terça-feira, 25 de maio de 2010

Felicidade plena VS Harmonia




Esse post segue ainda a fase filosófica do anterior sobre a espera.
Hoje eu conversava com uma amiga minha, colega de mestrado, alguém com quem eu tenho conversas filosóficas e desabafos. E ela me veio com essa pergunta:
"Marina, tu acredita em felicidade plena?"
E eu fiquei espantada em como a resposta me veio rápida: Não.
Eu não acredito em felicidade plena. Acho que esse foi um conceito inventado, que nos distancia mais do que nos aproxima da felidade, um conceito que traz angústia.
Explico.
Muito dada as letras, acho que vale começar a discussão analisando a expressão: felicidade plena.
Pára para pensar nesse adjetivo, plena. Se algo é pleno, ele é acabado, perfeito, pronto. Não há mais nada depois dele, porque ele já é o objetivo alcançado. Se formos pensar felicidade nesse sentido, então ela seria um estado, um lugar, onde chegaríamos e lá estaria ela, aquela por quem tivemos esperando a vida toda.
E claro que não é isso. Eu sei que o que eu vou dizer vai parecer clichê mas o caso é que, clichê ou não, é verdade: a felicidade é feita no agora, no detalhe, não no futuro. Um exemplo claro: ontem saí para jantar com meus primos, namoradas, os primos da namorada e mais os amigos de outro primo (hehe poderia ser mais claro?). Fomos num restaurante mexicano que eu não conhecia. E estar lá com eles, pessoas que eu gosto e que agora estou podendo conviver mais, conversar bastante, provar uma comida nova, num lugar diferente, bonito, legal, isso para mim foi felicidade. Cheguei em casa leve, com a sensação de que havia passado ótimas três horas.
Então aquela história de que a gente deve viver como se fosse o último dia, aproveitando cada momento, ela é verdade. Porque a felicidade não está na casa ainda não conquistada, na viagem que ainda não veio, na família apenas planejada. Porque isso tudo, nem sabemos se virá ou não. Mas aquilo que vivemos agora, que é concreto, isso sim podemos saber se é mesmo felicidade.

Chego então no segundo lado do meu título: harmonia.
Pronto. Se felicidade plena deva ser alguma coisa, algo concreto, para mim ela seria harmonia. Harmonia no sentido de paz de espírito, de tranqüilidade. Estar em harmonia com o ambiente, com os outros e, principalmente, consigo mesmo. Isso sim é um estado, um estado que teríamos que alcançar, como parte de um processo, nosso processo de crescimento pessoal.
Só que eu não acho que a busca por essa harmonia seja frustrante. Não. Para mim ela faz parte do nosso aprendizado como seres humanos. Ela é a tentativa de vencermos a nossa "mundanície" para chegar a um ponto de equílibrio.

E eu realmente penso que esse estado de paz, equílibrio, harmonia, seja como quiserem chamar, exista e que as pessoas chegam nele, em maior ou menor grau.
Basta olhar as pessoas mais velhas. Temos a impressão de que elas tem uma certa calma que não vemos nas outras pessoas. Muitas vezes essa calma é vista como resignação ou como falta de atitude, mas não acredito que seja isso. Na verdade vejo mais como esse entendimento de que a vida não é feita de extremos, mas do meio. E acho que é mais fácil chegar a esse entendimento, essa compreensão, quando não estamos mais tão preocupados com o nosso futuro, com o que vamos conquistar ou o que vamos perder.

Bom, certamente acredito em tudo o que eu escrevi. No entanto, se me questionarem se eu sigo essa filosofia de vida sobre a qual falei, eu direi que muito pouco. Mas eu acho que para criarmos uma realidade temos primeiro que pensarmos sobre ela e, por que não, até mesmo escrever sobre ela. Na verdade, no meu caso, principalmente escrever sobre ela.
Afinal de contas, a materialidade do papel (mesmo virtual) não deixa de ser um bom começo para concretizá-la... certo?

2 Colherinhas de açucar:

  1. concordo! boa filosofia de vida, o difícil, às vezes, é por em prática...

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  2. Com certeza Ju. Na verdade por enquanto é só isso mesmo, uma filosofia de vida.
    Mas acredito q as filosofias sejam o começo para criar uma realidade... Espero que seja verdade : )

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