segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

"Sejam curiosos"

Parece que as férias também estão sendo férias de leituras de ficção. O que é uma pena, porque sinto falta da companhia de um bom livro, principalmente para as horas sem nada para fazer. Na praia, sem nada para ler, acabei passando os olhos por uma crônica curtinha, que me colocou bastante a pensar. Na verdade, nem era a crônica em si, mas a pessoa de quem ela tratava. Era sobre o aniversário de 70 anos do Stephen Hawking e o discurso que ele gravou para a ocasião. Entre outras coisas que ele disse, essa foi certamente a que mais me marcou "Tentem encontrar sentido no que veem e imaginar o que faz o Universo existir. Sejam curiosos".

Ele podia ter dado conselhos diferentes: sejam dedicados, pesquisem, sejam observadores. Mas, na verdade, a etapa anterior a qualquer uma dessas é com certeza a curiosidade. Sim, é bem provável que os homens primitivos tenham saído de suas cavernas para procurar comida. Mas, quem disse que depois de já terem achado, não foram mais longe, só para descobrir o que havia do outro lado da montanha? É a curiosidade em querer entender o funcionamento de tudo, sejam máquinas, pessoas ou o próprio universo, que faz o homem evoluir. Só tem respostas quem primeiro faz perguntas.

Meu estimado tio Joca, que por sinal completou 71 anos semana passada, certamente concorda com o físico inglês. Uma vez, já há algum tempo, eu fiz uma pergunta para ele e logo emendei dizendo que  ela era boba, que ele não precisava responder. Antes de me dar a resposta de fato, ele me disse que não existem perguntas bobas, que quem pergunta ignora por um minuto, mas quem não pergunta ignora para sempre. O tio Joca não podia estar mais certo. E ele, por sinal, é uma das pessoas que eu conheço que mais leva a sério seu próprio conselho: está sempre interessado nos mais variados assuntos, gosta de saber sobre lugares diferentes, lê um pouco de tudo e pergunta muito. Consequentemente, acaba sendo uma pessoa super interessante de conversar, exatamente porque sabe um pouco sobre quase tudo.

No fim das contas, se a curiosidade não trouxer exatamente a resposta que procuramos, ela certamente vai trazer algum conhecimento novo. E conhecimento sempre, ou quase sempre, faz bem. Nem que seja para ter assunto numa conversa em mesa de bar!