domingo, 13 de novembro de 2016

The Redemption of Althalus

Esse audio book me causa um certo conflito de opiniões. Ele conta a história de Althalus, um ladrão, trapaceiro, gatuno, enrolador e ocasionalmente assassino (quando a situação exige) abençoado com a maior sorte do mundo, o que lhe garante a fama de ser um dos maiores ladrões que já existiu. Essa fama fez com que ele fosse contratado para roubar um artefato misteriosos de uma casa igualmente misteriosa, à beira do fim do mundo. Essa é a premissa básica do livro, magistralmente construída ao longo de seus primeiros capítulos.

Por um lado, achei absolutamente fascinante como os Eddings conseguiram me fazer simpatizar tanto com um criminosos contumaz como Althalos. Não costumo gostar de personagens ardilosos, particularmente os criminosos. Mas Althalos é tão bem construído que ao final do primeiro capítulo, mesmo sabendo que as coisas não podiam ser assim tão simples, eu já estava torcendo por ele.

Além de um protagonista que tem tudo pra ser extremamente interessante, a história conta com um gato falante e uma casa única, com vários conceitos bastante interessantes - se não originais - em um romance de fantasia que definitivamente fazem o leitor querer ir adiante na leitura.

O narrador do livro Hayard Morse é excelente. Apesar de suas vozes femininas não serem particularmente brilhantes, ele adiciona não só diferenças de tonalidades aos personagens que está narrando mas também adiciona sotaques e, pelo que pude perceber, nunca se perde com relação à "quem-fala-de-que-jeito". Espero ouvir mais audios dele (ele narrou alguns livros do Bernard Corwell, então acho que devo encontrar com ele mais vezes por aí).

Infelizmente, no entanto, o livro tem alguns problemas.

primeiro, o número de localidades e principalmente coadjuvantes (eu consigo lembrar de umas 20 personagens relevantes pra trama assim, num piscar de olhos) fazem com que seja extremamente difícil conseguir manter todas as informações bem organizadas. Isso é particularmente verdade com relação à audio books. Se estivesse lendo um livro, provavelmente teria começado a anotar nomes de localidades e personagens assim que o quinto ou sexto nome de cada fosse mencionado. Mas como geralmente escuto enquanto estou praticando alguma outra atividade (como ir de um lugar ao outro, desenhar ou cortar grama) isso é impraticável. Assim, além de ter me atrapalhado com o nome de vários personagens coadjuvantes (que, pra piorar, as vezes têm mais de um nome!) ainda por cima é muito difícil se apegar a qualquer um deles, já que eles não tem desenvolvimento suficiente ao longo do livro pra serem mais do que um simples conceito ("Ok, esse aí é o clérigo", "Ah, essa é a bruxa", "Hum esse é o chefe do clã que gosta de cerveja - ou é o que gosta mais de dinheiro...?").

Finalmente, como o próprio título do livro diz, essa história é sobre a redenção de Althalos. Assim, depois de construir o personagem e fazer o leitor simpatizar com ele, o resto do livro trata de descontruir o personagem! Muitas vezes, alias, de formas paradoxais e sem muito sentido. Cheguei ao final do livro com a impressão de que ele não tinha se redimido, mas sim colocado seus servições à disposição de uma causa, e só.

É um livro longo (foram 27 horas de audio) e cheio de informações, com uma trama interessante, mas com sub-tramas demais e principalmente um excesso de personagens e informações. Eu diria que é um bom livro, mas definitivamente indicaria para ser lido ao invés de escutado - e de preferência com um mapa do cenário e um bloco de anotações para os nomes dos personagens à mão!

sábado, 29 de outubro de 2016

The High Druid of Shannara

A trilogia de livros The High Druid of Shannara dá continuidade à série anterior, Voyage of Sherle Shannara, e se passa cerca de 30 anos depois dos eventos descritos na trilogia anterior - o que, admito, foi uma surpresa, já que, até então, cada série de livros de Terry Broks tinham pelo menos uns 300 anos de distância umas das outras, com os personagens da história anterior quase sempre tendo se tornado apenas lendas e histórias - exceto, claro, algum druida que fazia a ligação entre uma série e outra. Nesse caso, no entanto, Brooks trouxe de volta praticamente todos os personagens da trilogia anterior, a maioria deles com papeis importante, apesar de seus papéis secundários na narrativa, adicionando alguns novos personagens como protagonistas.

Admito que fui pego desprevenido por essa mudança de lógica - e, de fato, fiquei até um pouco preocupado, considerando que não tinha me apegado muito aos personagens do livro anterior. No entanto Brooks faz um bom trabalho em retomar a trama anterior e adicionar novos elementos nessa trilogia.

O único ponto negativo que consigo apontar com relação à trama é o fato de algumas partes do cenário terem evoluído muito mais rapidamente e surpreendentemente do que seria esperado. Notavelmente, a Ordem dos Druidas, que tanto Alanon quanto Walker tinham lutado longamente para reerguer, praticamente sem sucesso ao longo de 600 anos, e que na trilogia anterior tinha sido praticamente desmembrada, foi instituída e tornou-se um poder a ser considerado nas Quatro Terras em apenas 30 anos. Admito que essa parte ficou um pouco entalada na minha garganta ao longo de toda a leitura.

No entanto, os pontos positivos dessa trilogia são vários. Os novos protagonistas são extremamente interessantes, a trama é consistente e muitos elementos dos livros anteriores foram revisitados com bastante sucesso - eu me peguei mais de uma vez falando em voz alta coisas como "Nossa, por essa eu não esperava!" A Elcrist e o Exílio (que haviam sido parte central de algumas tramas, mas tinham sido bem pouco explicados ou explorados), Jaaka Russ (que tinha sido mencionado lá em Wishsong of Shannara), Trolls como "raça coadjuvante" no lugar dos Elfos, como Brooks quase sempre fez, o uso de Airships, exploração de magia druídica... A única coisa que essa trilogia não teve, pela primeira vez desde Espada de Shannara, foi a presença de um Leah ao lado do Omsford protagonista (o que foi uma pena, porque um personagem portando a Espada de Leah nessa história teria sido algo bastante divertido de ver!).

De fato, essa foi, depois da trilogia original, a minha história favorita da série de Shannara. Não teria sido nem metade do divertimento se eu não tivesse lido todos os livros anteriores, provavelmente, mas como eu já tinha todo o embasamento do cenário ao meu lado (e bem fresco na memória, o que provavelmente também ajudou) essa foi uma trilogia extremamente divertida de ouvir!

Alias, fiquei particularmente satisfeito com isso porque esse foi o meu último aodio book do cenário. Não tive oportunidade de comprar as duas trilogias mais recentes (e nem tenho certeza se a última já existe em audio) e tenho uma enorme "biblioteca" de livros em audio que quero ouvir, fora do cenário de Shannara.

Assim, essa foi minha última resenha sobre um livro de Shannara provavelmente por um loooongo tempo... Mas espero um dia voltar à ela e ler pelo menos as duas trilogias mais recentes (que acontecem, cronologicamente, depois de The High Druid of Shannara, o que significa que vou poder manter minha estratégia de ler o cenário em ordem cronológica de eventos).

Recomendo fortemente a leitura - ou a escuta - de todos os livros de Shannara a partir de First King of Shannara (os livros anteriores, como eu já disse, adicionam pouco ao cenário e não são particularmente divertidos de ler/escutar)! Alias, adoraria que alguém aí se aventurasse na leitura pra eu poder trocar uma idéia sobre o cenário!

E falando em cenário, fiquei surpreso em descobrir que ninguém usou esse cenário pra produzir livros de RPG! Pô, tão perdendo uma baita oportunidade! Quem sabe um dia eu não me arrisco em fazer uma pequena adaptação caseira?

Bom, adeus Shannara, que venham novas sagas!

quinta-feira, 13 de outubro de 2016

O Nome do Vento

Tenho ouvido falar nesse livro há anos, recomendado por vários amigos. Admito que, no entanto, nunca me interessei em ler, particularmente depois de descobrir que se tratava do primeiro livro de uma trilogia cujo último livro ainda não tinha sido publicado - já é suficiente ter que esperar pelos livros das Crônicas Saxônicas. Agrava o caso o fato do primeiro livro ser de 2009 e o segundo ser de 2011. Dois anos entre os primeiros dois volumes, e agora um intervalo de cinco anos e nada do terceiro. Sabe-se lá quanto tempo vai levar ainda pra que a história seja concluída. 

Mas, então, consegui o livro emprestado à alguns dias, e apesar da resistência, resolvi ler. Afinal, o máximo que poderia acontecer - além do livro ser muito ruim, claro - seria ter uma história sem fim. Poderia ser pior, considerando o número de livros que tem finais tenebrosos. 

Enfim! Estou divagando! 

Vamos ao livro! 

Vou tentar manter essa resenha o mais livre de revelações sobre a trama quanto possível - a própria capa do livro já dá uma quantidade enorme de informação, na verdade, e eu vou me ater aos aspectos mais óbvios sobre o livro e à minha experiência de leitura. Vou deixar pra falar da trama em si quando fizer a resenha do Temor do Sábio, o segundo volume. 

A história gira em torno de Kvothe, o tal Matador de Reis sobre o qual a trilogia de livros gira em torno, que, aposentado e vivendo como um simples estalajadeiro em uma pequena cidade meio isolada, é procurado por um cronista que quer escrever sua história. Apesar de inicialmente relutante, Kvothe acaba concordando, mas exige que a história seja contada em três dias - dai o subtítulo Primeiro Dia já que esse primeiro volume trás as narrativas da primeira noite de narrações do protagonista. Nele, Kvothe narra sua infância e adolescência, das suas primeiras memórias até seus quinze anos. 

Não vou entrar no conteúdo dessa narrativa, exceto pra dizer que, além de muitas habilidades extremamente diversas em campos de atuação bastante variados, explicadas de forma concisa pelas experiências singulares da infância de Kvothe, a coisa toda gira em torno da busca dele por conhecimento sobre uma entidade ancestral - aparentemente maligna, mas eu admito que não estou completamente convencido disso ainda - e seu contato com o aprendizado de magia, além de uma paixão pela música. 

O ponto alto do livro, alias, são as narrativas de Kvothe tocando seu alaúde. São realmente bastante inspiradas, e fazem o leitor prender o fôlego durante as passagens em que Rothfuss decide explicar como o protagonista está se sentindo enquanto toca. 

Infelizmente, pra mim, o livro tem alguns problemas. A trama é mais centrada no dia-a-dia de Kvothe e suas relações com outros personagens, deixando em segundo plano as questões sobre magia e história do cenário, que, pra mim, são muito mais atraentes. Sim, ele constrói um personagem extremamente complexo e cria um vínculo entre ele e o leitor, mas esse mesmo personagem vive em um mundo meio vazio, sem horizonte, e possui um conhecimento amplo sobre ciências que são mantidas em segredo do leitor, que, portanto, não entende como e porque Kvothe pode fazer o que ele pode fazer - mesmo que isso seja tratado com naturalidade pelos personagens ao redor do protagonista. 

Além dessa falta de interação com o mundo, o segundo grande problema do livro é o fato da narrativa não ter um climax. Há alguma ação no livro, mas não há um ponto alto. A história simplesmente vai indo, sem grandes acontecimentos, e o que é pior, os acontecimentos interessantes são tratados como coisas cotidianas, sem grande impacto no cenário ou no próprio personagem, o que é extremamente enervante. 

Em resumo: Rothfuss cria um cenário interessante, mas deixa o leitor muito afastado dele, se concentrado em um personagem que, embora seja bastante carismático, é cercado por segredos e, na maioria do tempo, "não pode contar" coisas interessantes. Ou seja: o leitor é mantido no escuro durante toda a leitura, sobre praticamente todos os assuntos. Tenho certeza que pra alguns esse não é um problema, mas pra mim foi extremamente frustrante. Vou pro segundo livro esperando que Rothfuss explique uma série de coisas sobre Siglistica, Simpátia, Nomeação, demônios, fadas, propriedades do ferro e um sem número de outras coisinhas, mas sem grandes esperanças de que ele o faça. O autor parece um ótimo instigador mas aparentemente não é muito bom explicador, infelizmente. 

quarta-feira, 28 de setembro de 2016

The Voyage of Jerle Shannara Trilogy

Dando continuidade á minha 'leitura' dos audio books da série de livros de Terry Brooks sobre o cenário de Shannara, escutei a trilogia "The Voyages of Jerle shannara". A trilogia é composta pelos livros Isle Witch, Antrax e Morgawr.

O Jerle Shannara do título não é o mesmo rei Jerle que portou a Espada de Shannara originalmente, mas sim um air ship batizada com o nome desse rei. air ships são uma tecnologia mágica apresentada nessa trilogia e funcionam basicamente como navios, mas, como o nome indica, "navegam" pelo ar.

A história se passa cerca de 300 anos depois dos acontecimentos narrados em The Heritage of Shannara. Assim como a série de livros anteriores, apesar de ser dividido em vários livros (três, nesse caso, como o título da série indica) essa trilogia contem uma única história. Nesse caso, conta a viagem do air ship Jerle Shannara em sua tentativa de recuperar não apenas um grande poder mágico perdido em algum lugar do Grande Azul (o oceano ao oeste das Quatro Terras) mas também de desvendar o mistério do retorno do herdeiro real de Arbalon depois de seu desaparecimento por cerca de 30 anos depois de sair em busca do tal tesouro mágico.

O grupo é liderado por Walker Boh, também conhecido como Dark Uncle, o último dos druidas das Quatro Terras. Como nas sagas anteriores, temos um nobre das Highlands portando a Espada de Leah, um membro da família Ohmsford portador do Wish Song e também a Espada de Shannara que, como de se esperar, tem um papel central na trama.

Os t´tulos dos três livros fazem referência aos três grandes vilões enfrentados nos livros. Alias, vilões extremamente interessantes, cada um com aspectos bastante diferentes entre sí e construídos com primor. O fato deles emprestarem seus nomes aos livros onde aparecem é merecido!

Além de muitas situações inusitadas e bastante criativas nos três livros, o combate final do terceiro livro é definitivamente o ponto alto da série, incluindo quatro (!!!) criaturas com poderes sobrenaturais lutando entre si, com um desfecho empolgante!

a própria 'tecnologia' de air ships, além de muito bem utilizada nos livros, cria uma série de situações bastante inovadoras e é bem explorada nos livros - não e só um 'navio diferente', mas sim inclui um conceito todo novo que Brooks desenvolve com muito desenvoltura. Tou esperando por armas de pólvora aparecendo de forma criativa na próxima trilogia!

The Voyage of Jerle Shannara só tem uma falha: com seus vilões criativos e interessantes, os protagonistas acabam ficando em segundo plano na história, e mesmo sendo interessantes, não são tão bem explorados quanto poderiam. Apesar disso, é uma história extremamente divertida, com muitos elementos novos bem entrelaçados com as características clássicas do cenário. Leitura fortemente recomendada!

quarta-feira, 31 de agosto de 2016

Os Náufragos do Ar - A Ilha Misteriosa

Sempre tive uma curiosidade enorme de ler A Ilha Misteriosa, porque sabia que o livro concluía a história do Capitão Nemo, narrando seu destino depois dos acontecimentos narrados em Vinte Mil Léguas Submarinas, um livro que li ainda adolescente e que me deixou boas lembranças.

Infelizmente, porém, essa edição da editora Villa Rica - da qual eu nunca tinha ouvido falar, alias - contém apenas a primeira - e extremamente chata - parte do livro. Sem qualquer aviso de que se trata de uma versão parcial da obra, o livro me enganou lindamente.

Por alguma razão misteriosa, a editora decidiu por bem dividir a obra em dois -ou mais, não pesquisei - volumes. Sim, tem um "I" ali, depois do "subtítulo" do livro (eu só percebi isso agora, quando escaneei a capa pra ilustrar essa postagem. Uma escolha infeliz de cores esconde essa informação de maneira magistral. É quase um "onde está Wally"! Pior, a cena retratada na capa mostra, justamente, um dos últimos eventos da história, que obviamente não está presente no livro! Em nenhum momento desse primeiro volume há qualquer indício de que o vulcão explosivo da capa apresenta algum perigo aos náufragos - de fato, em um dado momento do livro, eles passeiam por dentro da cratera do vulcão, completamente inativo! Mancada feia, Vila Rica!

O livro, nessa versão estripada, narra a chegada e a "colonização" da ilha pelos náufragos, apenas, apresentando inúmeros mistérios - como o misterioso salvamento de Cyrus, o lider da expedição e a "criatura" do lago que salva Top, o cão grupo - que só serão revelados nos volumes seguintes. Bastante frustrante. Alias, falando no salvamento de Top, ele é atacado por uma criatura terrivelmente perigosa, uma "vaca-marinha" (na verdade, um dugongo) de uns... 14 quilos Considerando que um dugongo nasce com um peso que varia de 20 à 35 quilos, essa "terrível fera" devia ser um aborto morto-vivo, pelo peso. Um dos inúmeros erros do livro, que converte algumas medidas, como as de peso (e erram ao fazer isso) mas não distâncias, mantendo as milhas originais do livro. Uma confusão.

A Ilha Misteriosa trata do "naufrágio" de um grupo de cinco prisioneiros de guerra americanos, que, durante a guerra da sesseção escapam das tropas sulistas usando um balão, mas são pegos por um furacão que os joga em algum ponto do hemisfério sul, próximo à Nova Zelândia ("próximo" significa cerca de 2.500 quilômetros, nesse caso). O grupo, liderado pelo engenheiro Cyrus Smith, consegue, em meio ano, não só sobreviver na ilha (aparentemente abandonada) mas também criar uma colônia com duas habitações, com direito à paredes de tijolos, fornos, forjas, ferramentas de aço e até nitroglicerina! Sim, os caras são ninjas!

No decorrer da história (não contada nesse livro) eles acabam resgatando outro náufrago em uma ilha próxima, Ayrton (personagem de outro livro de Verne, Os Filhos do Capitão Grant), encontram e treinam um orangotango, enfrentam um ataque pirata e, finalmente, descobrem a presença do capitão Nemo na ilha - que no climax do livro, acaba sendo destruída pela erupção do Monte Franklin, um vulcão não tão inativo quanto se pensava. Sim, a segunda parte da história é bem mais eletrizante do que a primeira, o que me faz refletir no porque de dividir a obra em duas... Editoras. Nunca vou entender o que acontece dentro delas...

Enfim!

Aqueles que tiverem acesso à este livro e sua(s) continuação(ões) ou uma versão integral da Ilha Misteriosa podem ter certeza que é uma obra interessantíssima, particularmente se for lido em seguida de Vinte Mil Léguas submarinas.

Essa versão da editora Villa Rica, no entanto, por todos os problemas citados acima, não merece atenção. Há versões integrais da obra publicadas em português em diversas épocas, então não é exatamente uma dificuldade de se encontrar uma boa tradução integral, tanto em livrarias quanto em sebos. Sugiro fortemente que seja preferida uma versão com ilustrações - vindos da obra original - que são de encher os olhos!

sexta-feira, 12 de agosto de 2016

The Heritage of Shannara

 Continuando com minha pequena aventura no cenário de Shannara, aqui vai a resenha da mais recente série de livros escritos por Terry Brooks para o cenário.

The Heritage of Shannara é uma quadrilogia de livros que se passa cerca de 300 anos depois da série original, composta por  The Scions of Shannara, The Druid of Shannara, The Elf Queen of Shannara e The Talismans of Shannara. Eu pretendia fazer uma resenha de cada livro, mas no final do primeiro volume fica claro que apesar de estar em quatro livros separados, essa série - assim como as séries que Brooks escreveu depois de sua trilogia original - é uma grande história única, e não faria sentido fazer uma resenha de cada um deles separadamente.

Heritage of Shannara é o primeiro arco de histórias passada depois da trilogia original (Sword, Elfstones e Wishsong) em ordem cronológica. Nessa saga, acompanhamos os quatro herdeiros da linhagem Shannara/Ohmsferd lidando com a última busca ditada pelo espírito de Alanon, o último dos Druidas. Eles devem lidar com uma nova ameaça que está infestado as Four Lands (eu realmente gostaria de achar uma tradução legal pra isso, mas "Quatro Terras" parece coisa de universo alternativo da DC Comics...), trazer os elfos de volta (sim, os elfos de Shannara estão SEMPRE fugindo/se escondendo/metendo a cabeça na areia e fodendo tudo no processo...) e ainda restabelecer a ordem dos Druidas - que, com Alanon, que era o último druida, morto há mais de 300 anos, significa criar uma nova ordem meio que do nada, na verdade.

Cada um dos três primeiros livros acompanha um dos herdeiros em sua busca particular, enquanto o quarto e último livro mostra o desfecho da história, com as explicações que não foram dadas ao longo dos livros anteriores, a maioria das explicações de porquês/comos as coisas aconteceram e como os herdeiros irão lidar com suas descobertas e com os resustados de suas buscas.

Uma das coisas que eu gostei muito nessa série foi o fato de Brooks ter trazido de volta todos os elementos da trilogia original de uma forma ou outra. Temos a Espada de Shannara, a Espada de Leah, as Pedras Ellficas originais, um possuidor do Wishsong, um druida solitário, três grupos em busca de três objetivos que vão mudar a história do mundo... É quase um remake, mas não se enganem, é uma história completamente diferente, apesar de todos os pontos em comum! E isso é o mais divertido em Heritage of Shannara!

Na verdade, depois de demorar algum tempo pra entender que tudo tinha mudado em termos de política das Four Lands - os anões escravizados, os elfos fugindo DE NOVO!, um grande exército humano dominando tudo e impondo suas leis tirânicas... - e que grande parte disso era, outra vez, maquinação de uma força maligna - muito embora dessa vez a tal força maligna aparentemente sabe o que está fazendo e tem um plano conciso e eficiente - o que me tomou boa parte do primeiro livro, o resto da história na verdade foi extremamente divertido. Em retrospecto, na verdade, eu acho que gostei mais dessa história do que dos três livros originais. Adoro quando o autor explora o cenário e faz o leitor pensar "Ei, eu lembro disso, lá daquele outro livro!"

Minha única crítica é que a história é muito enrolada. Muitos acontecimentos parecem tomar muito mais tempo do que o necessário, e certamente a história podia ter sido comprimida em três livros - ou, na verdade, se eu estivesse lendo os livros físicos, provavelmente acharia desperdício de capas a história não estar em um volume único.

Então, fora a encheção de lingüiça - que não é particularmente exagerada - e do maldito plot dos elfos fugindo e se escondendo em um lugar bizarro mais uma vez - que, isso sim, já cansou... - essa é uma boa história, com personagens interessantíssimos e um excelente uso do cenário desenvolvido ao longo dos outros livros!

Praqueles interessados em conhecer Shannara, definitivamente esse é um livro indicado pra tanto!

sábado, 9 de julho de 2016

De Bárbaros e Bruxas

Um Jarl chega às terras de outro num fim-de-tarde sombrio, e com a promessa de uma noite tempestuosa, é convidado à sentar-se e beber da hospitalidade de seu anfitrião.

Tendo recebido seu irmão-de-armas, após os preparos necessários, ambos sentam-se no grande salão, solitários exceto por alguns barris de cerveja e um fogo já meio morto. Lá fora, a noite ruge em ventos negros e relâmpagos pálidos.

Depois de degustarem alguma comida, ambos acendem seus cachimbos para acompanhar suas cervejas, e o anfitrião, depois de ouvir intensamente a noite lá fora por alguns minutos, começa:

- Ah, meu amigo... As madrugadas são o lar das malditas coisas que vêm pelas brechas formadas pelos ângulos da mente desperta.

- A mente desperta... Qual foi a maldita coisa de agora?

- Uma sombra. Um espectro. Não sei bem definir. Uma coisa. Odeio lucidez demais.

- Tu viu? Na tua torre?

- "Ver"... Hum... Não tenho certeza se ver seria o verbo correto. Não acho que ela teria um verbo correto.

- Lucidez é uma coisa útil, às vezes, mas um bom andarilho da madrugada sabe que a noite traz coisas interessantes á nossa cabeça. A criatividade é uma das maiores beneficiadas!

- A criatividade cria medos e dúvidas. Sombras. Eu não queria nada disso. Não queria estar lúcido. Eu quria algo que eu pudesse cortar, apunhalar, golpear. Algo que sangrasse e lutasse de volta.

- Com o monte de cerveja qe tens aqui, não é difícil deixar de estar lúcido!

- De fato! Chifres e cascos! Acho que vou mesmo me dar um pouco de esquecimento etílico!

- Coisa do demo!

Ambos riem e canecas de cerveja são servidas e bebidas. O anfitrião volta a falar:

- Meu inimigo tem meu sangue. E ele conhece o campo de batalha. Mas eu tenho ao meu lado o fator surpresa. O exército dele é maior, e eu acho que sou taticamente mais apto. Mas estou em dúvida. Não sei se devo ou não atacar. Sempre odiei atacar outros nórdicos... Decisão difícil.

- Atacar outro nórdico pode não ser legal. Se você for perder homens do teu exército, pior ainda. Eles precisam fazer a colheita!

- É no que estou pensando.... Vou perder homens demais....

- Quando não sobravam mais inimigos os nórdicos sempre brigavam entre sim... O grande defeito deles.

- É que nesse caso, o ganho é imenso!

- O orgulho e a sede de sangue dos deuses...

- Um tesouro que não pode ser medido em palavras! Hum... Sede de sangue.... Será isso?

- Uma vez tinha um cara que se chamava Beowulf, e ele queria uma coisa rica e poderosa que não podia ser medida em palavras... E, para encurtar a história,  ele se fudeu no final.

- Malditas lendas nórdicas!

- Pois é...

- Recuar, recuar.... Tão perto. Tão perto.... Maldita sombra.

- Ivar Ivarson morreu em ampla vantagem numérica e moral... O descontrole e a raiva não deixaram ele pensar direito e ele sucumbiu ante a coragem e determinação de Uhtred Ragnarson, que era mais jovem e não estava precisando recuperar PVs como ele!

- Háh! A diferença é que meu inimigo é jovem, tolo, despreparado e está mole pelos anos sem guerra!
 E ele nem sabe que eu estou aqui!

- Sempre há um risco. Não sei. Um ealdormen não deveria dar conselhos ou instigar guerras e batalhas que não lhe afetam. Prefiro não opinar. Queira ou não queira batalhas trazem morte.
 E perdas.

Ambos bebem mais um pouco, imersos em seus próprios pensamentos. Até que o visitante retoma a palavra:

- Tu quer roubar a mulher desse cara? Para isso não precisas de guerra, mas de um bom sceadugengan!

- Porque sempre se trata de mulheres?

- Porque nórdicos gostam de mulheres... O deus cristão não gosta, mas Frey tem Freya e Odin e Thor são os guerreiros fornicadores... Aesires, Vanires, todos gostam de desembainhar as espadas!

Ambos gargalham e bebem longamente, antes do anfitrião, com um sorriso lupino no rosto, voltar a falar:

- Só um companheiro de fé me poderia por pra rir numa situação como essa!

- Ninguém entra no castelo com suas armas. E se tu usar teu privilégio de usar a tua porque estás no teu castelo, estás abusando e ferindo tua própria honra.

Ambos bebem em silêncio por um momento, até o visitante exultar com emoção:

- Wyrd Biõ Ful aered!

Há o choque de canecos de um brinde amistoso, e depois de grunhidos de satisfação e mais cerveja ser sorvida e as canecas serem enchidas novamente, o visitante continua:

- Há dias tu vem falando de uma mulher misteriosa e só diz: ela, ela ela... Tu vai roubar a mulher de quem?

- Chifres e cascos! Eu tenho mesmo falado nisso?

- Consideravelmente!

- Esse é exatamente o problema, meu bom amigo.... Eu não posso falar quem é, e no entanto....
 Não consigo pensar em outra coisa.

- Não sendo a minha, as lanças dos meus homens vão continuar imóveis, escoradas nas muralhas cinzentas da minha fortaleza!

- Não te preocupes! Se eu me visse desejoso das tuas terras, preferiria cortar minha garganta antes de atacar!

- Mas guerras são guerras e se tuas tropas se moverem tu vai provocar derramamento de sangue...

- Ah....  O calor da cerveja.  Eu precisava disso.  minha vista turva, e eu me sinto mais leve!

- Mulheres são como cerveja! Turvam o olhar dos homens, meu amigo!

- Garn e Fenris, eu tenho mesmo falado nela?  Digo... Tenho falado tanto assim?

- Não sei. Eu notei, e não sou nenhum Sherlock Holmes... Mas temos falado bastante. Quando uma mulher habita nossos desejos ela sempre aparece, em qualquer assunto. É como RPG!

- Isso é preocupante.  Me disseram que ela tem perguntado sobre mim. Mas eu acreditava que estava... Incólume? Segregado? Se eu tenho falado nela, imagino que deve ficar evidente quando estou com ela! Cifres e cascos! Isso é deveras preocupante!

- Ragnar era um senhor forte e imponente, dono de uma frota de três navios, governante das colinas, um líder generoso que dava muitos braceletes... E ele descartou Kjartan, que não parecia um aliado em potencial. Wyrd Biõ ful aered... Ganhou um inimigo mortal. Deixa um bom contingente guardando tua fortaleza e te afasta! Reúne alguns bons homens e vai saquear ou caçar javalis no sul. Espairar as idéias. Esquecer essa mulher... A paz sempre é valiosa e só percebemos seu valor quando entramos em guerra!

- Wyrd Biõ ful aered Se tiver que ser, será.  Tens razão.  Mas a maldita sede de sangue.....

- É Loki tentando nos aprontar! Na verdade conheço dois senhores do norte com os quais acho que não deverias mecher, pois os outros senhores não veriam isso com bons olhos: Struik e Bebaarde.
 O resto eu não conheço, e não ligo. Se um homem possibilita que roubem sua mulher é porque não tem dado a ela o que merece... E guerra é guerra. Se tu precisa... As fiandeiras aprontam!

- Tu achas mesmo que eu seria capaz de levantar minha espada contra qualquer um desses dois?
 Struik é um irmão de armas! A esposa dele é como uma irmã pra mim!

- Não conheço tua relação com eles. Conheço muito pouco os dois, infelizmente.

- Bebaarde é um senhor fraco. Vastos territórios e se empenha em batalhas contra outros povos. Inclusive já entrou em conflito com o Struik, certa feita. E tive que mover minhas tropas. Não gosto dele, nem sei se ele é bem visto.

- "É provérbio meu que, tendo excluído tudo que é impossível, aquilo que fica, por mais improvável que pareça, é a verdade."Conan Doyle - A Coroa de berilos. - Sherlock holmes. Pensando assim, as únicas mulheres com quem sei que trocas correspondências são a Heks e a Rozen. Não citei as duas por mal. Foi só uma leitura superficial.

- Estranho tu veres a Heks trocando correspondências comigo, já que em geral nos falamos ao vivo.

- Ah, então foi nas correspondências com a Moer. Pessoas envolvidas, enfim. Essas cartas são comentadas por todos, não sou um bisbilhoteiro!

Ambos gargalham amistosamente, e o anfitrião retoma a palavra:

- Minha vida é um livro aberto, meu caro! Nada do que pudestes encontrar nos meus alfarrábios mancharia minha honra!

- Que bom! Quando os fatos estão expostos a todos não precisamos de explicações para desembainhar a espada em público quando ferirem nossa honra! Mas fiz loucuras de amor bem toscas e tenho plena convicção de que até mesmo os homens mais maduros podem fazer merda quando estão apaixonados. E isso é legal porque mostra nosso lado primitivo. Quando Cernunnos quer que pensemos com a cabeça de baixo, meu amigo, sai da frente por que vão ser apenas chifres e cascos!
 Todas as leis, medos, vergonhas, responsabilidades desaparecem e só dá ELA.

- Esse é exatamente o problema. Os anos me ensinaram a agir com a cabeça. E eu sei que sou bom fazendo isso.  Mas nesse momento, só tenho vontade de desembainhar a espada e derramar sangue!
 E que hajam baixas! Que morram meus homens!

- Tu tem que decidir se tu quer a MULHER ou o SANGUE. São duas coisas diferentes, embora não pareça.

- So que depois de uma guerra muito sangrenta, a vitória pode ter mais gosto de derrota e cinzas do que o doce do hidromel.

- Exatamente! Beowulf de novo!

- Malditas lendas nórdicas! Mas me diz, o que queres dizer com mulher e sangue serem coisas diferentes? Acaso crê que eu derramaria sangue apenas pela luxuria da batalha?

- Lembra do Ragnar oferecendo a coroa da Nortúmbria pro Uhtred? Ele queria! Sede de poder! Mas sabia que como rei só teria compromissos e chateações. Como guerreiros pode ter as mulheres, as bebidas, a liberdade, o regozijo da batalha!  "Mas nesse momento, só tenho vontade de desembainhar a espada e derramar sangue!"

- O problema é que a coroa me interessa. Uma sala cheia de cerveja que me engorde e me deixe lasso, sem precisar voltar pro campo de batalha vez após vez. Cansei de errar e campear guerra. quero a paz gorda, quero a rotina chata de receber os senhores e seus pedidos, quero doar os braceletes que já conquistei, ao invés de encher meus braços de metal até que eles fiquem... ...pesados demais até pra levantare uma arma! Minha sede de sangue é por uma fortaleza forte, uma terra rica e uma vida chata!

- Te entendo! Cara, eu te conheço há uns anos, mas há pouco tempo te conheço como amigo próximo e só agora percebo algumas coisas. E uma delas é que andas bastante preocupado com a hora de essa terra rica e vida chata chegarem... E eu entendo essa tua preocupação, mas queria te dizer para não ficar tão preocupado. Nós vivemos numa sociedade fudida que tá pouco ligando para o nosso tipo de gente, então não precisamos seguir as regrinhas deles. Naquela época em que tu falava das Crônicas Saxônicas nas tuas missivas e ficou triste com o lance com a Liefje, tu escreveu uma carta muito triste e depressiva, cheio de "constatações" sobre si mesmo e foi muito triste ler aquilo. Mesmo que eu não te conhecesse eu não gostaria de ler. E o que eu posso te dizer é que tu não é aquilo, cara. Tu não é nenhum looser do jeito que tu te descreveu e a nossa hora chega. Relaxa! Se tu realmente quer essa mulher, vai lá e pega ela para ti! Mas não te preocupa demais. Deve estar parecendo que estou viajando na maionese e saindo do assunto, mas esses assuntos tem a ver um com o outro e eu queria falar isso e nunca tive oportunidade. Tu é foda, cara. Ninguém é melhor que ninguém nessa porra. Um castelo chato com uma rainha no trono ao lado não é melhor que a liberdade de andar para lá e para cá. Na paz temos sede de sangue, na guerra temos sede de paz. A gente sempre vai ver problema nas coisas e encher a cabeça de preocupações. É normal. Como já disse o cara aquele: a vida é o que acontece enquanto fazemos planos! Enjoy! Happy fun! Braceletes também são bons!

- Tu sabes que acabas de te contradizer de forma épica, certo?

-  Talvez, mas eu disse o que queria: Um trono chato com senhores vindo pedir coisas não é melhor ou pior que uma guerra incessante por ocupar esse trono. Então faz o que tu queres, é tudo da lei.

- Das sagas nórdicas pra bruxaria moderna de Crowley!  isso tá muito interessante!

- É... Porque os malditos padres não deixaram sobrar nada da bruxaria antiga.

- Valeu, Jakhals. De verdade. Eu na verdade ando bem feliz, por esses tempos... E essa foi só uma noite de melancolia sem lua numa infindável sucessão de noites de lua cheia! Mas foi bom trocar essas palavras! E se fosse fácil assim, eu ia lá e pegava essa mulher, mesmo. Mas admito que tenho muito, muito medo do que isso pode gerar.

- Eu sei, mas ali ainda surgiu uma reminiscência daquele pensamento de "eu tenho que casar e ter uma casa e filhos" e eu só queria ressaltar que tu vai ter isso, se quiser, mas que não precisa te preocupar!

- São os anos pesando nos ombros...

E em silêncio, ambos beberam até o barril estar seco e seus pensamentos estarem cheios, e então se retiraram, como sombras, e deixaram o forro morrer e a noite de tempestade se acalmar em uma manhã nublada.

(a conversa é uma transcrição ipsis literis de um encontro real, ocorrido há alguns anos atrás, e apenas os nomes dos envolvidos - e daqueles citados - forma alterados)

segunda-feira, 20 de junho de 2016

Praticamente Inofensiva

Finalmente cheguei ao fim da Trilogia de Cinco do Guia do Mochileiro das Galáxias!

Depois de um terrível desapontamento com o terrível Até Mais, e Obrigado Pelos Peixes, que foi, digamos, uma obra com gosto de chá de camomila com quatro colheres de sopa de açúcar, cheguei um pouco receoso ao quinto e último livro da Trilogia de Cinco.

Mas, por sorte, o livro é bom! Não excelente, como os dois primeiros volumes, mas tão bom quanto o terceiro, certamente!

Apesar de Zaphod Beeblebrox e Marvin, o Androide Paranóide não aparecerem no livro, os outros personagens da série (Trillian, Ford Prefect e Arthur Dent) estão aqui, diferente do livro anterior, focado apenas em Arthur Dent - e na tenebrosa Fenchurch, a mulher-água-com-açucar.

A história também retoma algumas coisinhas da trilogia original que foram completamente deixadas de lado no quarto livro, como Vogons, o próprio Guia do Mochileiro das Galáxias e até mesmo as últimas palavras de Agrajag de que Arthur encontraria ele em Stavromula Beta.

O livro também retoma o clima nonsense dos primeiros livros e, apesar de não fazer isso tão magistralmente, definitivamente permite que o leitor relembre o quão bom os primeiros volumes foram - e que bela bosta foi o quarto!

Li pela internet afora que, na verdade, alguns fãs da série não consideram esse livro como pertencente à saga do Guia do Mochileiro das Galaxias - eu, particularmente, preferiria desconsiderar Até Mais, e Obrigado Pelos Peixes, mas ok... - provavelmente por conta do final, que encerra a série definitivamente, o que pode ser uma alegação válida, apesar dos personagens do livro, já que a trama revolve em torno de realidades alternativas. O próprio Douglas Adams considera que o quinto livro realmente termina de forma um tanto quanto sombria, e enquanto escrevia O Salmão da Dúvida, chegou a dizer que talvez fosse depurar o conteúdo do livro e transforma-lo em um sexto livro da série do Guia do Mochileiro das Galaxias - o livro, infelizmente, não chegou a ser terminado antes da morte de Adams, e portanto nunca saberemos se essa possibilidade poderia mesmo ter ocorrido.

Apesar de haverem outros livros e contos ligados ao universo do Guia, creio que não devo voltar à esse universo, já que esses outros livros não foram escritos por Adams - exceto por Young Zaphod Plays it Safe, que provavelmente, como o nome indica, gira em torno de Zaphod Beeblebrox, o personagem da série que eu menos gosto, e portanto não me chama a atenção.

Como uma nota relativa ao universo do Guia do Mochileiro das Galáxias, descobri também que Douglas Adamns criou uma "edição terra" do Guia, na forma de um site, antes mesmo da Wikipedia dar as caras, e que parece bem interessante! Pra aqueles interessados, o site é o h2g2, e me pareceu bem interessante, pelo pouco que li.

Bom, pra finalizar, eu diria aos interessados na série que fiquem só nos primeiros dois livros, ou, se quiserem um pouco mais de divertimento, o terceiro e o quinto livros são boas pedidas. Mas, façam um favor à si mesmos, e fiquem longe do quarto livro!

Finda essa resenha, só me resta dizer Até Mais, e Obrigado Pelos Peixes!

sexta-feira, 10 de junho de 2016

A Study in Emerald


A Study in Emerald é um conto de Neil Gaiman sobre Sherlock Holmes passado no cenário dos Mythos de H. P. Lovecraft - sim, o cara do Chutulhu!

É, parece uma salada monstruosa de batata com pizza inglesa picada e cobertura de polvo cru, eu sei. Mas acreditem: É muito bom!

Esse conto está presente no livro Coisas Frágeis, que eu já resenhei aqui no Café com Letra, e inclusive já mencionei lá - como sendo "Surpreendentemente surpreendente!" E tenho que dizer que, após ler o conto outra vez, agora no original em inglês, eu definitivamente concordo comigo mesmo com relação à isso!

É, essa afirmação ficou meio maluca. Deve ser influência de algum Grande Antigo.

Não, eles definitivamente não se importam tanto assim comigo. Deve ter sido o melete de cogumelos que comi mais cedo, mesmo.

Enfim!

Gaiman publicou esse conto tanto em Coisas Frágeis como em Shadows over Baker Street - que é uma coletânea de contos de vários autores misturando as obras de Arthur Conan Doile e H. P. Lovecraft. Sim, a idéia é boa e muita gente parece ter embarcado nela!

A parte divertida aqui é que Gaiman disponibilizou o conto em sua página pessoal - e com o bônus de ter usado um lay-out e ilustrações que fazem o conto parecer estar impresso em um folhetim de época, incluindo uma série de propagandas de produtos que remetem à outros personagens folclóricos como Drácula, Frankenstein e Doctor Jekill. Uma sacada genial!

O link pro conto está bem ali à vista no site do Gaiman, mas eu vou deixar aqui um segundo link, diretamente pro material em .pdf pra quem preferir ir direto pro conto sem precisar passar pelo site - sei lá, mas vai saber? Tem maluco de todo jeito nesse mundo.

Ah, sim: Como o título sugere, o conto está em inglês. Pra ler em português - sem o lay-out e as ilustrações, infelizmente - só no livro Coisas Frágeis, mesmo.

"Mas é só isso a resenha, Domênico?" pergunta alguém. Sim. Se Sherlock Holmes encontra Chutulhu não é atrativo suficiente pra tu ler o conto, então não adianta eu gastar meu latim aqui. E não tem muito mais que eu possa usar pra resenhar esse conto do que Sherlock Holmes encontra Chutullu, de qualquer modo, então...



Ph'nglui mglw'nafh Cthulhu R'lyeh wgah'nagl fhtagn

sábado, 4 de junho de 2016

Até Mais, e Obrigado Pelos Peixes

Depois de uma breve pausa para ler Stonehenge, voltei à Trilogia de Cinco do Guia do Mochileiro das Galáxias, pra terminar de ler ela dessa vez. Eu já tinha lido uma versão desse livro, "Adeus, valeu o peixo", publicada em Portugal - e como todos sabem (se não sabem, agora saberão) eu tenho sérias dificuldades em ler livros em idioma lusitano porque muitas vezes eu não entendo perfeitamente o que os tradutores querem dizer e as palavras ou semânticas completamente diferentes entre as duas línguas portuguesas acabam me catapultando pra fora do livro, impedindo uma imersão na leitura.

Quando li o livro pela primeira vez, portanto, culpei a língua lusitana pelo fato de ter achado o livro tão ruim - particularmente comparado com os outros três. Ledo engano. O livro é ruim mesmo, até em bom idioma tupiniquim.

Até Mais, e Obrigado Pelos Peixes tem três grandes problemas: A descaracterização dos personagens (subitamente Arthur Dent se torna um galã auto-confiante absolutamente hábil e capaz), um romance automático e sem sentido e a falta de nexo geral do livro, incluindo a lógica sem lógica do desaparecimento dos golfinhos.

Sim, porque ninguém explica porque diabos os golfinhos foram embora. "porque a terra estava pra ser destruída, oras!" diz alguém. Ok, seria válido, se os próprios golfinhos aparentemente não tivessem feito alguma coisa que impediu isso! O que eles fizeram nunca fica claro, no fim das contas - mas sabemos que foram eles por conta dos aquários presenteados à pessoas aleatórias. Que é outro problema. Porque eles deram os aquarios de presente pro Arthur - um humano sem nenhuma importância - pra Fenchurch - outra humana sem importância, exceto por ter descoberto alguma coisa que também não fica clara sobre o que é, apesar de ser aparentemente importante - e pro Wonko - que, esse sim, tinha pelo menos alguma ligação com os golfinhos - não faz sentido algum.

Ok, coisas sem sentido algum fazem parte dos livros do Guia do Mochileiro das Galáxias, mas mesmo as coisas sem sentido tem alguma lógica - geralmente distorcida. Mas essa história dos aquários eu realmente não entendi.

Alias, não entendi o papel da Fenchurch no livro, além de ser um par romântico pro Arthur, em um dos romances mais água com açúcar, gratuitos, sem razão de ser e desnecessários de todos os livros que eu já li. Sim, eu já passei por "casais destinados", mas em geral esses casais estavam em livros extremamente ruins e com uma história absolutamente medonha.

O que, pensando bem, é exatamente o caso aqui...

Douglas Adams disse que seu editor cobrou muito dos prazos, e por conta disso o resultado do livro ficou aquém do que ele gostara. Uma boa desculpa, mas eu fico imaginando quanto a mais de livro ele ia precisar pra fazer essa história ficar um pouco menos espinhosa, e definitivamente creio que só funcionaria se ele fosse totalmente reescrito.

Bom, vamos ver se Praticamente Inofensiva consegue ao menos fechar essa trilogia (de cinco volumes) de uma forma que salve um pouco a dignidade dos três primeiros livros apesar desse quarto volume tenebroso.

Aceito críticas e defesas efusivas nos comentários, mas duvido que alguém consiga me convencer de que esse livro vale o papel no qual foi impresso.