
Eu tinha uma frase em uma agenda minha (na verdade acho que em umas três agendas seguidas, mas poderia estar em todas desde os meus cinco anos talvez) de uma música do John Lennon, não faço nem idéia qual, que dizia que a vida é aquilo que acontece enquanto estamos ocupados fazendo planos.
Essa é uma daquelas frases que eu deveria ter no espelho, para ler todo dia de manhã, daquelas sabedorias que temos que ser constantemente lembrados e que são terrivelmente verdadeiras.
Essa semana terminei de ler a peça Waiting for Godot (o original é em francês, mas essa tradução é feita pelo próprio autor, o Samuel Becket). E ela é exatamente sobre isso: esperar. Durante os dois atos inteiros que formam a peça, Vladimir e Estragon estão esperando por Godot, alguém que não temos bem certeza quem é, mas que nunca vem. Enquanto esperam, eles ficam buscando distrações para fazer passar o tempo, e ficam repetindo as mesmas atividades de novo, e de novo, e de novo.
É claro que a ação da peça é estremamente monótona, mas é esse mesmo o objetivo. Conforme vamos lendo, esse círculo vicioso vai nos deixando ansiosos, até em que chega um ponto em que não esperamos mais Godot chegar, porque sabemos que ele simplesmente não irá vir. E nos conformamos. E assistimos os dois personagens nas suas ações repetidas e sem sentido, apenas para o tempo passar.
Essa foi uma peça que realmente me deu o que pensar.
Ao terminar de ler, não conseguimos ter certeza de quem era Godot (seria God? algum tipo de salvador?). Mas acredito que essa resposta não é relevante. O que importa mesmo é a ação.
A ação de esperar, e esperar, e esperar. E de fazer alguma coisa enquanto isso para preecher o tempo.
E eu penso sobre a maneira como muitas vezes agimos, como eu própria ajo. Passo um semestre de estudos esperando pelas próximas férias, passo as férias esperando as aulas recomeçarem, passo o mestrado esperando o momento da defesa, passo o tempo seguinte esperando o doutorado, a nova cidade, uma família que não sei quando virá...
E assim a vida passa, e a gente vai preenchendo o tempo enquanto espera.
Essa é uma daquelas frases que eu deveria ter no espelho, para ler todo dia de manhã, daquelas sabedorias que temos que ser constantemente lembrados e que são terrivelmente verdadeiras.
Essa semana terminei de ler a peça Waiting for Godot (o original é em francês, mas essa tradução é feita pelo próprio autor, o Samuel Becket). E ela é exatamente sobre isso: esperar. Durante os dois atos inteiros que formam a peça, Vladimir e Estragon estão esperando por Godot, alguém que não temos bem certeza quem é, mas que nunca vem. Enquanto esperam, eles ficam buscando distrações para fazer passar o tempo, e ficam repetindo as mesmas atividades de novo, e de novo, e de novo.
É claro que a ação da peça é estremamente monótona, mas é esse mesmo o objetivo. Conforme vamos lendo, esse círculo vicioso vai nos deixando ansiosos, até em que chega um ponto em que não esperamos mais Godot chegar, porque sabemos que ele simplesmente não irá vir. E nos conformamos. E assistimos os dois personagens nas suas ações repetidas e sem sentido, apenas para o tempo passar.
Essa foi uma peça que realmente me deu o que pensar.
Ao terminar de ler, não conseguimos ter certeza de quem era Godot (seria God? algum tipo de salvador?). Mas acredito que essa resposta não é relevante. O que importa mesmo é a ação.
A ação de esperar, e esperar, e esperar. E de fazer alguma coisa enquanto isso para preecher o tempo.
E eu penso sobre a maneira como muitas vezes agimos, como eu própria ajo. Passo um semestre de estudos esperando pelas próximas férias, passo as férias esperando as aulas recomeçarem, passo o mestrado esperando o momento da defesa, passo o tempo seguinte esperando o doutorado, a nova cidade, uma família que não sei quando virá...
E assim a vida passa, e a gente vai preenchendo o tempo enquanto espera.
Outro ponto bem marcante na peça é a maneira como Vladimir e Estragon dependiam um do outro. Há mais de um momento na peça em que um dos personagens afirma que o outro não pode ir embora, porque ele tem medo de ficar sozinho.
Eles precisam um do outro, precisam ficar juntos.
Esse desespero em não ficar sozinho, no contexto da peça, também me levou a pensar sobre o porquê das pessoas ficarem juntas. Me lembro de uma frase do filme Shall we dance?, em que o detetive contratado pela mulher do personagem do Richard Gere afirma que as pessoas se casam porque precisam de uma testemunha para a vida delas, para garantir que elas de fato viveram. Às vezes eu tenha medo de que seja isso mesmo. Escolhemos alguém por afinidade, certo, porque temos um afeto sincero em relação à outra pessoa, com certeza, mas escolhemos escolher alguém, porque não podemos ficar sozinhos, porque precisamos de provas de que vivemos.
Esse desespero em não ficar sozinho, no contexto da peça, também me levou a pensar sobre o porquê das pessoas ficarem juntas. Me lembro de uma frase do filme Shall we dance?, em que o detetive contratado pela mulher do personagem do Richard Gere afirma que as pessoas se casam porque precisam de uma testemunha para a vida delas, para garantir que elas de fato viveram. Às vezes eu tenha medo de que seja isso mesmo. Escolhemos alguém por afinidade, certo, porque temos um afeto sincero em relação à outra pessoa, com certeza, mas escolhemos escolher alguém, porque não podemos ficar sozinhos, porque precisamos de provas de que vivemos.
Espero que eu esteja apenas em um momento cético demais e que essa minha hipótese não demore muito a ser descartada como irrelevante, mas pode ser que isso não aconteça.
O que eu sei é que a frase do John Lennon vai para a minha agenda de 2010, juntamente com o imperativo curto e direto ao ponto da minha sábia prima Bia: vive!!
É isso simplesmente:
O que eu sei é que a frase do John Lennon vai para a minha agenda de 2010, juntamente com o imperativo curto e direto ao ponto da minha sábia prima Bia: vive!!
É isso simplesmente:
Não espera.
Vive.

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