sexta-feira, 26 de julho de 2013

Dois para Conquistar


Enquanto procurava livros pra minha mãe - que adora Marion Zimmer Bradley - achei esse volume sobre o qual eu lembrava de já ter ouvido falar e arrebatei junto com outros três livros da autora - certamente vou falar sobre eles por aqui em breve!

Pelo título, eu estava esperando algo como dois príncipes lutando pra unir um reino ou salvar uma princesa, ou até algo mais próximo de Os Barbaros (alguém lembra desse filme?). Mas, claro, vindo da mente de Marion Zimmer Bradley, nunca teríamos uma trama realmente tão simplista.

De fato, a trama como um todo é tão cheia de reviravoltas e situações inesperadas, que fica difícil, durante a leitura do livro, conseguir imaginar o que vem à seguir. Eu passei quase todo o livro esperando que determinadas questões fossem resolvidas e que certos fatos fossem melhor delineados; e então, o livro chega nas últimas dez páginas e não tem como imaginar a trama ser terminada de modo satisfatório em tão poucas linhas com tantas coisas ainda pra serem resolvidas! E então... Ele termina (afinal, é o que todos os livros fazem). E tu fica com a impressão que, caramba, a mulher conseguiu! Ela arrumou tudo de repente, no final do final, sem deixar (praticamente) nenhuma pergunta sem resposta! Parece episódio da série original de Star Trek!

Como detesto estragar a trama dando informações demais sobre a mesma, posso dizer apenas que, além de um terráqueo enviado pra outra dimensão, uma guerra secular a ser resolvida e o fato do vilão não ser exatamente um vilão, mas sim um homem com um ponto-de-vista muito errado sobre as coisas, temos aqui um excelente exemplar de espada e magia! Há guerras, combates singulares, mortes, incendios e sexo.

Oh, sim, sexo.

Não seria um livro de Marion Zimmer Bradley se isso não acontecesse - e a sexualidade dos personagens é amplamente explorada. Mas é importante observar que, diferente daquela piada que são aquelas fanfarronices sexuais dos livros do Martin, aqui as questões sexuais não são gratuitas. Elas servem à um propósito, e têm repercussões - e não são repercussões de espanto ou repudia no leitor, puramente, como faz a Canção do Fogo e Gelo  (Martin poderia aprender uma duzia ou duas de coisas com os livros da Zimmer, mas eu duvido que ele leia qualquer coisa, dela ou de algum outro autor).

Mas, enfim!

Não foi o melhor livro da Marion que eu já li, mas ainda assim, é um livro divertido, e que, embora não seja o melhor exemplar no qual eu poderia pensar em termos de espada e magia, certamente eu recomendaria para fãs do gênero - desde que eu soubesse que eles não se importem com um pouco de 'estranheza', como é comum aos livros de Darkover.

Ah, eu não mencionei que esse livro é de Darkover? Pois é. Mas como eu só li um outro livro da série - A Senhora do Trilio, anos atrás - eu não saberia encaixá-lo cronologicamente na história desse mundo. Um dia, contudo, espero, eu seja capaz disso!

E aos leitores incautos que porventura lerem esse livro depois de apreciar essa resenha, um aviso: é bastante fácil não gostar da história. Esse é, de acordo com Deborh J. Ross, co-autora de muitos livros da Marion e também amiga pessoal da mesma, esse é um dos livros mais desconhecidos e que menos agrada os fãs de Darkover. De fato, só por termos um protagonista homem já é um livro que não parece coisa da Marion em seus melhores dias...

domingo, 30 de junho de 2013

As Crônicas Marcianas


Quando comprei esse livro, tinha certeza absoluta que estava adquirindo a obra em que foi baseado o filme John Carter of Mars. Bem, eu estava muito errado, como alguns devem saber.

John Carter é, na verdade, personagem das Crônicas de Barsoom, escrita por  Edgar Rice Burroughs
. Erro meu, fazer o que? Todo mundo erra (feio) volta e meia.

Mas tendo lido Ray Bradbury, eu sabia que não iria me decepcionar com o que encontrasse dentro do livro de qualquer forma.

E nisso eu estava absolutamente certo!

O que temos aqui é o que o próprio Bradbury chamou de "primo bastardo de uma novela", em uma série de 26 contos mais ou menos interligados sobre a chegada dos primeiros colonizadores à Marte. De fato, todos os contos falam sobre os primeiros exploradores de Marte e a subsequente colonização do planeta. Apesar de ser uma estrutura narrativa baseada nesse elemento comum, muitos dos contos não parecem fazer muito sentido dentro da narrativa - e alguns são até um tanto contraditórios. Possivelmente por ser uma coletânea de contos de ficção que tratam sobre o assunto escritos entre 1946 e 1951. A própria aparência dos habitantes de Marte varia a cada vez que eles são mencionados. Mas apesar dessas aparentes discrepâncias de narrativa, o livro é excelente como um todo - tanto se lido como um livro de contos isolados quanto como uma espécie de novela. Há alguns contos bastante dramáticos no livro, enquanto outros são histórias que se pode considerar como típicas de um pulp e até algumas histórias de humor. E essa variedade de estilos narrativos é justamente onde se encontra o encantamento da obra - como em F de Foguete, aliás; é impossível saber onde o próximo conto vai nos levar antes de começar a ler. 


Também como F de Foguete, eu recomendo sem hesitar a leitura desse excelente livro de ficção científica de Bradbury - que vem ganhando minha admiração à medida que leio suas obras e sua biografia. 

Não creio que tenha perdido alguma coisa ao ler As Crônicas Marcianas e não as Crônicas de Barsoom - apesar de ainda ter intenção de ler este último - e sinseramente espero poder ler ainda muitas outras obras de Bradbury. 

quinta-feira, 20 de junho de 2013

Macaco Asteca Gigante

Uma HQ antiga, parida em um sextão com o pessoal do extinto Estúdio 9 - um dia falo sobre isso por aqui. Na época faziamos uma espécie de jam de HQ: cada participante escolhia um personagem, um sentimento, um local e um tempo e escrevia em papeizinhos que eram sorteados aleatoriamente entre osjammers. Com cada categoria em mãos, criava-se uma história em até quatro páginas, que em seguida era desenhada por outro participante e finalmente arte-finalizada por um terceiro. Rendeu noites inspiradas - e parece que o Fábio Ochôa está instituindo a atividade lá pros lados da capital, atualmente!

Eu saquei Macaco Asteca Gigante como personagem, Tibet como local, eleição do Evo Morales como tempo e Solidão como sentimento. Saiu esse roteiro, eximiamente desenhado - e posteriormente arte-finalizado - pelo supracitado Fábio Ochôa.

Uma pequena nota adicional: Como o Fábio tinha uma certa vergonha do meu nome, acabou usando solamente meu sobrenome do meio - Niemeyer - e não o Gay. Sempre achei engraçado isso, mas nunca me importei de fato. É mais uma curiosidade, mesmo.

Espero que aproveitem a leitura!

Sem mais delongas, a HQ!





sexta-feira, 3 de maio de 2013

A Bruxa Solitária


Que eu seja como a que tece o pano
na floresta, profundamente escondida.

Que eu possa fazer o meu trabalho sem interrupção.

Que eu seja uma exilada, se este é o sacrifício.

Que eu conheça a procissão sazonada do meu espírito e do meu corpo
e possa celebrar os quartos em cruz, solstícios e equinócios.

Que cada Lua Cheia me encontre a olhar para cima, nas árvores desenhadas no céu luminoso.

Que eu possa acariciar flores selvagens, cobri-las com as mãos.

Que eu possa libertá-las, sem apanhar nenhuma, para viver em abundância.

Que meus amigos sejam da espécie que ama o silêncio.

Que sejamos inocentes e despretensiosos.

Que eu seja capaz de gratidão.

Que eu saiba ter recebido a alegria, como o leite materno.

Que eu saiba isso como o meu gato, no sangue e nos ossos.

Que eu fale a verdade sobre a alegria e a dor, em canções que soem como o aroma do alecrim 
como todo o dia e na antiguidade, erva forte da cozinha.

Que eu não me incline à auto-integridade e a auto-piedade.

Que eu possa me aproximar dos altos trabalhos da terra e dos círculos de pedra, como raposa ou mariposa
e não perturbar o lugar mais que isso.

Que meu olhar seja direto e minha mão firme.

Que minha porta se abra àqueles que habitam fora da riqueza, da fama e do privilégio.

Que os que jamais andaram descalços não encontrem o caminho que chega a minha porta.

Que se percam na jornada labiríntica.

Que eles voltem.

Que eu me sente ao lado do fogo no inverno e veja as chamas brilhando para o que vier 
e nunca tenha necessidade de advertir ou aconselhar, sem que me peçam.

Que eu possa ter um simples banco de madeira, com verdadeiro regozijo.

Que o lugar onde habito seja como uma floresta.

Que haja caminhos e veredas para as cavernas e poços e árvores e flores, animais e pássaros 
todos conhecidos e por mim reverenciados com amor.

Que minha existência mude o mundo não mais nem menos do que o soprar do vento 
ou o orgulhoso crescer das árvores.

Por isso, eu jogo fora a minha roupa.

Que eu possa conservar a fé, sempre!

Que jamais encontre desculpas para o oportunismo.

Que eu saiba que não tenho opção, e assim mesmo escolha como a cantiga é feita, em alegria e com amor.

Que eu faça a mesma escolha todos os dias e de novo.

Quando falhar, que eu me conceda o perdão.

Que eu dance nua, sem medo de enfrentar meu próprio reflexo.




Rae Beth - A Bruxa Solitária

sábado, 27 de abril de 2013

F de Foguete


Apesar de ser um ávido leitor de ficção científica, admito que vários dos autores clássicos do gênero me escaparam à leitura. Seja por não ter conseguido encontrar seus cópias dos seus trabalhos à venda - e algo com o que se precisa lidar quando se compra livros quase que exclusivamente em sebos - seja por ter muitos livros pra ler e acabar não procurando os 'melhores do gênero' a fim de não aumentar as pilhas de volumes a serem lidos.

E Ray Bradbury era um desses autores que tinham se esquivado da minha pilha de leitura.

Li Crônicas Marcianas vários anos atrás, antes de ter alguma idéia de que era um grande livro de FC. Antes de saber que existiam livros bons, ruins e lamentáveis... E admito que lembro de muito pouco do livro.

Li a algum tempo atrás elogios rasgados à Bradbury feitos por um amigo que considero um conhecedor de boa literatura. Lembrei então de ter visto alguma coisa dele (Bradbury) na Montecristo - a livraria/sebo/cafeteria que eu frequento, caso alguém ainda não saiba... - e resolvi comprar. F de Foguete foi o escolhido, já que eu sabia que se tratava de um livro de contos, que é meu tipo favorito de leitura.

Eu nem tinha terminado este livro dele e já tinha comprado outro. E quando terminei F de Foguete, fui correndo comprar o outro título dele que estava na estante da Montecristo!

Clássicos. Grandes autores. Eles não são elencados dessa forma à toa.

Apesar do nome, nem todos os contos são sobre foguetes. A maioria é, ou ao menos tem algum foguete no cenário, mas nem todos. E em termos de narrativa, temos de tudo: Space Opera, viagens no tempo, slices of life, fantasia, horror. É uma maravilha pro cérebro! A imaginação se sente absolutamente embriagada com a quantidade de idéias geniais a cada página, e em nenhum momento a imaginação deixa de ser estimulada! Cana novo conto é a promessa de uma história interessante, com alguma idéia fantástica esperando pra pular no colo do leitor! Definitivamente, uma grande obra!

Eu poderia dizer que esse ou aquele conto é melhor do que os outros ou mesmo que algum deles foi meu favorito, mas seria uma mentira. Apesar de algumas tramas mais óbvias que outras, ou narrativas menos que perfeitas em algum casos, todos os contos do livro são excelentes. Um Som de Trovão, que deu origem à um filmeco de qualidade duvidosa, tratando de viagem no tempo, um dos meus temas favoritos; Tio Einar, uma fantasia contemporânea não exatamente original, é de uma beleza narrativa excepcional; Gelo e Fogo é uma pequena saga de quarenta e poucas páginas; A Máquina do Tempo é uma daquelas histórias cuja simplicidade implica em perfeição. Enfim, cada obra é única e brilhante. É impressionante como Bradbury consegue, em suas poucas páginas, criar todo um universo em cada um dos contos individualmente.

Considerando que ele escreveu uma quantidade absurda de livros na sua vida - soube que ele tem um livro que compila seus 100 melhores contos! - tenho certeza que ainda vou ter a oportunidade de ler muitas obras dele. No momento, vou, é claro, me ater aos dois livros dele que já tenho em mãos, mas certamente vou procurar outras obras do sujeito pra ler, sempre que encontrar!

Ray Bradbury. Apesar de provavelmente já ser um autor sobre o qual todos os leitores de FC já ouviram falar, vou manter a tradição do blog e recomendar fortemente a leitura! Vale muito a pena!

sexta-feira, 29 de março de 2013

Os Mortos Vivos



Ghoust Stories no original, esse é um dos raros casos em que a tradução pode ser considerada tão boa ou até melhor do que o título original. Ou não.

Em um volume de quinhentas e poucas páginas, Peter Straub nos conta a tragedia da pequena cidade de Milburn, causada pela ação insensata de um grupo de jovens que, algumas décadas mais tarde, viria a se tornar a sóbria Sociedade Showder - um grupo de respeitáveis senhores que se reúnem mensalmente para relembrar os velhos tempos, contar histórias e trocar experiências.

E acabo de me dar conta que acabei de revelar parte da trama do livro... Bem, nada que realmente atrapalhe a trama da história, realmente.

O fato é que a narrativa do livro começa de modo um tanto deslocado, e nos coloca diante de um aparente dilema moral por parte de um homem perturbado. Obviamente, o prólogo é extremamente enganoso, e a história passa a se desenvolver a partir de como ele chegou à esse ponto inicial do livro.

O problema é que, após um prólogo deslocado e sem grandes explicações sobre o que está realmente acontecendo, entramos em uma narrativa morosa sobre o pacato dia-a-dia de Milburn e da Sociedade Showder - cuja explicação do nome me escapa por completo. Nadei arduamente por dois meses nas águas turvas da trama, até finalmente conseguir vencer toda a distância que separavam o prólogo do epílogo do livro. É uma leitura chata, na maioria das vezes aparentemente sem sentido, com muitas histórias aparentemente soltas entrelaçadas no meio da narrativa, personagens que recebem muito foco e simplesmente não têm importância alguma, capítulos inteiros que não ajudam a desenvolver o enredo e um excesso de detalhes sem qualquer relevância. A trama só fica realmente clara no último quinto do livro, onde várias - mas não todas - "pontas soltas" são explicadas e encaixadas. Só que, até chegar nesse ponto, eu já quase tinha perdido as forças e lia duas, três páginas por dia e então pegava no sono - um efeito que poucos livros conseguiram me causar nos últimos anos!

O fato é que a lentidão e a enrolação do livro me fizeram perder o interesse na trama de tal forma que a conclusão perdeu todo o impacto, e quando eu terminei de ler o livro, só consegui pensar "Finalmente! Agora posso resenhar esse calhamaço!"

Porque eu creio que a tradução do titulo é aparentemente melhor do que o nome original, alguém pode perguntar. A resposta é: Deixarei para aqueles bravos e resilientes leitores que se julgarem durões o suficiente para lerem o livro que o descubram. Sim, eu sei que isso é baixo e vil da minha parte, mas infelizmente explicar esse detalhe estragaria grande parte da trama.

Eu? Teria gostado mais se o enredo envolvesse os homenzinhos verdes do espaço, como pensava erroneamente o caro senhor Scales...

Post Scriptum: Straub já ganhou vários prêmios, como o Bram Stoker Award, dois World Fantasy Award e o International Horror Guild Award, e a crítica considera Os Mortos Vivos como uma das melhores histórias sobrenaturais do século XX, com "uma narrativa incomparavelmente moderna" - ou ao menos foi o que eu li quando pesquisei pelo livro na rede. Assim, é bem possível que minha preferência por outros gêneros de ficção não tenham permitido que eu absorvesse toda a qualidade da obra. Mas considerando que eu aprecio o trabalho de Lovecraft e que Frankeintein é um dos meus livros favoritos, tenho dificuldades em acreditar plenamente nessa explicação.

Post Scriptum 2: A capa é uma cena do filme homônimo, baseado no livro. A qualidade da capa está bem ruim, mas eu simplesmente não me dei ao trabalho de scannear o meu livro só pra esse post ter uma imagem melhor. Mas ali o meio tem um idoso Fred Astaire, fato que por si só já me fez ficar curioso pelo filme!

quinta-feira, 21 de março de 2013

Os dez livros mais lidos dos últimos 50 anos


Essa semana me deparei com estatísticas que mostravam os dez livros mais vendidos no mundo. Meu primeiro impulso foi ir logo compartilhando a informação. Mas me peguei pensando sobre a veracidade dos números, e fui pesquisar primeiro. E durante a pesquisa, me deparei com outra questão interessante.

Mas há uma série de detalhes a serem considerados nessa lista. Primeiro, a vendagem de Harry Potter considera todos os sete livros. O mais vendido entre eles é H.P. e a Pedra Filsosfal, com cerca de 110 milhões de livros vendidos. A versão compilada ou em "box" com os três volumes do Senhor dos Anéis vendeu cerca de 100 milhões de cópias, mas se considerarmos as vendagens em volumes separados também, esse número vai à 150 milhões de cópias. No caso de Crepúsculo, é difícil calcular os números reais do livro, porque as fontes divergem imensamente, e estimam vendagens que vão de 28 à 100 milhões de cópias.

Mas então vêm as questões interessantes: As Crônicas de Nárnia - todos os sete livros - venderam 120 milhões de cópias entre 1949 e 2005. Será que essas vendagens foram de mais de 93 milhões só nos primeiros 14 anos (até 1943), pra que eles não chegassem a vender cópias suficientes nos últimos 50 anos?

Ainda, O Pequeno Príncipe foi originalmente publicado em 1943, e desde então vendeu cerca de 200 milhões de cópias. Ele teria que ter vendido 173 milhões de cópias nos primeiros 20 anos de publicação pra não figurar nessa lista.

Também achei bem difícil de engolir que O Hobbit, publicado em 1937, que já vendeu mais de 100 milhões de cópias, não vendeu cópias suficientes pra vigorar nessa lista- principalmente considerando as adaptações do Senhor dos Anéis e do próprio Hobbit tão recentemente. 


E onde estão E os três livros dos Jogos Vorazes (publicados entre 2008 e 2010), The Eagle Has Landed (de Jack Higgins, publicado em 1975), O Nome da Rosa (de Humberto Eco, publicado em 1980), Watership Down (de Richard Adams, publicado em 1972), todos livros que, desde sua publicação, já venderam pelo menos 50 milhões de cópias? E a Trilogia Millenium, de Stieg Larsson, publicados entre 2005 e 2007, com 53 milhões de cópias vendidas, e que não são uma trilogia fechada porque o autor morreu antes de dar sequencia à saga? Esses livros venderam mais ANTES de serem publicados do que nos últimos 50 anos?

Essa lista que apareceu pelo facebook tem alguns sérios problemas, e o maior deles, certamente, é querer colocar Crepúsculo entre os dez mais vendidos dos últimos 50 anos.

Em tempo: Considerando que O Código Da Vinci já superou os 80 milhões de cópias vendidas - e não os 57 milhões que aparecem no gráfico - a lista dos dez mais vendidos provavelmente seria:
Bíblia (alguns bilhões de cópias)
O Livro Vermelho (entre 600 e 800 milhões de cópias)
Harry Potter (400 milhões de cópias)
O Pequeno Príncipe (200 milhões de cópias)
Senhor dos Anéis (150 milhões de cópias)
As Crônicas de Nárnia (120 milhões de cópias)
O Hobbit (100 milhões de cópias)
O Código Da Vinci (80 milhões de cópias)
O Alquimista (65 milhões de cópias)
Trilogia Millenium (53 milhões de cópias)

Não é exato, considerando o que já escrevi acima, mas é bem mais aproximada do que o infográfico que apareceu pelo facebook.

Até que alguém consiga números mais acurados, fico satisfeito com essa lista! 

sábado, 9 de fevereiro de 2013

Adeus, Lorde Gato.


Lorde Gato está morto. Longa vida ao Lorde Gato.

Cerca de quatro semanas atrás, minhas gatas atacaram um ninho de almas de gato. Tiraram do ninho um dos filhotes, que minha mãe conseguiu resgatar. Sem saber bem o que fazer, decidimos criar o bichinho.

Depois de quase matarmos o pobrezinho dando-lhe frutas pra comer - almas de gato são aves de rapina! - nos demos conta que o que ele precisava era carne. Cavamos atrás de minhocas e caçamos aranhas e besouros pra alimentá-lo. na segunda semana, com a escassez de minhocas à mão, decidi que talvez um pouco de carne poderia ser uma alternativa viável. Começamos com carne de peixe, depois carne guizada, e finalmente compramos camarões - que se usa pra alimentar tartarugas - e iscas de carne. Ele aceitou todas essas opções com prazer.

Lorde Gato cresceu bem durante essas três semanas. Conversava bastante, e estava sempre faminto!

Mas nesses últimos três dias, perdeu a fala, e tinha dificuldades pra respirar. Perdeu o apetite, no último dia.

No começo dessa tarde, ele morreu. Não sabemos a causa. Mas o pequenino faleceu apesar de todos os nossos esforços.

Acabei de voltar do seu funeral. Fiz uma fogueira, e quando ela estava queimando com toda a intensidade, depositei o corpo do pequeno pássaro junto com o ninho improvisado que fizemos pra ele, e uma boa quantidade de minhocas - sua comida favorita.

Finalmente, em sua morte, Lorde Gato pode subir aos céus como nós sempre desejamos enquanto ele ficou conosco.

Eu nunca senti tanto a perda de um animal quanto a de Lord Gato, provavelmente porque ele estava sempre comigo, com seu ninho indo pra onde quer que eu fosse.

Vou sentir falta de seus gritos esfomeados e o cheiro de guano que eu sentia diariamente quando trocava os panos do seu ninho.

Ele ficou apenas quatro semanas entre nós, mas eu vou lembrar dele por muito mais tempo. Provavelmente vou sentir sua falta pro resto da vida.

Onde quer que esteja, Lorde Gato, espero que sempre tenha minhocas pra comer, e que suas penas finalmente lhe sustentem o vôo que eu sempre desejei ver.

Lorde Gato morreu. Longa vida ao Lorde Gato.

quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

Os Druidas

Um excelente livro de pesquisa com base em vários documentos históricos, literatura medieval e moderna e comparações com religiões de diversas partes do mundo. Com um olhar crítico, mas sem deixar de de apontar elementos não explicados pela ciência como possibilidades concretas, Ward Rutherford cria uma imagem vívida de quem poderiam ser os druidas por trás dos mitos atuais criados sobre a organização.

Rutherford cita lendas celtas e fala sobre a cultura desse povo, criando um panorama onde ele descansa a imagem dos druidas de maneira magistral.

Apesar de ser um livro baseado apenas em conjecturas - de um historiador que vive na região onde antes era a Galia, e portanto convivendo com os costumes da civilização na qual os druidas estavam inseridos - é extremamente lúcido e conciso. Rutherford levanta teorias, derruba mitos e aponta vários textos com descrições de membros da organização.

Astrônomos, numerologistas e curandeiros, a possibilidade de que fossem também xamãs com capacidades extra-sensoriais não é descartada pelo autor, apesar do próprio afirmar que provavelmente a maior parte das lendas sobre os poderes sobrenatuais dos druidas não passassem disso: lendas.

Rutherford escreveu muitas obras sobre celtas, druidas e até mesmo shamanismo - além de um grande número de livros sobre as duas guerras mundiais - e apesar de relativamente antigo - a publicação original é de 1978 - não há como ser considerado ultrapassado; mesmo que novos fatos possam ser adicionados ao que conhecemos sobre os druidas, dificilmente alguma das informações que constam desse livro se tornarão obsoletas.

Uma excelente leitura para aqueles interessados na cultura celta e em religião, Os Druidas é uma leitura interessante e elucidativa.

segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

Dialogando

Pois é, fim-de-ano, a leitura anda lenta, e a vida tentando voltar pros eixos. Além de estar com pouco tempo pra ler - na verdade, pouca energia; tem tanta coisa pra fazer que quando me sobra tempo eu só quero descansar a cabeça no travesseiro.

Além disso, estou lendo quatro livros ao mesmo tempo - não foi intencional, mas algo que simplesmente aconteceu. Não tenho idéia de quando vou terminar algum deles, nem quando vou conseguir resenhar um satisfatoriamente depois de seu término.

Então resolvi que, pra não deixar o blog parado por mais um tempo indeterminado - dezembro passou em brancas nuvens por aqui... - era hora de dizer alguma coisa ao meu público fiel (???). Mas daí tropecei num pequeno problema: falar sobre o que?

Não tenho nenhuma "postagem coringa" que as vezes me aparece, e não quero começar agora a falar de filmes aqui - apesar disso ter me dado uma excelente idéia, enquanto escrevo; vamos ver se amadurece - ou outros assuntos não relacionados à literatura, já que esse é o ponto focal do blog, acreditem se quiserem!

Então pensei comigo: o que eu gostaria de ler aleatoriamente nos blogs que costumo visitar? E a resposta veio bem fácil!

Listas!

Vou porpor algo sumariamente simples: vou deixar aqui uma lista de livros, com um pequeno adendo contendo regras, e espero que os leitores deixem em resposta uma lista também, considerando, é claro, as regras que eu estipularei adiante!

As quatro regras que vou impor são simples e fáceis de seguir:

1 - O livro deve ser um romance. Baseado em fatos reais ou não, e de qualquer estilo literário ao gosto do leitor, mas nada de livros de filosofia, livros técnicos ou teses - ele precisa conter uma história com início e meio (sim, ter fim ou não é opcional);

2 - O leitor precisa possuir o livro. Eu sei que muitas vezes nossos livros favoritos não estão mais conosco, então abrirei uma cláusala especial: O leitor precisa ter possuído o livro em questão. Ficam de fora livros emprestados ou de bibliotecas;

3 - O livro precisa ser amplamente recomendável. E essa é a regra mais importante! Não que ele seja recomendado pra qualquer um, mas ele precisa ter um motivo pra indicá-lo para os outros lerem! Não precisam ser listados esses motivos, só o nome do livro é suficiente - mas um mínimo de explicação seria apreciável. Assim não são necessariamente os seus livros favoritos que vigoram nessa lista, mas aqueles que tu acha que as outras pessoas do mundo deveriam ler!

4 - cinco livros. Nem mais, nem menos. Se tu leu menos de cinco livros que poderiam ser recomendados, tá na hora de expandir a biblioteca... Se tem mais, guarde pra uma segunda edição desse diálogo!

Então, vamos lá! Minha singela lista:

* Frankeinstein, o Prometeus moderno (Mary Shelley). O original ou sua revisão (perla própria Sheley). O original não é tão fácil de conseguir, e a versão revisada é melhor. Já falei sobre ele aqui no blog duas vezes, ao menos, e volto à indicar. É uma excelente história sobre a natureza humana que funciona lindamente na contemporaneidade. Além de ter uma das idéias mais originais sobre "monstros".

* O Verão do Lobo Vermelho (Morris West). Em momentos de desespero literário, já li algumas obras do West. Não gosto das histórias dele, mas a escrita é boa. Esse livro, no entanto, é - de acordo com o autor - bibliográfico. É bem diferente das histórias de tribunal dele, e o ritmo de escrita é bem tranquilo. É um livro que traz uma daquelas estranhas amizades com pessoas que não fazem sentido, mas que todos nós temos.

* Longe é um lugar que não existe (Richard Bach). Um conto-de-fadas contemporâneo, que nos lembra de coisas importantes. Lindo, simplesmente.

* O Anel dos Nibelungos (Saga nórdica). A versão em prosa. É uma dessas histórias universais. Pode não ser simples de ler, entender ou interpretar, já que não somos nórdicos nem estamos na idade média, mas ainda assim é uma história poderosa, mesmo que o leitor não perceba toda a simbologia escondida no livro.

* O Último Reino (Bernard Cornwell). O primeiro livro das Crônicas Saxônicas, mas que pode perfeitamente ser lido como uma história isolada - diferente dos outros. Cornwell é um excelente contador de histórias, e é o único escritor que eu já li que consegue passar a sensação de se estar em um combate. Não que eu tenha estado em muitos, mas me fez lembrar do frenesi controlado que acontece quando eu entrava em um tatame pra pelejar em um kumite. Pra além disso, é uma baita história!

Aí está minha pequena lista! Só espero ver algumas listas nos comentários, agora!

A sim: Devia ter uma imagem, certo? Pois é, não rolou, dessa vez. Acontece. Lamento se desapontei alguém.