentos de equipamentos numa tentativa falha de criar tensão depois, essa parte do livro termina de forma no máximo morna, com a lula gigante dentro de um navio de pesquisa pra nunca mais ser mencionada.
Depois de pescar a maior lula da história temos Franklin, alguns anos mais velho, caçando sem sucesso o seu misterioso eco de 60 metros do capítulo anterior, num trágico fracasso que culmina na morte de Don Burley. Uma parte do livro que podia ser intensa, mas acaba sendo curta demais, infelizmente. E ninguém descobre o que o tal eco é de fato.
No próximo capítulo temos Franklin, agora diretor do departamento da marinha, às voltas com questões filosófico-religiosas trazidas por um budista que inicia uma campanha contra a exploração de carne de baleias. É interessante notar que, até aqui, nenhum tipo de aspecto religioso é sequer mencionado, e esse capítulo é recheado de explicações de como o budismo se tornou a religião mais importante daquele momento histórico, numa trama meio política que parece distante de tudo o que tinha sido visto até então no livro.
A trama vai um pouco adiante no tempo, e temos nosso protagonista se despedindo de seu filho - que virou astronauta e está indo pra vênus - e depois participando do resgate de um submarino. Tudo meio descolado do resto da trama.
O livro termina com Franklin apoiando o fim da exploração de baleias como gado de corte, algumas reflexões sobre ética e... Fim. O misterioso eco de 60 metros não é explicado, não temos idéia de como as decisões de parar de abater baleias vão impactar a economia mundial, não sabemos o que acontece com nenhum dos personagens da trama.
Em resumo, um livro sem uma trama central, que não vai a lugar algum, apesar de ter algumas reflexões interessantes sobre vegetarianismo, que infelizmente não recebem muita atenção (como, alias, nenhum assunto em particular recebe). Terminei o livro com a impressão que ele não tinha início, meio ou fim. Algumas idéias interessantes, todas mal aproveitadas, com personagens tão interessantes quanto um bando de morsas, e uma impressão de que a tradução foi extremamente incompetente (as pessoas usando o termo "mamute" pra se referirem à humanidade, em alguns momentos ou a mamíferos marinhos em outros, por exemplo, não fez sentido algum ao longo de todo o livro).
E é isso.
Me despeço da coleção Argonauta, provavelmente para sempre, e fico na esperança de que o próximo livro de Clarke que eu leia volte ao padrão de qualidade que eu me acostumei - acho, alias, que vou procurar a quadrilogia de Rama para reler. Parece uma excelente idéia!
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