quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

Vivendo em Londres

Torre de londres

Não, ainda não consegui o feito de estar morando nessa cidade de clima maravilhoso (ironia, mas também um pouco de verdade). É Edward Rutherfurd que está me levando pelas ruas de Londres. Na verdade não pelas ruas de hoje, mas pela história da capital inglesa, desde sua povoação celta até o fim do século XX. Londres o Romance: 2.000 anos na vida da capital inglesa, tradução de Alves Calado, é um livro com ricos detalhes históricos mas com a criatividade necessária para a ficção.

Rutherfurd descreve ricamente as paisagens, as localizações dos lugares, a organização da sociedade, o modo de agir das pessoas, que realmente nos sentimos vivendo na época e no lugar que ele está descrevendo (sinto apenas que eu não sou o tipo de pessoa que consegue produzir imagens mentais de lugares descritos, então sempre quando ele vai dizendo que há um rio ali, dois morros a oeste, leste, a estrada que vem daqui e vai para lá, tudo para mim é um grande emaranhado disforme de ruas, rios, construções). Mas é claro que se o livro fosse só isso seria extremamente chato. Então, em cada capítulo do livro, em que ele narra os fatos históricos como a invasão romana, as disputas pelo reino, o estabelecimento da igreja Católica substituindo os ritos pagãos ou a construção da Torre de Londres, o faz através da vida de pessoas, inventadas por ele, claro, mas que com certeza poderiam ter existido. E é com certeza pela riqueza desses personagens que não consigo mais largar o livro.

Tem só uma coisa que me incomodou um pouco, que foi o fato dele romancear um pouco demais a história desses personagens (ao menos nessas primeiras 300 páginas que eu li), sempre dando um jeito para que o final deles acabe de uma maneira positiva demais se resolvendo. Bom, mas talvez essa seja uma táctica do autor para aqueles leitores mais “sensíveis” que poderiam abandonar a leitura no começo caso ela fosse trágica demais.

Quanto à precisão histórica, como não sou uma pessoa com boa localização espaço-temporal, nem que guarda dados, não posso dizer se o livro é preciso ou se se perde no que está descrevendo. Essa informação provavelmente a minha contraparte masculina desse blog poderá dar com muito mais propriedade, quando ler a obra (sim, porque imagino que ele vai adorar, já que esse é mais o seu tipo de leitura que o meu e ele conhece muito melhor o que está sendo descrito).

Bom, mas ainda me faltam percorrer 800 anos de história ao longo de 700 e poucas páginas, até poder dar minha opinião final. Vamos ver se Rutherfurd vai conseguir manter o fôlego por tanto tempo, como a própria cidade que ele está descrevendo.Eu sei que, ao menos quanto a mim, não me importo nem um pouco de continuar vivendo em Londres por mais algum tempo!

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